domingo, 22 de Novembro de 2009

look cool


Steve McQueen em Bullitt de Peter Yates

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sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Dois novos protagonistas

A União Europeia escolheu o seu primeiro presidente. É Herman Rompuy, primeiro-ministro da Bélgica, 62 anos, democrata cristão, católico, economista, bastante respeitado no seu país, conhecido por ser um exímio negociador, que fez com que a Bélgica conseguisse reduzir a sua enorme dívida pública para poder adoptar o euro.

A escolha de um político desconhecido para ser o líder europeu no cenário mundial, mostra que a França e a Alemanha, as principais potências do continente, não estão dispostas a abrir mão da sua capacidade de moldar a posição da UE em termos de política externa.

Sensação reforçada pela escolha para Alta Representante da UE para a política externa e segurança, da britânica Catherine Ashton, de 53 anos, muito próxima do primeiro-ministro Gordon Brown, actual comissária europeia de Comércio da Comissão Europeia, baronesa de Ashton de Upholland, membro do Partido Trabalhista e ex-presidente da Câmara dos Lordes, que ocupou vários cargos intermédios no Governo de Brown nos ministérios de Educação, Direitos Humanos, Justiça e Igualdade, mas quase não tem experiência em questões de política internacional.

Tony Blair teve, assim, de se retirar da disputa.

Beaujolais

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bej-noveaux2S.jpg

Como manda a tradição, o vinho
Beaujolais Nouveau já chegou às lojas. É um vinho tinto jovem, leve, para beber ligeiramente gelado ou à temperatura ambiente. Eu acabei de comprar a minha.

Tetro

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Estreia hoje, em Portugal, o mais recente filme de Francis Ford Coppola, Tetro, que conta a história da viagem de Bennie (Alden Ehrenreich) a Buenos Aires, tentando reencontrar o irmão desaparecido, Tetro (Vincent Gallo), uma referência e um modelo para si. Em Buenos Aires, depara-se, contudo, com uma realidade inesperada que o vai ajudar a encontrar-se, e ao mesmo tempo, contribuir para que Tetro também se encontre.

Durante o filme, descobrimos, tal como as personagens dos dois irmãos, a importância marcante que o pai, um famoso, carismático, egocêntrico e excêntrico maestro de origem argentina (klaus Maria Brandauer), teve nas suas vidas. Condicionando-as fortemente. Quase, irreversivelmente.

É um filme fotografado a preto e branco, digital, excelente, com uma óptima banda sonora e fantásticas interpretações. Inspirado, sensível, contido, profundo, quase mágico, do sempre fantástico Francis Ford Coppola.


quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Nova fase


Em Bruxelas, os chefes de governo da UE procedem hoje à nomeação do primeiro Presidente permanente do Conselho Europeu, do Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança e do Secretário‑Geral do Conselho.

São três cargos essenciais na construção política europeia. Cargos importantes. Representativos. Sendo vários os candidatos, pois não foram conseguidos acordos de "bastidores". A especulação é muita em relação a quem vai ocupar esses três cargos. A expectativa imensa.

O ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, de 56 anos, pode ser o primeiro presidente da Europa. O que, pessoalmente, considero que seria estimulante.

O Tratado de Lisboa, que entra em vigor no próximo 1 de Dezembro, prevê a criação do cargo de Presidente da Europa, com um mandato de dois anos e meio e passível de uma reeleição. É uma nova fase do velho continente, numa altura em que os EUA igualmente vivem um novo período e diferentes políticas.

É um momento carregado de simbolismo e de importância.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

23 anos


Gosto da profundidade e da qualidade das fotografias de Kyle Ferino que tem apenas 23 anos. E gosto do site, simples e despretensioso.

ok ... ko

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Apesar de alegadamente estar "suspenso de funções", em virtude dos factos relacionados com a "Face Oculta", Armando Vara continua, segundo parece, a receber 30 mil Euros por mês e a manter-se na presidência do Millenium Angola.

Ao mesmo tempo, o país discute as escutas e o casamento de homossexuais. Distrai-se com a euforia benfiquista e a gripe A. Estranha o silêncio de Cavaco Silva e aceita resignado uma conjugação de forças que politicamente visa salvaguardar fortes interesses instalados.

Portugal continua a viver sob uma enorme, gigantesca e tentacular união de forças, que envolve jornalistas, fazedores de opinião, políticos, grandes grupos económicos - nomeadamente bancos e empresas de construção - responsáveis pelas ordens profissionais, sindicatos, institutos de sondagens, presidentes de entidades fiscalizadoras e reguladoras, presidentes de importantes instituições, as mais altas figuras da hierarquia judicial, que se situam todas no mesmo espectro político e pretendem manter o status quo, resistindo à mudança e opondo-se ferozmente a quem ouse alterar "o sistema". Quem ousa, é malhado e rapidamente posto K.O.

Aceito que pode parecer uma visão simplista e redutora do país. E politicamente não completamente isenta.

Mas quando todos os dias se tem conhecimento de factos que são vergonhosamente encobertos, escamoteados e desvalorizados com a imposição de uma agenda paralela de importância menor, quando todos os dias se tem notícia da "tragédia" dos nossos indicadores macro-económicos, que evidenciam que não se resolvem os verdadeiros problemas do país, que são enormes e que, ano após ano, década após década, se perpetuam, vem ao de cima, inevitavelmente, nalguns espíritos inconformados, como o meu, a ideia de que tudo isto não pode ser meramente coincidência. Afinal, não somos assim tão maus, tão atrasados, tão pequenos.

Ok... é, assumidamente, a tese (talvez gasta, mas saborosa) da teoria da conspiração.

Mas é que chega a ser escandalosa a nossa capacidade de não discutir o mais importante, de não reformar, mudar e modernizar o país, não definindo e executando uma estratégica política mobilizadora e eficaz que nos faça crescer como país e como nação. Passando nós, ao invés, o tempo todo, a discutir temas "fracturantes" e laterais face ao estado do país. O desemprego é o que é, o PIB o que se sabe, o crescimento inexistente e o nosso afastamento da Europa cada vez maior. Mas isso é "secundário"... Afinal, há tanta coisa "mais importante"...

Cada vez mais periféricos, cada vez mais longe, mas sempre felizes e contentes a manter tudo na mesma. Tudo o.k... tudo k.o...

E, em vez de se contrariar este estado de alma, de lutar contra o sistema, de denunciar os silêncios coniventes, há, cada vez mais gente, que desiste de resistir e adere à onda. É mais fácil, mais cómodo e mais útil. É quase inevitável...

Por tudo isto, não pretendo perder um minuto, a discutir o casamento de homossexuais e a possibilidade de adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Sou a favor. De ambas as situações. E não vejo necessidade de referendo sob o tema, embora considere que seria mais sensato.

E, daqui a uns tempos, quando se lançar a discussão sobre o não menos importante tema da poligamia, sobre a possibilidade de casamento de um homem com várias mulheres e de uma mulher com vários homens, um tema seguramente interessantíssimo e essencial ao país, também serei a favor.

Afinal, é tudo uma questão de tolerância e modernidade. E de não perder tempo em assuntos laterais, face às enormes dificuldades da vida de todos os dias. É que há tantas coisas mais importantes a fazer.

E em Lisboa?



terça-feira, 17 de Novembro de 2009

regresso




ao fim de vários meses, ao Chão do Prado, de que já se falou aqui.

o dia estava lindo, Bucelas convidativa, as videiras pujantes e o cheiro a Outono. Mafalda recebeu-nos, como sempre, com enorme simpatia e atenção, confirmando a óptima anfitriã que é. A comida estava perfeita. Primeiro, pão e azeitonas, depois uns ovos mexidos com farinheira muito saborosos e para completar uma alheira de excelente nível. Bebemos a habitual Colheita Tardia, um néctar deliciosamente estimulante. A rematar um pouco de gelado e café.

o almoço, num longo e preenchido dia, foi o intervalo perfeito e um excelente pretexto para matar saudades e fazer projectos para o futuro. Muitos.


Raro



"Posso ser criativa sem gastar um euro". Zélia Moraes, 26 anos, brasileira, vencedora para Portugal da medalha de prata no Festival de Publicidade de Cannes.

Bird Gehrl




Antony and the Johnsons



segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Haja pudor II


O facto da autópsia já realizada ao feto de Portalegre concluir que terá havido morte súbita, demonstra que as "notícias" da manhã, relacionando a morte com a gripe A, eram precipitadas, demonstrando uma enorme falta de pudor, rigor e bom senso.

Estamos cansados de tanta incompetência ou má fé em tantas áreas. Estamos cansados de tantos erros repetidos, silêncios coniventes e solidariedades interesseiras.

Melhor, estou cansado!

Haja pudor


Os noticiários televisivos e os jornais on line, desde manhã bem cedo, "noticiam" que "Uma grávida de 34 semanas perdeu o bebé no sábado, três dias depois de ter sido vacinada contra a gripe A(H1N1)."

Onde está o bom senso? Por onde anda a Entidade Reguladora da Comunicação Social? Será que só o ex-Jornal da TVI de Moura Guedes é que é motivo de preocupação pela falta de rigor jornalístico?

Há dias, os media, durante 2 dias, antes de se conhecer o resultado preliminar da autópsia que apontaria para a existência prévia de uma cardiopatia,
anunciaram sensacionalista e precipitadamente que uma criança tinha morrido devido à gripe A. O que se veio a demonstrar com a autópsia não ser verdade.

Mas, o barulho mediático teve inevitavelmente como consequência o pânico generalizado durante uns dias.


Seria mais profissional, mais correcto e, até, mais decente, que também neste caso de hoje, os media esperassem pela autópsia antes de potenciarem suspeitas que, até ver, são perfeitamente infundadas.

Todo este fenómeno da gripe A tem contornos muito delicados, mas não tenho dúvidas que tem mostrado à evidência a incompetência, falta de profissionalismo e de bom senso, em geral, dos nossos media.

Haja pudor!

domingo, 15 de Novembro de 2009

domingo


o som da chuva, a vontade de ficar em casa, quente, tranquilo, com o mac, os meus filmes, livros de Direito para actualizar, revistas e jornais, um "croque-monsieur", acompanhado de um copo de Redoma, Reserva, 2008, um dos melhores brancos de Dirk Niepoort, de cor amarela palha, aroma intenso, a lembrar limão e laranja e ameixas, encorpado, pujante, equilibrado, com tudo.
como o dia. típico de domingo de outono. bommm.

Arquitectura de Norte Júnior

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impressiona-me a arquitectura deste grande arquitecto que marcou Lisboa no princípio do século XX, apaixona-me a sua obra, os detalhes, o bom gosto, a força.

são também obras suas de raiz ou parciais:

- Café A Brasileira, no Chiado - 1905
- Casa Museu Anastácio Gonçalves, na Av. 5 de Outubro, n.ºs 6-8 - Prémio Valmor de 1905
- Villa Sousa, na Alameda das Linhas de Torres, n.º 22 - Prémio Valmor de 1912
- Moradia na Av. Fontes Pereira de Melo, nº 28 - Prémio Valmor de 1914
- Edifício na Av. da Liberdade, nºs 206 a 218 - Prémio Valmor de 1915
- Edifício na Av. Duque de Ávila, n.ºs 28-30
- Pensão Tivoli - Hotel Liz, na Av. da liberdade, n.ºs 176-180 - Prémio Valmor de 1927, hoje conserva-se apenas a fachada, integrada no Hotel NH Liberdade
- Café Nicola, no Rossio - 1929

sobre a obra fantástica de Norte Júnior: "As Avenidas Novas de Lisboa, 1900-1930", Raquel Henriques da Silva, Lisboa 1986 (Dissertação de Mestrado em História da Arte apresentada à FCSH/UNL, policopiada)

Lauren Bacall, The Big Sleep (1946, Howard Hawks)

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"She was worth a stare. She was trouble.
She was tall and rangy and strong-looking. She had a good mouth and a good chin. There was a sulky droop to her lips and the lower lip was full. She had a drink. She took a swallow from it and gave me a cool level stare over the rim of the glass."

Raymond Chandler, The Big Sleep


sábado, 14 de Novembro de 2009

Oportuno

"I'm never surprised by bad behavior. I expect it", Gore Vidal

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Tentações


A caminho do almoço, no agora mais famoso Tentações de Goa, no Martim Moniz, na Rua S. Pedro Mártir, 23, o segundo melhor restaurante goês de Lisboa, depois do Cantinho da Paz (e da Casa de Goa, igualmente, do meu amigo Sebastião Fernandes), relembro tantos almoços especiais ali passados, ao longo dos anos.

A rua é estreita, mourisca, os aromas variados, esquecendo por momentos Lisboa.
Chamuças de camarão, bajhi puri e chouriço. Tudo excelente, em particular o chouriço, que há anos não comia e que estava soberbo, picante, apurado, forte. As circunstâncias e a companhia especial justificavam uma incursão mais arrojada.
Acompanhámos com a obrigatória cerveja em copo metálico gelado e rematámos com uma bebinca.

Um espaço que tem conseguido manter a mesma qualidade e simpatia, desde a primeira hora, e que redescubro ciclicamente sempre com expectativa.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Armistício


11 horas do dia 11 do mês 11 de 1918

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

muro


9 Novembro 1989


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20 anos! parece que foi ontem.

e, no entanto, como explicar aos mais jovens, que ainda há pouco tempo, existia um muro, na Europa, que dividia em dois o seu país mais competitivo, e que traduzia duas visões da vida, dois mundos.


o muro foi construído em 1961 e sobreviveu 28 anos, obrigando as vidas das pessoas a ficarem separadas pelo betão, pelas armas e pela brutalidade de um regime que ditava as novas regras, sem discussão.

é preciso comemorar a queda do Muro de Berlim, até para não esquecer que ainda há muitos outros muros em betão ou invisíveis, mas igualmente incompreensíveis, resistentes, brutais, simbolizando as dificuldades, as desigualdades e os ódios que os determinam e relativamente aos quais ainda não encontrámos vontade ou sabedoria para derrubar.



aqui um emocionante ensaio fotográfico sobre o muro de Berlim feito pelo fotógrafo Jürgen Müller-Schneck, que retratou vários momentos do Muro e seus efeitos sobre a vida da cidade.
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sábado, 7 de Novembro de 2009

look no further







Bolsa de valores sociais


Tive conhecimento, há dias, de um excelente projecto - a bolsa de valores sociais - que visa facilitar o encontro entre investidores e organizações da sociedade civil.

Há muitas organizações, que por falta de financiamento, estão impossibilitadas de desenvolver de forma sustentável projectos com reconhecido mérito social. E há empresas e cidadãos interessados em contribuir para o desenvolvimento de projectos sociais, que os desconhecem ou não têm garantias de que os seus donativos sejam efectivamente investidos gerando valor social.

A bvs tem por missão promover a aproximação entre a “oferta” e a “procura” de apoios e assim contribuir para o reforço e valorização do trabalho das organizações da sociedade civil e, em paralelo, incentivar as empresas e os cidadãos a efectuarem donativos para projectos sustentados.

Para que esse objectivo seja eficazmente atingido:
. Não são cobradas comissões, sendo o donativo integralmente transferido para o projecto escolhido da lista dos projectos admitidos.
. Os projectos para serem escolhidos terão que aguardar a decisão de uma equipa técnica.
. São critérios de escolha, a inovação social e a capacidade de resposta efectiva aos problemas equacionados.
. As contas dos projectos são auditadas.

Um projecto que pode contribuir fortemente para a dinamização de projectos sociais com valor através do comprometimento empenhado da sociedade civil no seu desenvolvimento. Excelente.

Ritz Club


Via CIDADANIA LX - Ritz Clube. Att. da CML





O Ritz Club de boas recordações está à venda, como se pode ver aqui, apesar de ter estado para ser classificado até que há pouco tempo pelo IGESPAR.

A sua localização na Rua da Glória, junto à Avenida da Liberdade, perto do Jardim Alfredo Keil (Jardim da Praça da Alegria), do Parque Mayer e também das Portas de Santo Antão, é privilegiada e seria óptimo que se encontrasse uma solução que viabilizasse um bom projecto, atractivo, diferente, original, adaptado aos nossos dias, economicamente viável, que mantivesse a função de uma sala dançante e de espectáculos, a interessante arquitectura, respeitando-se assim a história deste local muito particular na vida da cidade, que remonta às primeiras décadas do século passado.

Não creio, sinceramente, que a solução passe por uma aquisição do Estado, ou da CML, por razões financeiras e de gestão. O município já tem inúmeras salas e é com dificuldade que as gere. E o Estado não tem vocação. Achamos sempre que a forma de "salvar" este tipo de casos é o recurso à opção pública. Mas isso cada vez vai sendo mais difícil e mais raro.

Mas pode ser que algum privado consiga viabilizar esse projecto em articulação directa com a CML, o IGESPAR e o Turismo de Lisboa...

Era óptimo para a zona e para Lisboa.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

tranquilidade


Considerando que:
  • as sondagens são caras;
  • depois dos "casos" das europeias e das autárquicas, tirando um relatório que falámos aqui, nada de muito significativo foi feito para evitar erros crassos;
  • há um mês tivemos eleições autárquicas;
  • só há dois dias é conhecido o programa do governo;
  • é sabido que o PSD está com um líder "a prazo";
  • CDS, BE e CDU pouco têm intervindo;
  • surgiu recentemente um caso de trafego de influências, que envolve diversas personalidades ligadas ao PS,
alguém me explica qual o interesse em passados dois meses das eleições legislativas se realizarem duas sondagens?
informação? rotina? interesse cientifico? interesse político?...

será para tranquilizar o País?

the philosophy

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“My philosophy is that it’s better to explore life and make mistakes than to play it safe and not to explore at all. Mistakes are part of the dues one pays for a full life.” -Sophia Loren (via getty)

“My philosophy is that it’s better to explore life and make mistakes than to play it safe and not to explore at all. Mistakes are part of the dues one pays for a full life.”

Sophia Loren

(retirado do excelente old hollywood)


quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

menos um carro


Sensibilizar os cidadãos para a utilização dos transportes públicos de forma racional e sustentável é o objectivo do movimento "Menos um carro", d
a iniciativa da Carris, com vista à redução do tráfego em Lisboa.
O movimento formalizou-se, recentemente, através da assinatura de um protocolo entre a Carris, a PSP, a Agência Portuguesa para o Ambiente, a Direcção-Geral de Saúde, a Quercus, a ACAPO e o Instituto Português da Juventude.
Uma excelente iniciativa, dada a conhecer com uma óptima campanha, curiosamente sem ter a Câmara de Lisboa como parceira privilegiada, o que não se percebe...

Relatório sobre sondagens


Em Julho, por altura do descalabro verificado nas sondagens para as Europeias, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) decidiu constituir uma comissão para elaborar um diagnóstico sobre a situação das sondagens no nosso país e apresentar sugestões sobre medidas a adoptar.

A comissão já fez esse diagnóstico tendo produzido
um relatório, que foi apresentado há dias, e que está disponível na integra no Margens de Erro, tendo por base 38 sondagens realizadas sobre 8 eleições diferentes, das legislativas de 2005 até às europeias de 2009, não contemplando portanto nem as autárquicas de Outubro, nem as de 2001.

As conclusões mais s
ignificativas que retiro são as seguintes:
  • O PS e o PSD são os partidos para os quais os desvios apresentam maior variabilidade para a a maior parte das eleições;
  • Em geral, os resultados das projecções para o PS tenderam a ser sobreavaliados;
  • O PSD tendeu a ser subavaliado nas eleições autárquicas de 2005 de Lisboa, e ligeiramente sobreavaliado nas projecções para as eleições legislativas de 2005;
  • Relativamente ao CDS, trata-se de um partido subavaliado nas sondagens e projecções;
  • PCP e BE apresentam resultados muito próximos da realidade, mas com algumas «nuances». No caso do Partido Comunista, o estudo considera-o «ligeiramente subavaliado» em todas as projecções, enquanto o Bloco de Esquerda aparece «ligeiramente sobreavaliado» nas autárquicas de 2005, em Lisboa e no Porto.
  • A análise da cobertura jornalística das sondagens revela grande visibilidade dada aos resultados;

Há outras conclusões de cariz mais técnico, que reforçam o entendimento da necessidade de proceder a ajustamentos e melhorias e que deviam merecer das empresas e institutos de sondagens uma serena e profunda reflexão. Pelo seu teor excessivamente técnico e, nalguns casos, para mim, poucos relevantes, não pretendo fazer qualquer referência. São, igualmente, apresentadas no relatório múltiplas sugestões e propostas no sentido de melhorar a eficácia e rigor das sondagens, que me parecem de ponderar.

Infelizmente, o meu entendimento sobre o tema, é que este relatório, seguramente bem feito, pertinente, válido e muito meritório, não traz nenhuma novidade extrema, surpreendente, confirmando, sobretudo, o que há muitos anos é dito sobre as sondagens.

Pelo que, como em tantas outras matérias neste nosso país particular, não vislumbro, se ficarmos apenas por um "relatório", grandes melhorias. Não só porque não terá carácter vinculativo, como as empresas não vão seguir grande parte das recomendações apresentadas com os mais variados e seguramente bem fundamentados argumentos técnicos. Falta de recursos, controvérsia das propostas, dificuldade de implementação das mesmas, divergências de fundo, vão ser invocados.

O meu pessimismo em relação ao tema advém de há anos se apontarem certos erros e nada de muito significativo ter sido feito de forma a evitar esses erros. Como se voltou a verificar nas recentes eleições europeias e depois nas autárquicas em Lisboa, em que mais uma vez se verificou uma subavaliação dos resultados do CDS e, em parte, do PSD, e sobreavaliação do PS e do BE. Quadro que se repete mais vezes do que seria desejável.

E daqui a 4 anos, estaremos novamente a discutir os mesmos temas. E a serem apresentados os mesmos argumentos de parte a parte.

Há semanas, numa entrevista ao Sol, o responsável pela Eurosondagem, o conhecido sportinguista, socialista e ex-sindicalista, Rui Oiveira e Costa, assumia com a maior tranquilidade e, até, em tom de brincadeira, que as sondagens erram regularmente as previsões do CDS. Como se não houvesse nada a mudar, a corrigir. Um facto consumado. Azar... E o exemplo da Eurosondagem podia replicar-se para outros institutos.

Receio, assim, que este relatório, só por si, seja insuficiente para operar uma verdadeira mudança nos métodos, no rigor e na qualidade de muitas das sondagens feitas em Portugal.

Em meu entender, a forma de melhorar a situação, secundando o relatório nalguns aspectos, passaria essencialmente por:
  1. regulamentar melhor a matéria do ponto de vista legislativo, nomeadamente, em relação à forma de divulgação;
  2. auditar as empresas de sondagens com mais frequência, isenção e rigor, através de uma entidade de supervisão com poderes reforçados, nomeadamente, sancionatórios;
  3. mas, sobretudo, mais estudo, investigação e capacitação das empresas de sondagens, para perceberem de uma vez por todas porque cometem recorrente os mesmos erros, maxime porque subestimam o CDS e não subestimam o BE com a mesma frequência e grau.
O resto terá seguramente muito interesse para os estudiosos do meio académico e político, mas não terá verdadeiramente efeitos práticos significativos.
Estude-se, mas melhore-se e corrija-se de uma vez por todas o que for preciso para evitar erros e falhas recorrentes. Isso sim.

New York, I love you

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New york I love you, um filme sensível, encantador, divertido, com uma excelente banda sonora, mostrando com extremo bom gosto e originalidade a diversidade cultural e étnica de Nova York.

composto de vários episódios, curtos, interligados, sem divisão entre eles, sem títulos, identificação de realizadores ou actores. tudo muito fluido, natural, bem contado.

um dos mais bonitos foi escrito por Anthony Minghella a quem todo o filme é dedicado. é com a lindíssima Julie Christie, John Hurt e um estranho Shia Le Boeuf. o realizador é Shekhar Kapur, dos dois Elizabeth.

a não perder, sobre o amor e a sedução na mais fascinante cidade do mundo.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Intervenção


diferente a partir de agora no Viver na Alta de Lisboa, um movimento cívico com intervenção a nível cultural, social e urbano numa parte de Lisboa que me diz muito.
Vai ser mais uma visão de um projecto fascinante. Mais uma forma de tentar contribuir para o seu desenvolvimento. Porque há muitas formas de intervir na sociedade, quando se quer.


Há qualquer coisa de errado nisto tudo


Pedro Lapa dirigiu o Museu do Chiado, desde 1998. Foi agora preterido num concurso público e foi substituído. Houve quem não gostasse e pusesse a circular uma Petição.

Pessoalmente considero que Pedro Lapa tem inequívocos méritos, mas utilizou em demasia o Museu do Chiado para uma projecção muito pessoal que lhe trouxe oportunidades legitimas, mas nalguns casos incompatíveis juridicamente com as funções públicas que exercia, como foi o caso da sua colaboração como curador/consultor da Fundação Elipse pertencente ao Banco até há pouco dirigido por João Rendeiro. Não obstante esse aspecto, que não é despiciendo, fez o que pôde no Museu do Chiado, tendo em conta os recursos disponíveis, e fez diversas exposições, ao longo destes 11 anos, de inegável interesse e qualidade.

Haverá certamente razões fortes por parte de pessoas que assinaram a petição. Mas estas são as regras que há muito se defendia deverem existir em lugares administrativos de natureza pública, incluindo a área da cultura. Não faz nenhum sentido defender-se a regra do concurso público e depois, afinal, nalguns casos, e só nuns, quererem-se excepções ou regras diferentes. Não percebo muito bem como foi possível haver um melhor candidato ao lugar do que Pedro Lapa, nem sequer sou defensor da regra do concurso publico para lugares deste tipo, mas é a lei que existe. E por isso é para cumprir. Sem excepção. A não ser que se queira dizer através da petição que o concurso não foi transparente, o que seria completamente diferente.

A contrastar com esta movimentação, verificou-se até agora um enorme silêncio em relação à decisão da não recondução a título definitivo, de Dalida Rodrigues (que por sinal até assinou a petição a favor de Pedro Lapa...) na direcção do excelente museu dedicado à obra de Paula Rego - a Casa das Histórias.

Dalila Rodrigues já tinha dirigido, com a competência conhecida, o Museu Nacional de Arte Antiga, de que foi polemicamente afastada. Política é política. Coerência é coerência. Respeito é respeito. Solidariedade é solidariedade. Regras são regras. Sejam quais forem as pessoas. E, não havendo nenhum motivo evidente para o afastamento de Dalila Rodrigues, esta decisão, no mínimo, precipitada e surpreendente, deve merecer também contestação, mas, sobretudo, preocupação.

Há qualquer coisa de errado nisto tudo. Nas duas situações. Num País, que não tem assim tantas pessoas com capacidade, iniciativa e talento para dirigir um museu público ou privado, não dá para entender este desperdiçar de talento. Esta tendência que não conseguimos perder de não aproveitarmos os recursos que temos e preferirmos quem não se diferencia pela positiva. Por pequenez, hesitação, inveja, atraso, medo, excesso de regras, excesso de leis. Nem a globalização nos conseguiu mudar. Não teremos emenda?

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

O Farta Brutos

(foto de E. Rocha)

Almoço no excelente O Farta Brutos em pleno Bairro Alto, sujo e cheio de graffitis.
O restaurante, esse, continua tranquilo, acolhedor, com serviço afável, fazendo-nos sentir em casa. A sala é pequena, agradável, com fotografias de clientes nas paredes.
A comida é óptima. Desde as entradas (fantásticas sardinhas de escabeche e delicioso queijo no forno, menos conseguidas as beringelas fritas), aos pratos principais (saborosos filetes de polvo com arroz de tomate malandrinho e divinal perna de galo em vinho tinto), sem esquecer as sobremesas (maravilhosas as pêras em vinho tinto e o leite creme, no ponto). Sugestiva a ideia de deixar os doces na mesa para nos servirmos.
As doses são bastante generosas, o que continua a justificar o espírito que deu origem ao nome.
A garrafeira é o único aspecto menos positivo, é pouco inovadora e com preços elevados. Por isso, a escolha foi o sempre seguro Esteva.
Há anos que não ia ao Farta Brutos e este regresso, por sugestão amiga e cúmplice, faz antever novas visitas a muito curto prazo. Há muito para descobrir.

domingo, 1 de Novembro de 2009

ao António Sérgio


sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

special

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Portugal e o Mundo nos séc. XVI e XVII



"Encompassing The Globe, Portugal e o Mundo nos séc. XVI e XVII" é um olhar impressionante sobre o império comercial que os Portugueses construíram do Brasil a África e ao Japão, um império que pôs ao alcance da Renascença uma variedade imensa de conhecimentos, que desencadeou o expansionismo europeu e que deu início à integração do mundo moderno.

Esta magnifica exposição, patente até domingo, mostra Portugal como pioneiro absoluto da globalização de conhecimentos, mostra as notáveis viagens de exploração dos portugueses, o império comercial único por eles criado, bem como as consequências determinantes dos contactos estabelecidos com as terras e os povos recém encontrados.

Ao ligar a Europa ao resto do mundo por via marítima, os portugueses revolucionaram a permuta internacional de bens e de informação, criando uma estrutura que permaneceria activa durante centenas de anos. Tudo isso se sente ao atravessar as salas do Museu Nacional de Arte Antiga com esta produção da Smithsonian Institution.

Lisboa é mostrada, através de um olhar não português, como a grande porta para o Mundo, lugar de chegada das mais exóticas mercadorias, conhecimentos e gentes que, circulando pela Europa, alteraram os hábitos do quotidiano e do pensamento, científico e filosófico.

Em tempo de crise, sentimos a força e o génio dos portugueses, dos séculos XVI e XVII, em vencer obstáculos e inventar Mundos. E sentimos um orgulho imenso.

A exposição é inesquecível e foi descoberta, em excelente companhia, numa agradável e estimulante visita guiada, nesta quinta-feira à noite, com o museu cheio de gente.

De repente, Portugal era diferente.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Cumplicidade


Marcello Mastroianni e Anna Karina em O estrangeiro (Lo straniero) de Luchino Visconti

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

45 minutos depois

gazpacho-andaluz_3S.jpg

Num dia preenchido que terminou tarde, um gaspacho e umas almôndegas de salmão foram o nosso jantar.
Coloquei um quilo de tomates maduros, um dente de alho, meio (devia ser um, mas...) pimento verde, um "chorrito" de azeite, outro de vinagre balsâmico, uns pedaços de pão caseiro, sal e pimenta tudo num recipiente, triturei muito bem e adicionei água gelada. Servi com pepino picado, uns pedaços de tomate e de pão.

Com as sobras do salmão grelhado de ontem, preparei meia dúzia de almôndegas. Misturei o peixe, com um colher de sobremesa de mostarda de dijon, 2 chalotes cortadas, salsa picada e farinha de pão, que fiz na hora na 1,2,3 com pão duro. Enrolei as almôndegas e assei-as no forno durante uns 15 minutos, enquanto saboreávamos o gaspacho.

Acompanhámos com um Antão Vaz da Herdade da Malhadinha Nova, um branco de cor amarela intensa e aroma elegante a pêra, melão, maça e abacaxi.
45 minutos depois de ter começado a fazer o gaspacho, terminámos com meia papaia e umas bolachinhas com doce de abóbora.

Bibliotecas


Há dias, na RTP, ouvi o Prof. Alexandre Quintanilha referir, numa excelente entrevista, que há cada vez menos bibliotecas novas, modernas, apetrechadas, adquirindo com regularidade livros. Citou o caso da biblioteca de Oeiras, como uma excepção, num panorama cada vez mais negro.

Criar condições efectivas que façam aumentar os índices de leitura é um desígnio de qualquer governo. Um país revela muito do que é através do nível de instrução que a sua população tem.

E o nosso continua a ser, muito baixo, tanto mais que algumas medidas tomadas nos últimos anos são mais propagandistas (como o Magalhães) do que verdadeiramente estruturais.

(Fotografias de Anja Schlamann)

Existem condições únicas, pelo perfil, percurso e sensibilidade evidentes das protagonistas, para as novas titulares das pastas da Educação e da Cultura, em conjunto, contrariarem este paradigma e criarem novas bibliotecas, como lugares privilegiados de encontro de jovens e igualmente de mais idosos.

A apetência pela leitura não tem idade e é seguramente muito estimulante existirem locais aprazíveis, inovadores e modernos onde se possa ler e con.viver.

Esta biblioteca exterior, muito original em Magdeburg, na Alemanha, ilustra bem como é possível criar locais desses, sem grandes custos, num país de clima único na Europa como o nosso.


segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Cléo de 5 à 7

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"Cléo de 5 à 7" é um filme de Agnès Varda, muito urbano, muito "nouvelle vague", com uma estética fantástica, uma óptima fotografia e uma narrativa aliciante sobre uma mulher, sobre Paris, sobre a vida, sobre a morte, sobre o medo.

Começa com uma cena numa cartomante, onde Cléo é confrontada com a morte, ameaça que a vai perseguir durante todo filme enquanto, aguardando o resultado de um exame médico, vagueia por Paris.

Os minutos do filme correspondem a minutos na vida de Cléo. Durante os quais, a angustia, o medo da morte, do sofrimento, vão obrigar Cléo a sair do seu mundo fechado, egocêntrico, e tomar consciência dos outros, da beleza da vida e de uma realidade até então desconhecida.

domingo, 25 de Outubro de 2009

será possível?


A grande maioria dos ministros do Governo, que amanhã toma posse, tem a sua mais relevante experiência profissional na política, no funcionalismo público e nas universidades.

Não há profissionais liberais ou quadros empresariais, habituados a definir objectivos e a lutar por eles, com poder de decisão independentemente de pareceres e de consultores, com capacidade de estabelecer as rupturas necessárias, insensíveis às burocracias estabelecidas.

Há cinco mulheres e poucos ministros (ou nenhum..) têm menos de 50 anos.

Serão estes os ministros que procurarão contrariar a mais relevante característica do nosso País no que respeita às respostas políticas a dar aos problemas que enfrenta e que é a ingrata impressão de que as medidas que os políticos tomam são mais paliativos perante as necessidades, do que o resultado de uma reflexão estratégica sobre a realidade dos acontecimentos e os seus mecanismos e em consequência uma actuação que estruturalmente modifique o País.

A sensação que se tem é que não são as agendas políticas a comandar os factos, são os factos que estão a desenhar o percurso possível. Perante esta amarga realidade, os políticos actuam como meros gestores da circunstância, a quem cabe tentar dar remédio a uma "doença" que é sabido ser estruturalmente profunda.

O que mais contará no próximo Governo será a postura face às sequelas da crise num quadro de vulnerabilidade estrutural da nossa economia. De nada adiantará continuar a fingir que não se vê, que não se compreende, que não se sabe. É indispensável e urgente estabelecer uma atitude fundamentada de procurar e encontrar verdadeiras soluções para os problemas.

Portugal tem um sistema económico sem vitalidade, com um peso excessivo do Estado na economia e na sociedade, e uma dependência crescente da sociedade em relação ao poder do Estado. E poucos quadros médios e superiores qualificados, independentes, corajosos, dinâmicos.

Numa sociedade muito marcada pelo imediatismo, pelo improviso e pela generalização, seria bom que, por uma vez, alguma coisa de verdadeiramente mais fundo acontecesse e se afirmasse ao longo do tempo.

E nesse sentido, a melhor estratégia será ter uma visão projectada para o futuro, com dinamismo próprio, necessariamente ajustável ao andamento da realidade e que se concretize de verdade e, concretizando-se, que se afirme e que se mantenha como tema vivo ao longo de várias décadas.

Portugal, para sair da crise e aproveitar a retoma económica quando ela surgir, deve investir na redução do endividamento, no aumento da produtividade, numa política económica estrutural assente no incremento das exportações, em conjunto com a aposta em investimento público selectivo, em investimento maciço na formação, na educação científica e tecnológica em estreita articulação com a Cultura, no turismo, no ambiente e numa verdadeira e moderna política das cidades. E imprescindível será, de uma vez por todas, reduzir os funcionários da Administração Pública para se reduzir a despesa, valorizar social e financeiramente os empreendedores e os empresários, e estabelecer uma sincera consciência de classe e de responsabilidade por parte dos empresários.

será possível?

Vamos ver... Vamos ver se o próximo Governo, com as escolhas indiscutivelmente hábeis e, em geral, competentes, de José Sócrates, a colaboração essencial de uma oposição exigente, responsável, pro-activa e dinâmica, e de um Presidente da República sensato e equilibrado, consegue que o nosso País esteja melhor daqui a 4 anos, preparando-se para o futuro das próximas gerações.

Cada um de nós, à sua medida, no papel que desempenha na sociedade, tem a obrigação de contribuir para esse objectivo comum.

...



(clicar na foto para aumentar)


Martirio di sant'Ágata, Florença, Palazzo Pitti, 1520

sábado, 24 de Outubro de 2009

O jardim e a noite


Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua,
Ó grande noite solitária e sonhadora.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Sorri à sombra tremendo de medo.
De joelhos na terra abri o repuxo,
E os meus gestos dessa encantação,
Que devia acordar do seu inquieto sono
A terra negra canteiros
E os meus sonhos sepultados
Vivos e inteiros.

Mas sob o peso dos narcisos floridos
Calou-se a terra,
E sob o peso dos frutos ressequidos
Do presente,
Calaram-se os meus sonhos perdidos.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Enquanto subia e caía a água do repuxo,
Murmurei as palavras em que outrora
Para mim sempre existia
O gesto dum impulso.

Palavras que eu despi da sua literatura,
Para lhes dar a sua forma primitiva e pura,
De fórmulas de magia.

Docemente a sonhar entra a folhagem
A noite solitária e pura
Continuou distante e inatingível
Sem me deixar penetrar no seu segredo
E eu senti quebrar-se, cair desfeita,
A minha ânsia carregada de impossível,
Contra a sua harmonia perfeita.

Tomei nas minhas mãos a sombra escura
E embalei o silêncio nos meus ombros.
Tudo em minha volta estava vivo
Mas nada pôde acordar dos seus escombros
O meu grande êxtase perdido.

Só o vento passou e quente
E à tua volta todo o jardim cantou
E a água do tanque tremendo
Se maravilhou
Em círculos, longamente.


Sophia de Mello Breyner Andresen, “Cem poemas de Sophia


sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Guimarães Jazz

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fantásticos posters do próximo Guimarães Jazz


programação excelente que inclui, entre outros, Branford Marsalis


óptimo pretexto para redescobrir Guimarães

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

já há governo


com 8 estreias, António Serrano (Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas), António Mendonça (Obras Públicas, Transportes e Comunicações), Dulce Pássaro (Ambiente e Ordenamento do Território), Helena André (Trabalho e da Solidariedade Social), Isabel Alçada (Educação), Alberto Martins (Justiça), Jorge Lacão (Assuntos Parlamentares) e Gabriela Canavilhas (Cultura).

6 permanências nas mesmas pastas, Luís Amado (Negócios Estrangeiros), Teixeira dos Santos (Estado e Finanças), Pedro Silva Pereira (Presidência), Rui Pereira (Administração Interna), Ana Jorge (Saúde) e Mariano Gago (Ciência, Tecnologia e Ensino Superior).

e 2 mudanças de pastas, Vieira da Silva (Economia), Santos Silva (Defesa) .

enfim, saem os previsíveis, mantém-se o núcleo duro do PM e entram algumas boas apostas, como Isabel Alçada e Alberto Martins. a pior opção parece ser a de Jorge Lacão.

um Governo menos político e mais técnico que o de há 4 anos.
ao todo, 5 mulheres.

Cosimo I de Médici


Italian nobleman holding a gold watch


Desde que foi adquirida há mais de 30 anos, esta pintura tem sido considerada apenas uma representação de um nobre italiano que segura um relógio de ouro. Mas, depois de nele ter sido descoberto um símbolo dos Médici, os directores do Science Museum de Londres afirmam que afinal pode ser um retrato de Cosimo I de' Medici, Duque de Florença e Grão-Duque da Toscana (1519-1574) e constituir a pintura mais antiga em que aparece um relógio verdadeiro, dotado de um dispositivo de alarme.


Cosimo foi um grande mecenas, um apaixonado pela ciência, pela cultura e pela técnica. Responsável, nomeadamente, pela construção em Florença das famosas Galleria degli Uffizi. Um verdadeiro Médici. Que seguramente, gostaria de ser retratado de forma inovadora que simbolizasse o seu poder e a sua magnitude. E nada melhor do que de relógio na mão.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

una furtiva lagrima





Les images d'une vie


esta é uma das memoráveis fotografias de Gary Grant incluída neste livro que espero me ofereçam no próximo Natal.

Food Party



Original Food Party no âmbito do Congresso Nacional dos Profissionais de Cozinha. Possibilidade única de nos deliciarmos com as criações gastronómicas invulgares de Miguel Castro e Silva, Fausto Airoldi e Paulo Morais desta vez aliadas à música da Dj Miss Blondie. Um original jantar degustação gourmet de inspiração rave, no Zeno Lounge, do Casino Estoril.

Começámos com uns maki sushi - rolos de sushi mistos de PM, um óptimo tártaro de carapau com gengibre de MCS, e uma espuma de batata com bochechas de porco estufadas em vinho tinto, de FA.

Como prato principal, usufruímos de uma garoupa sobre xerêm de arroz com camarão e coentros, de FA, um perfeito pão naan com chutney de manga e cebola roxa, de PM e um divinal cachaço de porco com ensopado de grão, de MCS.

Terminámos com uma mousse de café com chocolate e espuma de bolacha Maria, de FA, um brownie de frutos secos com gelado gengibre, de PM com um arroz doce e um delicioso sorvete de maçã verde Icegourmet, de MCS.

Noite animada, cúmplice, em excelente companhia, num jantar diferente, de qualidade superior, com um conceito original. Óptima noite.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Marketing


Poder-se-ia dizer que o que
Saramago diz sobre a
Bíblia é pura cegueira.

Afinal, houve tempos em que Saramago nos propunha um “Mundo Melhor” assente na luta de classes, nas liberdades, na igualdade. Mas depois da evidente impossibilidade desse mundo existir no caminho proposto, o nobel escritor deixou de falar nisso. Claro que em nome desse ideal, derrubou ferozmente e sem remorso, quem não quis seguir o mesmo caminho.

Depois, desiludido com a pequenez do nosso país, resolveu emigrar e ir viver para uma ilha infernal, onde só de lá aparece para umas tiradas polémicas e propagandistas.

Recentemente, ao fim de tanto tempo, acabou por renegar os ideais comunistas e juntou-se na frente anti-Santana, apoiando António Costa para a Câmara de Lisboa, depois de receber dessa mesma Câmara, a Casa dos Bicos para sediar a sua agora já mais burguesa fundação.

Saramago vive isolado no meio do mar, rodeado dos fantasmas que criou, cercado pelo passado que ruiu. E, intencionalmente, finge não saber o que é a
Bíblia.

A Bíblia não pretende ser um programa ideológico, nem um guia para a vida prática, nem sequer um manifesto para a mudança do mundo. Não se pode olhar a Bíblia como gostaríamos que fosse, mas como uma forma de, com os exemplos passados, podermos no presente ser melhores.

Saramago faz uma análise tendenciosa e tortuosa da Bíblia. Sendo uma obra que abarca um período de mais de mil anos, tem vários estilos de escrita, diversos tons, variados temas, conforme o período e as circunstâncias históricas em que foram escritos. Muitas das narrativas da Bíblia continuam a expressar muitas das nossas ideias e as parábolas dos Evangelhos, continuam a ser poderosas alegorias que o tempo não destrói, sendo usadas por todos, crentes e ateus.

Pode existir melhor código de boa conduta, mesmo para não crentes, que "Os Dez Mandamentos"?

Saramago pretende apenas barulho, controvérsia, polémica e mais livros vendidos. É puro marketing de guerrilha.

Não vale a pena perder mais tempo.

posso estar enganado,





segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Descobrir

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cristiana couceiro

Cristiana Couceiro


domingo, 18 de Outubro de 2009

Maria Mansa


O Maria Mansa tinto 2003 é vinificado na Quinta do Noval, Pinhão, no Douro. Predominam na sua constituição a Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca. Tem um aroma intenso a fruta madura e especiarias, na boca é macio, fresco e muito suave, com acidez equilibrada. O final é discreto. É um vinho que revela tudo o que a idade tem de bom.
Vai melhor com comida puxada. Foi um sonho a acompanhar um fondue excelente em perfeita companhia. Uma óptima opção, conhecedora, do A. de Castro. A a um preço imbatível de 5 euros no El Corte Inglês.


Leis




sábado, 17 de Outubro de 2009

a registar com gosto e para acompanhar os próximos desenvolvimentos






eu sei que não é assim tão importante, mas


ou é impressão minha ou, passada praticamente uma semana, os responsáveis pelas sondagens que, em Lisboa, deram mais do dobro à diferença que efectivamente se veio a verificar entre PS e PSD+CDS-PP, que subestimaram sempre Santana e que também indicaram sempre praticamente o dobro ao BE do que veio a obter nas urnas, ainda não se retrataram ou tentaram explicar porque terá acontecido tão inesperado volte-face?

é que a discussão sobre as "alegadas" subestimações do CDS e de Santana e a "alegada" sobrestimação do BE, é recorrente.

interessará pouco saber quem beneficiou com essas sondagens e se beneficiou efectivamente. e muito menos interessará falar em termos genéricos metendo todos os estudos no mesmo saco, o que seria injusto. e igualmente não interessará muito saber se a
média dos desvios absolutos médios foi, ou não, menor.

mas quem errou, da forma como errou, não deveria ponderar porque razão isso aconteceu e porque é que a discussão é sempre a mesma?

melhor, não deveria, ao invés de explicações complexas e pouco produtivas, apresentar um reconhecimento público do erro? e, sobretudo, não deveria fazer tudo, mas tudo, para procurar perceber porque acontecem com mais frequência do que seria desejável exactamente aquelas alegadas e nunca provadas subestimações e sobrestimações?

sinceramente, penso que sim. criticas haverá sempre. sobretudo dos partidos subestimados. mas diferenças tão significativas, justificam uma reflexão. serenamente. por quem tem de a fazer.


sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

...



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vida eterna


Dizem ser o herdeiro directo do Elixir da Longa Vida. A sua receita terá por base um manuscrito anónimo de 1605 confiado aos monges cartuxos de Paris pelo Marechal d'Estrées. Há o verde, mais famoso, e o amarelo, feitos com 130 plantas que proporcionam incomparáveis sabores em que predominam aromas mentolados e de açafrão e canela únicos.
Um segredo bem guardado pelos monges da Grande Chartreuse próximo de Grenoble nos Alpes franceses. Para se beberem puros. Como digestivos. Para a vida eterna.
Acabei de beber um...


quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Para além de um record



... isto é que a política da verdade...?

Este país não é (só...) para velhos


As notícias sobre a natalidade registada este ano em Portugal e as perspectivas para os anos mais próximos são preocupantes.

As notícias não são novas. E também não é novidade que não estamos verdadeiramente a levar o problema a sério. O problema da natalidade está ao nível de outros problemas estruturais que vamos deixando arrastar e que teimamos em não resolver.

A crise da natalidade fez-se notar com o desenvolvimento económico, induzida por alterações importantes no funcionamento das economias e na organização das sociedades e pela mudança de papéis na família, de comportamentos e de valores que marcam a vida das novas gerações. Se acrescentarmos a esta realidade as dificuldades económicas que estamos a atravessar em Portugal, compreendemos que as pessoas “cortem” em ter filhos.

Às dificuldades económicas, junta-se a falta de expectativas positivas quanto à evolução do futuro da economia e o medo de que a situação se prolongue. E, ainda, a ausência de políticas de natalidade duradouras.

Esta é uma daquelas áreas que necessita de uma discussão envolvendo toda a sociedade. Não se trata de uma “reforma” que se discute na concertação social como se o assunto fosse exclusivo de um governo e dos parceiros sociais. É um assunto que diz respeito a todos, que interessa a todos!

Dirão alguns que não vale a pena porque é o preço do desenvolvimento ou que não há nada a fazer porque mudaram as mentalidades. Não é. Há muito a fazer.

Recorrentemente são anunciadas pelos governos medidas “natalícias”, mas que verdadeiramente não o são, antes integrando as políticas sociais.

Mas continua a faltar uma verdadeira política de natalidade virada para questões como a repartição do tempo entre a família e o trabalho, como a compatibilização entre a maternidade e a carreira profissional, como as opções de escolha dos pais no tipo de acompanhamento a dar aos filhos nos primeiros anos de vida, como o acesso facilitado aos infantários, às creches e às escolas e aos cuidados de saúde ou como o acesso a novas formas de trabalho, nomeadamente, com flexibilidade de horários.

O tema da natalidade justifica uma discussão alargada envolvendo toda a sociedade. É um daqueles temas em que a nossa sociedade necessita de assumir determinadas opções, muitas delas com impactos em importantes domínios como a organização da vida familiar e a organização do trabalho. E o país está a envelhecer, a não se regenerar, a não crescer, e nada fazemos.

No começo de uma nova legislatura, de um novo ciclo político, realça-se a esperança de ver o assunto debatido e concretizadas medidas que ajudem a aumentar a natalidade, pensando assim no nosso futuro.

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Dexter

genérico fantástico de uma série macabra, irónica, subtil.

China at 60 - No More Excuses for Growing Rich-Poor Gap

A hot air balloon helped locals in Wuhan celebrate the 60th anniversary of the founding of the People's Republic of China.

"China has grown sixteenfold since reforms began. But in the absence of effective institutions that restrain the discretionary powers of CCP officials and render them accountable for their actions, it is the state and the CCP that grows stronger rather than the Chinese people and civil society". John Lee (foreign policy fellow at the Center for Independent Studies in Sydney, Australia, visiting fellow at the Hudson Institute in Washington, D.C and author of Will China Fail? (CIS, 2009).



Curioso este artigo
na Der Spiegel, no qual se aborda a evolução recente da China e a distorção que se verifica no seu sistema.

Alguns exemplos dessa distorção referidos no artigo são:

1) O número de autoridades no PCC passou de 20 milhões para 40 milhões desde o massacre da Praça Tiananmen, o que demonstra a intenção do partido em ampliar seu controle sobre a sociedade.

2) Desde 1989, três quartos de todo o capital chinês foi canalizado para empreendimentos controlados pelo Estado.

3) Apenas 50 das 1.400 empresas na Bolsa chinesa são privadas.

4) Menos de 50 dos 1.000 chineses mais ricos não são ligados ao Partido Comunista.

5) Cerca de 1 bilião de pessoas está fora do sistema corporativo estatal, o que significa que essa população não participa no crescimento económico.

6) A renda de 400 milhões de pessoas diminuiu nos últimos dez anos.

7) A pobreza absoluta duplicou desde o ano 2000.

8) A corrupção consome por ano 2% do PIB chinês.

9) Desde os anos 90, cerca de 40 milhões de chineses perderam as suas terras por causa da acção das autoridades chinesas.

É um retrato assustador. Eventualmente pessoal. Mas, de certo, que merece reflexão. O tema é delicado. O presidente americano tem mostrado particular cuidado na abordagem do tema China. Mas o futuro da economia global passa por este país, complexo, com um sistema político muito particular, com grandes especificidades, com uma população gigantesca, com uma capacidade de trabalho imensa e um espírito de união familiar e de sacrifício ímpares.

Mas a estrutura política existente e o domínio ainda feroz do PCC impede que a democracia crie raízes e se fortaleçam as instituições, pois isso significa a perda de imensos privilégios, que tardam em desaparecer.

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

central de qualidade


como é que só agora é que se sabe isto ?... (afinal parece ser assim...)

será mera coincidência saber-se apenas depois das eleições legislativas e autárquicas, quando durante os últimos meses todos ouvimos falar em possíveis soluções para a Qimonda ?

era um grupo russo, era um chinês, eram soluções patrocinadas pelo Estado... era um novo plano de recuperação da empresa que previa a possibilidade de transformação de créditos em capital, uma nova denominação da companhia e a criação de uma nova marca...

será que não há nenhum ministro da economia que encontre uma solução? será que não há solução para uma das empresas de maior relevo do país? será que só a famosa central de comunicações é que funciona?


...não tem, obviamente, nada a ver, mas...

no último domingo à noite, José Sócrates, pareceu dizer o contrário, mas o maior número de mandatos, somando vereadores e eleitos para as assembleias municipais e de freguesia pertenceu ao PSD e António Costa também pareceu dizer o contrário, mas o PSD continua a ter em Lisboa mais freguesias do que o PS.

a não perder vizinhos



No próximo sábado, dia 17, às 18h, no Cinema Londres será exibido o documentário “Vizinhos”, de Tiago Figueiredo, sobre as origens da Musgueira, transformação na Alta de Lisboa e desafios decorrentes. O filme está incluído na programação do doclisboa, o maior e mais importante festival de cinema documental português.

AQUI pode ser vista a sinopse e mais informação sobre este documentário a não perder

O Bairro da Musgueira nasceu nos anos 60 num antigo olival, para os lados do Lumiar, em Lisboa. Nasceu na lama, sem água, luz ou esgotos, e foi feito à mão pelos desalojados da ponte Salazar, do aeroporto da Portela, das cheias de 67, e de outros locais errados onde deixou de ser possível viver. Era um bairro provisório, mas o tempo foi passando e os habitantes da Musgueira foram melhorando as casas de madeira e chapa de zinco até muitas se tornarem de pedra e cal.


Nos anos 90, disseram-lhes que tinham de sair dali. Deixariam de morar em casas térreas para passar a viver em prédios de oito andares. De repente, a população da Musgueira viu o bairro desaparecer à frente das retroescavadoras. Era a “nova cidade” que aí chegava. Era a aposta na integração social, misturando casas de realojamento e apartamentos para classe média/alta. A velha Musgueira deu lugar à Alta de Lisboa.

Foram mudanças radicais na vida de todos. À saudade da vida de rua que perderam, juntou-se toda uma nova gama de dificuldades. Entretanto vão chegando novos moradores, vizinhos improváveis, que partilham as mesmas ruas. Mas será que morar no mesmo bairro faz destas pessoas verdadeiros vizinhos?

Orson Welles turns away from the light

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segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

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por Carrilho da Graça

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Il divo



A vida de Giulio Andreotti, o político italiano mais carismático da segunda metade do século XX, eleito sete vezes primeiro-ministro, é contada com um misto de admiração e horror neste filme ousado e corajoso de Paolo Sorrentino, que recebeu o Prémio do Júri em Cannes.

A pouca estatura física de Andreotti, interpretado magistralmente por Toni Servillo, esconde um homem de uma inteligência brilhante, de enorme capacidade política, de fortes convicções, capaz de usar todos (todos...) os meios para atingir os seus fins.

Depois de inúmeras batalhas judicias, Andreotti consegue sair impune das acusações de ligações à Máfia e é hoje Senador Vitalício de Itália, mas o filme mostra todos as suas responsabilidades políticas na morte de dezenas de pessoas e principalmente na de Aldo Moro, raptado e executado pelas Brigadas Vermelhas, sem que o governo de Andreotti tenha feito qualquer esforço para o libertar, e aborda ainda as suas ligações à Cosa Nostra.

Andreotti surge no filme em diversas imagens muito elaboradas do ponto de vista plástico, em que predomina o vermelho, lembrando-nos sempre que ele é o tema do filme, o objecto analisado, Il divo. A banda sonora é excelente, muito adequada e plena de humor, reforçando este tipo muito particular de ambição política.

Algumas notas (muito) pessoais

Algumas notas em relação às eleições autárquicas de ontem:

- PS vence eleições, pois tem mais votos.
- PSD mantém-se com o maior número de Câmaras, mas menos.
- 52 câmaras mudam de cor política.
- António Costa é o grande vencedor individual das eleições. Maioria na Câmara e na Assembleia Municipal.
- Pedro Santana Lopes faz o melhor discurso da noite e perde por 16.000 votos para a Câmara Municipal.
- Face às legislativas, onde a soma dos partidos que compunham a coligação Lisboa com Sentido foi de 131.770 votos, o resultado agora obtido traduz cerca de 8 mil votos a menos.
- Em Lisboa, CDU dá indicações expressas aos seus militantes para votarem em Costa para a Câmara Municipal, facto comprovado pelas declarações de Ruben de Carvalho às oito e pouco da noite, altura em que não poderia saber da divisão entre os números das assembleias de freguesia, favoráveis a Santana e os números para a Câmara, favoráveis a Costa.
- Bloco de Esquerda tem uma pesada derrota, nomeadamente em Lisboa, em que muitos votantes se transferem para Costa.
- Abstenção em Lisboa é de 46,5%, superior à nacional que foi de 40,99%.
- Verifica-se, objectivamente, uma conjugação de forças (mais uma...) de todos contra Santana, alguma dessa conjugação foi mais formal, outra foi mais informal, do próprio eleitorado, nomeadamente do Bloco. O falado voto útil.
- Algumas sondagens voltam a enganar-se em Lisboa, de novo sobrevalorizando o Bloco e desvalorizando CDS e em particular Santana, o que significa incompetência ou partidarismo, porque os erros voltaram a ser com os mesmos partidos e intervenientes e no mesmo sentido. Valem o que valem, mas indiscutivelmente quando se apresentam diferenças sistemáticas de 12% ou mesmo 15%, quando o resultado efectivo foi de 5% (e caso não tivesse havido o factor CDU como seria...?), cria-se uma certa desmobilização e desmotivação.
- Há muito trabalho a fazer em Lisboa, pelo que será preciso um executivo dinâmico, responsável, coeso, unido, com poder de decisão, independente do poder central. E uma oposição construtiva, responsável, conhecedora, firme, presente.
- Santana devia assumir o lugar de vereador.
- Vamos ver. Os dados estão lançados. não existem desculpas para que Lisboa daqui a 4 anos não esteja mais cosmopolita, mais limpa, moderna, competitiva, culturalmente estimulante e socialmente mais equilibrada.

domingo, 11 de Outubro de 2009

a casa

10h43.11.10.2009.lisboa

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Apoio social

Cuba está lentamente a transformar-se, o que faz com que seja mais fácil acabar com o seu isolamento nalguns aspectos. Aqui e ali surgem algumas novidades. Uma das marcas de Cuba sempre foi a alimentação gratuita.

Mas agora o governo cubano começa a desmontar a imensa estrutura paternalista que tem ao longo de décadas garantido tudo subsidiado para os trabalhadores. A razão é mais ou menos evidente: a economia não aguenta mais.

A alimentação gratuita será assim um dos primeiros pontos a ser modificado – os funcionários passarão a receber um reforço no salário em vez do fornecimento. Além disso, a famosa “libreta de racionamiento”, instrumento para racionar alimentos e produtos de consumo em larga escala, usado desde 1962, também será abandonada. Só os mais necessitados continuarão a ter direito a ela.

É preciso eliminar os gastos que são simplesmente insustentáveis, que têm crescido ano a ano e que, além disso, estão fazendo com que as pessoas sintam que não têm necessidade de trabalhar”, defende Raúl Castro.

Tenho-me interrogado em relação aos resultados do nosso rendimento social de inserção. Tenho ideia que existe muita gente ainda que se aproveita do apoio do Estado, não trabalhando e preferindo receber o apoio, muitas vezes complementando um biscate paralelo fora do sistema. Prejudica-se assim a medida e muitas pessoas que necessitando verdadeiramente acabam por não receber.

Não sou contra a existência de um apoio deste tipo para quem verdadeiramente precisa. Mas ouço tantos idosos que dizem viver com reformas indignas e vejo tantas pessoas com força e possibilidade de trabalhar recebendo o rendimento social de inserção que me pergunto se a medida é positiva. Provavelmente haverá uma distorção, eventualmente falta de fiscalização ou indevida atribuição, mas que há qualquer coisa errada há. E sobretudo parece criar uma acomodação, uma resignação, um parasitismo social que o Estado não deve fomentar.

Cada vez tenho mais dúvidas sobre este tipo de medidas do Estado, que devem ser muito excepcionais, temporárias e criteriosas. Cada vez mais sou adepto de apoios e incentivos, seja directamente, seja através da redução de impostos, a quem trabalha, a quem produz, a quem não se mantém num limbo social voluntariamente, a quem arrisca, a quem quer melhorar dentro do sistema.


sábado, 10 de Outubro de 2009

Millennium


Termino a leitura do último volume da trilogia "Millennium", do sueco Stieg Larsson, "A Rainha no Palácio das Correntes de Ar" (depois de "Os Homens que Odeiam as Mulheres", já transposto - e bem - para o cinema e "A Rapariga Que Sonhava com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo").

Larsson morreu em 2004 aos cinquenta anos de ataque cardíaco fulminante sem desfrutar do êxito dos seus romances
viciantes com histórias bem contadas, que falam da sobrevivência e do perigo da morte, da corrupção e do desejo de vingar a injustiça. Com uma componente aliciante das novas tecnologias e excelentes retratos psico-sociológicos da realidade sueca, mas que são universais.

Nos seus livros há o bem e o mal. Há amor e indiferença. Vida e morte.

Divine




Cathy (Rodrigo Leão e Neil Hannon)

uma grande responsabilidade


O presidente dos EUA, Barack Obama, ganhou o Nobel da Paz de 2009 pelos seus “extraordinários esforços para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”.

Em bom rigor, e ao contrário dos outros anos, este Nobel é entregue a uma promessa, a uma intenção, a uma expectativa, e não a uma realização concreta.

Não há nada nos curtos nove meses da administração Obama que se possa qualificar como um feito diplomático definitivo. Há expectativas em relação a Guantanamo, em relação a Cuba, em relação à China, em relação às armas nucleares. E há, sobretudo, uma forte disposição de fazer as coisas certas, isto é, de dialogar com aqueles que, antes, com Bush, eram vistos como inimigos incontornáveis.

Nenhuma das iniciativas de Obama resultou ainda em nada, embora as perspectivas sejam razoáveis em alguns casos, como em Cuba. Sendo assim, o Nobel para Obama é mais uma responsabilidade do que um prémio.

E caso venha a ocorrer uma eventual viragem de Obama à Realpolitik – como por exemplo o aumento do número de soldados americanos no Afeganistão ou uma eventual acção contra o Irão – ela será vista como uma verdadeira traição à confiança agora nele depositada e uma imensa desilusão.

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Ainda um(a)...

Intercampus, TVI, Rádio Clube Português

PS: 40,5%
PSD/CDS-PP/MPT/PPM: 36,3%
CDU: 10,5%
BE: 6,0%
OBN: 6,6%

Mais uma sondagem... Diferente das outras... Por razões diversas.
Pode ser que se cumpra uma ideia que tenho há muitos anos de ver um executivo PSD em parceria com a CDU em Lisboa.
A cidade tinha muito a ganhar. E Ruben de Carvalho dava um óptimo Vereador da Cultura. Que aliás já trabalhou com PSL na Lisboa 94.
Seria uma experiência inédita que pode ser uma realidade se PSL ganhar e tiver apenas mais um Vereador que AC. Por seu lado, se for AC, qualquer acordo com Ruben ou Fazenda será praticamente impossível, se nem para vencer PSL isso foi possível.
Pode ser que experimentemos uma nova parceria que seria muito estimulante para Lisboa. Pode ser.
Bom dia de reflexão.

Um contra todos


Eurosondagem / Expresso, SIC, Rádio Renascença:

Costa / PS — 41,9%
Santana / PSD+CDS-PP+PPM+MPT — 36,9%
Ruben / CDU — 8,4%
Fazenda / BE — 8,0%


CESOP [Universidade Católica] / Diário de Notícias, RTP, Antena Um, Jornal de Notícias:

Costa / PS — 45,0%
Santana / PSD+CDS-PP+PPM+MPT — 33,0%
Ruben / CDU — 9,0%
Fazenda / BE — 8,0%


Marktest / Semanário Económico:

Costa / PS — 45,0%
Santana / PSD+CDS-PP+PPM+MPT — 37,9%
Ruben / CDU — 7,3%
Fazenda / BE — 5,4%


Aximage / Correio da Manhã:

Costa / PS — 43,5%
Santana / PSD+CDS-PP+PPM+MPT — 37,6%
Ruben / CDU — 6,3%
Fazenda / BE — 5,9%


Com tanta disparidade, com métodos diferentes, com amostragens variávéis, com taxas de indecisos contraditórias, com intervalos tão oscilantes, o melhor é ter calma. E sobretudo, votar. Pensar em Lisboa e no que se quer para a capital do país. Esquecer sondagens, propagandas, ataques, apoios dados e depois negados, e pensar em propostas concretas, em capacidade de trabalho, em capacidade de execução, em união, em força, para fazer de Lisboa uma cidade melhor, com mais qualidade de vida, mais cultura, melhor espaço público, melhores transportes.

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Irving Penn

Kate Moss
1996


Irving Penn, um dos gigantes da história da fotografia, morreu ontem aos 92 anos, depois de ter tido uma carreira indissociável da revista Vogue, onde questionou todas as regras da fotografia de moda.

Penn arriscou colocar os modelos em poses menos austeras, ousou dispensar os grandes aparatos de iluminação da clássica fotografia de moda, revalorizando a luz natural e a sensualidade dos seus efeitos na pele humana.

O site oficial de
Irving Penn tem apenas uma lista dos seus livros e algumas publicações relacionadas com o seu trabalho, o que diz muito sobre ele e ajuda a compreender a sua maneira de ser e a sua importância.

Hospital D. Estefânia

Hospital Dona Estefânia, desenhado pelo arquitecto A. J. Humbert (1822-77),
autor da célebre mansão campestre da família real inglesa,
Sandringham House
(clique aqui para aumentar)

O Governo pretende encerrar em 2012 o Hospital D. Estefânia, que existe há mais de 130 anos, o que significa que Lisboa deixará de ter uma unidade de saúde exclusivamente dedicada a prestar cuidados de saúde em pediatria.

As crianças do sul do País passarão, assim, a ser assistidas em conjunto com os adultos no futuro hospital de Chelas, situação claramente negativa segundo todos os especialistas em pediatria conforme se comprova neste site e neste documento).

Embora se trate de matéria da competência do Governo, o próximo presidente da Câmara Municipal de Lisboa terá uma palavra muito relevante na decisão de manter ou não um hospital pediátrico na capital do país.

Pedro Santana Lopes já disse que a “existência em Lisboa de um hospital dedicado apenas às crianças é uma decisão com sentido”.

Em relação a António Costa não sabemos expressamente o que pensa, pois até agora não se pronunciou. O que se regista com pena.

Os Estados Unidos têm 209 hospitais de pediatria, ou seja, um hospital por cada 1,4 milhões de habitantes. Em Portugal, temos 3 hospitais especializados em crianças (D. Estefânia, Porto e Coimbra), ou seja, 1,4 hospitais por cada milhão de habitantes. As crianças merecem indiscutivelmente um tratamento especial e diferenciado em matéria de saúde e Portugal deveria já ter lançado, pelo menos, mais dois hospitais de pediatria, um na região do Algarve e outro no concelho de Sintra. Em vez disso, temos a decisão de encerrar um hospital secular e particularmente emblemático: o Hospital Dona Estefânia.

Para lá instalar, o quê?

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

os números
















A propaganda tenta fazer crer que António Costa fez pouca obra porque teve de "arrumar a casa", mas os números demonstram o contrário. A verdade é que nos últimos dois anos, os principais indicadores de desempenho económico-financeiro da Câmara de Lisboa pioraram.

- Continuou a verificar-se o crescimento das despesas correntes.
- Houve uma enorme quebra no investimento realizado.
- E agravou-se o endividamento.

Vamos aos números:

No que respeita à despesa corrente da CML, esta cresceu de 417 milhões de euros (M€) em 2007 para 440M€ em 2008 (aumento de 5.6%). Entre 2001 e 2008 a taxa média de crescimento anual foi de 2.5%.

Por sua vez, os encargos com investimentos (equipamento básico, infra-estruturas de transporte, equipamentos sociais, culturais, desportivos) caíram de 126M€ em 2006, para 68M€ em 2007 e 32M€ em 2008, quando a média de investimento dos últimos oitos anos foi de 135M€.

Ou seja, a alegada contenção financeira resulta apenas de um menor investimento estrutural e não de ganhos de eficiência na máquina, cujos encargos correntes continuaram a crescer, a um ritmo aliás superior ao de anos anteriores. Por exemplo, os custos com fornecimentos e serviços externos aumentaram 8.8%, de 105M€ em 2007 para 115 M€ em 2008.

O rácio "receita corrente/despesa corrente" piorou de 124.8% em 2007 para 117.4% em 2008, uma vez que as despesas cresceram 5.6% ao mesmo tempo que as receitas caíram 0.6%.

Em relação à muito falada "gestão da dívida", foram realizados acordos de pagamento a médio prazo com fornecedores, o que permitiu gerar liquidez às entidades abrangidas, mas não se diminui verdadeiramente o passivo, apenas se reclassificando a anterior dívida a fornecedores na rubrica "outros credores". Tendo a soma destas duas componentes da dívida crescido 36%, de 2007 para 2008.

Tudo ponderado e sem subterfúgios, verifica-se que a dívida total da CML (bancos+fornecedores+outros credores), ao contrário do que se quer fazer crer, não diminuiu, tendo mesmo aumentado de 965M€ em 2007 para 1.116M€ em 2008 (o que representa uma variação de mais 151M€).

Face a este cenário e à verdade crua dos números como é possível falar-se em "casa arrumada"?

Oyule



E a cultura?

O Museu do Design e da Moda - que pode constituir um importante equipamento cultural da Baixa - abriu há uns meses com uma mostra provisória das colecções, que ficará exposta apenas mais uns dias, entrando depois em obras, apesar de ainda não ser claro qual o programa de utilização do edifício e até a sua possível divisão por várias entidades.

Uma das agora entusiastas apoiantes de António Costa, responsável pela Experimenta Design, mostrou em devido tempo vontade em ocupar uma parte do edifício, o que apesar de não fazer qualquer sentido não foi enjeitado.

A exposição que ainda pode ser vista no edifício do ex-BNU na Rua Augusta foi apenas um mero pretexto de propaganda eleitoral de António Costa que apesar de não ter tido nenhum papel na aquisição das colecções de Capelo, que como se sabe pertenceu a Pedro Santana Lopes em 2003, resolveu apoderar-se politicamente das mesmas.

Prova disso, para além desta forçada e curta exposição, é o lançamento de uma revista com uma tiragem de 25.000 exemplares, que não é mais que um mero catálogo das colecções, completado com dois textos, um de António Costa e outro de Francisco Capelo, que pura e simplesmente omitem a referência ao Presidente da Câmara que tomou a "polémica" decisão de adquirir a colecção perante a ameaça de Capelo de levá-la para fora do país.

Explicação possível para este "deslize" é a do mandato de António Costa não ter da sua autoria nenhuma medida ou decisão de relevo em termos de política cultural, tendo-se limitado a uma mera estratégia de sedução de algumas pessoas e instituições ligadas a actividades culturais.

Com excessão da polémica animação recente do Parque Mayer, as iniciativas populares foram completamente desprezadas, substituídas por regulamentações e apoios avulsos a iniciativas demasiado sectoriais. E a apregoada multiculturalidade, cujo expoente máximo é o África.cont., ainda ninguém sabe muito bem o que verdadeiramente será.

Mas pior que tudo, foi a falta de um projecto para o Pavilhão de Portugal, que assim continua ao abandono, conforme falámos aqui.

Lisboa pode e deve ser uma cidade criativa e a Câmara deve proporcionar condições junto dos criadores e programadores e junto dos equipamentos disponíveis para que isso aconteça naturalmente, o que é difícil quando se quer regulamentar formalmente a criatividade.



(
Uma mero contributo para o escasso debate sobre política cultural que se tem verificado nesta campanha autárquica: porque não no Terreiro do Paço um Museu da Modernidade, muito interactivo, com recurso a novas tecnologias, que aborde a História recente de Portugal, nomeadamente a nossa História Política? Completaria o Museu da Cidade e o Museu do Chiado e teria um carácter interventivo, convidando-se as diversas sensibilidades políticas a intervir. Seria actualizável, em constante evolução e com diferentes visões e testemunhos, com o contributo de muitos intervenientes ainda vivos. E serviria de âncora à zona. Pode ser que ainda se fala de cultura até sábado).

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

even f.

.

thinks...
not the way to go.

a breath of fresh air

2 novas

Ouvi ontem António Costa anunciar, ao pé de Helena Roseta, duas novas linhas de eléctrico rápido para Lisboa.

Não disse quem as exploraria (Carris...? Metro...?), quando seriam executadas, quanto custariam, quem as aprovou.

Independentemente do mérito da medida, não pude deixar de me interrogar se António Costa tem consciência que nem Carris, nem Metropolitano, têm ligado muito ao que ele e a Câmara de Lisboa têm dito e defendido nestes últimos dois anos.

E lembrei-me deste artigo.


segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Decepção

Lemos estes artigos de Helena Roseta e pensamos onde ela está agora. E não podemos deixar de pensar nos 20.006 eleitores que nela confiaram em 2007.




Num dia em que apelamos aos valores da República, percebemos porque razão as últimas eleições autárquicas tiveram uma abstenção de 62,61%.
Com tantos pontos em desacordo em relação a António Costa e Sá Fernandes, como consegue Helena Roseta falar hoje em política de habitação, mobilidade, transportes e espaço público?

...

99 anos

.
A
República faz 99 anos. É um acontecimento importante da nossa História, mas, cem anos depois, significa cada vez menos.

O legado dos ‘pais da República’, Teófilo Braga, Afonso Costa, Bernardino Machado ou António José de Almeida, devia servir de inspiração ao nosso povo, aos nossos políticos. A herança da República e os valores da República são positivos e deviam ser inspiradores.

Por alguma razão, habitualmente é um dia em que o Chefe de Estado aproveita para fazer um discurso forte. Nos últimos anos, Sampaio fez isso e Cavaco também. Basta lembrarmos-nos deste discurso do ano passado.

Por outro lado, é sabido que está a ser preparado um conjunto de iniciativas que se esperam de relevo para o aniversário do centenário no próximo ano.

Este ano, o Chefe de Estado optou por não se deslocar aos Paços do Concelho, com o argumento de "não interferir na campanha das autárquicas" e optou por fazer uma alocução no Palácio de Belém.

São vários os equívocos. Os Paços do Concelho representam a cidade, não representam o seu Presidente. No caso de Lisboa, o simbolismo da implantação da República vai muito para além da própria cidade e não seria um discurso do Presidente que iria pôr isso em causa. Além disso, Cavaco Silva interfere nas campanhas, mesmo quando nada diz.

Face à situação que atravessamos como País, do ponto de vista financeiro e até político, e à crise de valores que como nação cada vez mais sentimos, passando até pelos acontecimentos recentes relacionados com o Presidente da República, penso que precisamente este ano o discurso do Chefe de Estado devia ser marcante, devia obviamente ultrapassar o mero âmbito autárquico a que não se reduz e devia ser nos Paços do Concelho.

domingo, 4 de Outubro de 2009

Grainha


Num almoço inesquecível no D.O.C., em Folgosa, bebemos um bom tinto da região - o Grainha. De 2006, da Qta. Nova de Nossa Senhora do Carmo feito com as castas Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela e Touriga Nacional.

Com uma bonita cor vermelha carregada e aromas a fruta madura, ameixas pretas e especiarias, numa boa combinação com madeira, foi o toque necessário, surpreendente, perfeito, para entre outras delicias acompanhar uma açorda de sapateira com garoupa e cigala que se mostrou divinal.

Douro

.



























































sábado, 3 de Outubro de 2009

Assim não!



"A mentira roda meio mundo antes da verdade ter tido tempo de colocar as calças."
(Winston Churchill)

Nesta entrevista, António Costa mostra um desespero preocupante e uma forma de fazer política que não se esperava vinda de um homem com o seu percurso e experiência.

Primeiro foram as acusações e justificações em relação à situação financeira da Câmara de Lisboa (que depois foram obviamente abandonadas face aos números actuais), há dias, foi a indelicadeza e falta de gosto com a questão do IPO, depois a insinuação velada sobre processos criminais no Parque Mayer, depois ainda a mais do que discutível carta aos funcionários da CML abordando o aumento salarial e agora, nesta entrevista, entre vários aspectos discutíveis e imprecisos, resolve faltar completamente à verdade em relação à Alta de Lisboa.

Pior que não fazer, pior que prometer e não fazer, pior que fazer pouco quando todos exigem mais, é mentir e dizer que se fez e não se fez.

A opinião que as pessoas têm dos políticos é em geral muito negativa. Cada vez há menos referências, menos heróis, menos confiança na política e nas instituições políticas. Por isso, temos de ser cada vez mais exigentes com os nossos políticos. É um direito que temos. E é um dever de todos respeitar a verdade. E a quem têm a missão de nos comandar, ainda mais.

Sabemos como é fácil mentir em política. Como a mentira é rápida a alastrar-se. A ser repetida.

O que António Costa diz na entrevista em relação à Alta de Lisboa e em concreto à Av. Santos e Castro e ao Eixo Central é pura e simplesmente mentira. Costumo ter cuidado com as palavras e procuro ser cordato e moderado no meu posicionamento profissional e pessoal, mas há alturas em que tem de se chamar "os bois pelos nomes". É uma questão de decência e dignidade. E as afirmações de António Costa na entrevista referida são uma vergonha e uma afronta às 30.000 pessoas que vivem na Alta de Lisboa.

"P: Dê-me exemplos de trapalhadas que diz estar a solucionar...
R: Há uma série delas que se foram acumulando e que estão em vias de resolução. A trapalhada do Aquaparque, a do Parque Mayer. Na Alta de Lisboa, por exemplo, tínhamos a Av. Santos e Castro - fundamental para ligar ao centro da cidade - cuja construção estava paralisada por "n" expropriações que a Câmara não conseguia concretizar por não dispôr de capacidade financeira para pagar as indemnizações. Hoje estão todas pagas, as construções foram demolidas, daqui a 6 meses teremos a via concluída. O mesmo com o eixo central da Alta de Lisboa, cuja trapalhada está resolvida. Há anos que estava bloqueado o investimento junto ao Braço de Prata, do arquitecto Renzo Piano. Foi emitida a licença e a obra vai começar."

Vamos por part
es: é falso que tenha resolvido "n" expropriações que a Câmara não conseguia concretizar, estando hoje todas pagas. António Costa apenas se limitou a concretizar um acordo e mandar demolir uns armazéns que eram ocupados por uma empresa (Lazeite), cujo acordo estava estabelecido há mais de 3 anos e não pagou (ou sequer acordou) com nenhum dos armazéns em causa (v.g. Ruela) necessários à construção da via. Nenhum. Além disso, também não concretizou efectivamente o protocolo com a CM de Loures elaborado também há mais de 3 anos e mandou suspender o processo de construção do Nó de Calvanas. Em relação ao Eixo Central igualmente não comprou uma única parcela. Repito, uma única sequer. Para terminar é tecnicamente impossível ter a Av. Santos e Castro a funcionar, de acordo com o projecto aprovado, em 6 meses. Repito, mais uma vez para que não restem dúvidas, impossível.

Portanto, António Costa não fez na Alta de Lisboa o que diz ter feito, nem poderá fazer. Devia ter feito, podia ter feito, mas não fez. Para mal das 30.000 pessoas que vivem na Alta.

Os "adeptos indefectíveis" de António Costa, e os lisboetas em geral, ficam agora a saber que para além de não fazer muito, António Costa ainda mente com despudor para tentar justificar-se. O que diz muito do seu carácter político e do que se pode esperar dele.

Gostava de perceber, como qualquer lisboeta, porque defende António Costa a saída do aeroporto de Lisboa, porque defende o terminal de contentores de Alcântara, porque defende a demolição do Museu de Arte Popular, porque aceita a jurisdição tirana da Frente Tejo, porque não conclui o Túnel do Marquês, porque não consegue pôr fim ao estacionamento desordenado e ao trânsito caótico, porque é que Lisboa é uma cidade cada vez mais suja, menos competitiva e atraente.

Gostava de conhecer as suas propostas e vê-las defendidas, mesmo que delas discordasse.

Agora, justificações de não ter feito porque "teve de arrumar a casa" e mentiras e baixa política, é que não. Assim, não!

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Aeroporto em Lisboa

Bagageiro, Aeroporto de Lisboa, [s.d].
Bagageiro, Aeroporto da Portela (Museu da TAP)


Falámos