31 de dezembro de 2008

O melhor


 de 2008: 

Figura internacional - Barack Obama
Português - Nelson Évora
Filme - Este País não é para Velhos, Joel e Ethan Coen
Livro - A Feiticeira de Florença, Salman Rushdie
Disco - Everything That Happens Will Happen Today, David Byrne and Brien Eno
Canção - Hot Fuss, The Killers
Fado - Sei de um Rio, Camané
Desportista - Usain Bolt
Blog - Estado Civil, Pedro Mexia
Produto pessoal - iphone
Frase - Yes, We Can
Acontecimento Internacional - eleições americanas
Acontecimento pessoal - a descoberta da força dos meus filhos
Sentimento - amor

31 de Dezembro

Este ano a passagem de ano vai ser cheia.
Cheia de esperança. 
Cheia de vontade que o novo ano seja diferente, seja melhor.
Cheia de amigos, irmãos, cunhadas, sobrinhas.
Os habituais dos últimos anos Álvaro, Paula, Francisco, Pedro, Clara e Joaquim, os regressados Carlos e Carla e novas aquisições Miguel, Diogo, Paula, Rita, Marta, Catarina, Fátima e Teresa.
Gosto de ter a casa cheia. Gosto nestes dias de cozinhar para todos. Este ano, paelha.
É bom ter tantos amigos e familiares perto. É muito bom.
Faltam alguns, que estarão no pensamento e no coração. Como se aqui estivessem.
Mas fico feliz e reconhecido. Nos momentos difíceis, nos momentos de indefinição quanto ao futuro, é muito reconfortante, é muito sentido. É um estimulo para o novo ano. Para novos desafios. Para melhorar. Para partilhar.

30 de dezembro de 2008

my everything

Barry white.
Falta um dia para acabar o ano...

Grey Goose

A Grey Goose é actualmente a melhor vodka. Produzida na região de Cognac, França, reúne os melhores grãos franceses produzidos na cidade de Beauce e água mineral da fonte Genté. O sabor puro e refinado deve-se ao processo de destilação em 5 fases. O resultado é um sabor suave, amanteigado e arredondado, que se dissolve na boca, deixando uma lembrança duradoura, perfeita, única... Gosto de bebe-la ao natural num copo shot.

Estatuto dos Açores

Cavaco Silva promulgou ontem vencido mas não convencido o novo Estatuto dos Açores. 
Nos termos da lei, não tinha praticamente outra alternativa. Era promulgar ou dissolver o parlamento. A opção foi obviamente a correcta.
Mas politicamente perdeu. Venceu a estratégia de ir queimando as etapas de José Sócrates e do PS.
Jurídica e constitucionalmente Cavaco tem razão, existem normas no Estatuto, que são muito discutíveis. Mas mesmo que o Tribunal Constitucional venha a declarar a inconstitucionalidade de normas do novo diploma, proceder-se-á apenas a uma correcção dessas normas. Mas o estatuto vigorará.
Do ponto de vista político, este "caso", clarificou o nosso sistema político que é um sistema semi-presidencialista, em que o poder legislativo reside na Assembleia da República e parcialmente no Governo e no qual o Presidente tem poderes de fiscalização, mas não legislativos. E no âmbito desses meios para o Presidente exercer a sua discordância - fiscalização da constitucionalidade e veto político - não existe a possibilidade máxima de chumbar uma lei.
Mas ao optar por um confronto político em vez de se escudar na questão jurídica, que lhe dava razão, o Presidente arriscou, e perdeu. Se considerava inconstitucionais algumas normas, podia ter perguntado ao TC, por exemplo, sobre a constitucionalidade do artigo do Estatuto que determina que para dissolver a Assembleia Legislativa dos Açores, o Presidente tem de ouvir a própria Assembleia e o chefe do Governo Regional.
Ao politizar a questão, usando o veto pessoal e não o pedido de parecer prévio ou sucessivo do TC, Cavaco procurou esticar o papel presidencial no equilíbrio de poderes que caracteriza o sistema político português. E embateu contra os poderes legislativos da Assembleia da República.
Em relação aos deputados, em especial os do PSD, importará dizer que não se percebe como votaram das primeiras vezes por unanimidade normas que juridicamente não fazem sentido. Mesmo que politicamente a aprovação fosse pertinente podiam e deviam ter corrigido essas normas. Juridicamente revelaram uma confrangedora inabilidade. Ou distracção.

M


Assisto a "Elizabeth: The Golden Age" com a fabulosa Cate Blanchett.
A visão de uma Mulher forte, corajosa, determinada, mas ao mesmo tempo, insegura, frágil, sensível.


Discover Craig Armstrong!


29 de dezembro de 2008

Casablanca

Ilsa: What about us?

Rick: We'll always have Paris. We didn't have it, we'd lost it until

           you came to Casablanca. We got it back last night.

Tudo é encontrar qualquer coisa

Tudo é encontrar qualquer coisa. Mesmo perder é achar o estado de ter essa coisa perdida.
Nada se perde; só se encontra qualquer coisa.
Há no fundo deste poço, como na fábula, a Verdade.
Sentir é buscar.

Atribuído a Bernardo Soares in Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

28 de dezembro de 2008

23h30

av. Barbosa du Bocage, Lisboa


Macdonald's - Rápido e Barato

Uma das recordações que associo a esta época do ano é um doce inventado pela minha avó paterna que todos adorávamos chamado "Rápido e Barato". Invariavelmente, em todas as reuniões de família uma das sobremesas era o rápido e barato. Nunca fiquei com a receita, mas lembro-me que levava ovos e açúcar e fazia-se em 5 minutos.
Mal sabia a minha avó, que idênticas premissas têm sido o sucesso do gigante Macdonald's que em 2008, só em Portugal, cresceu 13% enquanto os restaurantes menos rápidos, menos baratos e mais tradicionais tiveram quebras de 25%. A nível mundial, só no terceiro trimestre deste ano, o aumento de lucros foi de 11%, correspondendo a um resultado líquido da ordem dos 860 milhões de euros. No Reino Unido, foi anunciado o reforço de 4.000 empregados para corresponder ao aumento da procura, mais de 2 milhões de pessoas por mês em relação a 2007. 
Numa altura de profunda crise mundial as vantagens do fast food impõem-se: serviço rápido, cada vez maiores cuidados com o tipo de carne, mais sopas e saladas, produtos a menos de 1 euro e uma imagem sempre inovadora. A dos próximos anos foi desenhada pelo estúdio Boxer Creative e pode ser conhecida aqui.

Parqueamento de bicicletas

Enquanto por Lisboa a introdução das ciclovias tarda em ser uma realidade, perdendo-se tempos infinitos em discussões secundárias e em estudos, noutras cidades a preocupação com o parqueamento das bicicletas já atingiu um patamar de perfeição que nos devia servir de inspiração.
Este sistema de um parque subterrâneo para bicicletas é no Japão. É prático, sofisticado, de fácil utilização permitindo libertar o espaço à superfície. Basta passar um cartão num leitor, colocar a bicicleta num tapete rolante e segundos depois o sistema procede suavemente à recolha. Para recuperar a veículo basta passar de novo o cartão que se obtém mediante o estabelecimento de um contrato mensal. Embora, também haja casos em Tokyo em que qualquer um pode parquear. Desta forma consegue-se arrumar em cerca de 10 segundos mais de 144 bicicletas. Aqui estão mais pormenores e um video.

27 de dezembro de 2008

"The Thunder, Perfect Mind"

Filme publicitário de 2005 de Ridley Scott e da filha Jordan, para a Prada, com a modelo canadiana Daria Werbowy percorrendo Berlim sob o enigmático poema 'The Thunder: Perfect Mind'. Um perfume de mulher e um poema intemporal sobre a dualidade.

Greg Williams






"Bond On Set - Filming Casino Royale" de  Greg Williams

Almoço com Ana, Luís, Tomás, Lourenço e Vasco e tarde de cinema chuvosa com o penúltimo Bond, desta vez em alta definição. Excepcional. Uma diferença idêntica à de VHS para DVD.

Austrália


Eu hoje fugia para a Austrália.


Discover Judy Garland!


26 de dezembro de 2008

Museu de S. Roque

Adoração dos Pastores
Autor desconhecido (Sevilha, círculo de Juan de Roelas?)
C. 1633

O Museu São Roque reabriu com o dobro da área de exposição. Estarão agora expostas 300 peças de arte sacra, 140 paramentos da Capela de S. João Baptista e um núcleo de relicários, dos mais importantes da Europa.
O local foi a Casa Professa da Ordem da Companhia de Jesus no século XVI logo após a sua formação. Um local e uma colecção que merecem ser conhecidos.

O mio babbino caro - Puccini

Kiri Te Kanawa

25 de dezembro de 2008

Natividade de Tiepolo


Um dos quadros mais fascinantes sobre o nascimento de Jesus, "Natividade", de 1732, de Giambattista Tiepolo que se encontra na Basílica de São Marcos em Veneza.

24 de dezembro de 2008

Driving Home for Christmas




Natal


Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

Manuel Alegre

23 de dezembro de 2008

It's a Worderful Life

"What is you want, Mary? What do you want? You want the moon? Just say the word, and I'll throw a lasso around it and pull it down."
James Stewart em "It´s a Worderful Life" (Do Céu
caíu uma estrela).

O filme começa na Terra, em Bedford Falls. Mas é narrado do Céu, onde a vida de George Bailey vai ser contada por Deus ao seu anjo da guarda, Clarence. George é inteligente, aventureiro, ambicioso, amigo, solidário. É alguém que está sempre presente, pronto para ajudar quem precisa. Até que um dia, ele próprio sente-se tentado a cair no precipício. Aí, pensando que está só e vencido, George prescinde de tudo de bom que construiu da sua vida. Prescinde mesmo da própria vida.

Então Deus envia Clarence, o anjo sem asas que vai salvar George. É o anjo que lhe vai dar a conhecer o que seria a vida sem ele. Tudo o que teria acontecido se ele não tivesse existido. Nesse momento, George percebe que não viveu em vão e que a vida teria sido muito pior em Bedford Falls para todos os que o rodeiam sem ele.

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It´s a Wonderful Life: de Frank Capra é o meu filme de Natal favorito. É a vida como ela devia ser. É a mensagem perfeita. É o melhor do cinema.

Yulia Brodskaya


Yulia Brodskaya

All I Want for Christmas is You



22 de dezembro de 2008

Iluminações de Natal

As opiniões têm sido (quase) unânimes: a opção de a Câmara de Lisboa, recorrer a privados para financiar as iluminações de Natal é uma boa ideia, mas a forma como esta ideia foi concretizada este ano é uma condenável apropriação do espaço público.
Em altura de dificuldades, o recurso a parcerias publico-privadas é de intensificar. Mas vender o melhor e mais nobre espaço público da capital por este preço e com este mau gosto, é de repudiar e criticar.
Quanto custaria ao município, em receitas, a utilização por um privado durante um mês do Terreiro do Paço, do Rossio e do Marquês de Pombal? Qual o valor em taxas que uma campanha deste tipo custaria? E para além do valor em taxas, será que todas as campanha são de aceitar ? Não haverá algumas que podem ser consideradas uma agressão ao espaço utilizado e visualizado por todos? Os fins justificam os meios?
Claro que não.
Para além da enorme receita que o município deixou de receber com esta opção, que foi trocada por iluminações de Natal, o custo efectivo, a qualidade e o bom gosto, ficaram muito abaixo do que é exigível. Mesmo, numa situação financeira difícil, o espaço público não pode ser cedido a qualquer preço.
Esteve bem, neste caso, o Bloco de Esquerda que na semana passada apresentou na Assembleia Municipal uma proposta, aprovada por todas as forças politicas, menos o PS, repudiando esta opção.
E fiquei a saber aqui que todas as estruturas de propaganda política foram, e bem, proibidas num conjunto de praças que, dado o seu significado, deviam ser protegidas de qualquer obstáculo visual, e ainda, que em Março de 2006, em comunicado de imprensa, José Sá Fernandes lembrava que a Praça do Comércio é Monumento Nacional pelo que a colocação de uns cubos do Casino Lisboa poderia ser considerada ilegal. Este ano, a utilização dada às principais praças da capital não mereceu, contudo, qualquer repúdio ou indignação do mesmo vereador. Os tempos são outros.

J.S. Bach - Goldberg Variations: Aria

21 de dezembro de 2008

Adega Saraiva

Almoço fantástico no Saraiva, em Nafarros. Uma descoberta para o meu filho António, uma redescoberta para os restantes, neste caso ao fim de um ano. Ficámos como sempre na Adega.
Cabrito uma especialidade. Antes, azeitonas, pão saloio e manteiga caseira. A terminar, queijada do Gregório, também de Sintra e café.
Acompanhámos com um Herdade de Grous, 2006, servido graças ao velho conhecimento com o dono da casa, o Sr. Saraiva.
É um tinto alentejano composto pelas castas Aragonês, Syrah, Alicante Bouschet e Touriga Nacional do enólogo Luís Duarte. Com 14%, cor intensa, aroma a frutos maduros combinados com diversas especiarias, paladar cheio de fruta e leves notas achocolatadas. Regresso pela Serra de Sintra e paragem em Almoçageme para comprar pão, verduras e doce de abóbora.

Rejeição do alargamento da semana laboral até às 65 horas

O Parlamento Europeu rejeitou esta semana a proposta de lei que permitia o alargamento da semana laboral até às 65 horas. É uma decisão importante que merece aprovação. A situação de crise que se vive na Europa podia constituir um motivo para a aprovação de medidas demasiado liberais e socialmente negativas. 
Claro que, o eventual alargamento teria de ser feito sempre mediante acordo da entidade empregadora com o trabalhador, mas mesmo assim seria um retrocesso civilizacional para uma Europa que esteve sempre na vanguarda do direitos laborais, desde o século XIX, com a adopção em 1833, pelo Reino Unido, do 'Factory Act', que regulamentou o dia laboral na indústria têxtil britânica. 
A brutal pressão competitiva das potências económicas emergentes como a China e a Índia, que registam um crescimento económico invejável, mas em que se trabalha muito acima das 35 horas, podia fazer perigar esse vanguardismo. 
O horário de trabalho tem evidentes repercussões a médio prazo na produtividade do indivíduo e na qualidade do trabalho que é executado. Relatórios da Organização Internacional do Trabalho (OIT) - que estabeleceu o limite de 48 horas semanais há mais de 90 anos - demonstram que trabalhar mais de 50 horas por semana aumenta o stress e a fadiga, causa desordens no sono, maus hábitos de vida e, a longo prazo, distúrbios musculoesqueléticos, doenças cardiovasculares e mentais, e infecções crónicas.
Assim, a liberdade individual para decidir se se quer trabalhar mais ou menos acaba por ser falaciosa, na medida em que as consequências nocivas dessa decisão se repercutem no meio, ou seja, na família, nos amigos, no espaço social.
Com 12 horas diárias de trabalho, estaríamos a reduzir as pessoas à sua dimensão de energia física e intelectual aplicada exclusivamente ao trabalho. Sem tempo para recuperar, para conviver, para educar, para viver.
Além disso, a Europa está mais velha. Se se pretender fomentar a demografia, com políticas orientadas para a natalidade, aumentar o tempo de trabalho é um contra-senso. 
O modelo social europeu é o resultado da prevalência das boas características do capitalismo nórdico, que devem permanecer e não ser adulteradas pelo desejo de imitar potências como a China dominante, que liberalizou apenas o mercado e não deu liberdade de escolha às pessoas.
O caminho da Europa é ser competitiva sem necessidade de sacrificar o seu modelo social, por isso esta notícia de final de ano é um passo no caminho certo.

20 de dezembro de 2008

Brigitte Lacombe





De Brigitte Lacombe.

Tribunal de Contas vs CML

O empréstimo de 360 milhões de euros que António Costa considerava decisivo para o saneamento financeiro da Câmara de Lisboa foi chumbado outra vez pelo Tribunal de Contas.
No entanto, António Costa, surpreendentemente, veio dizer que, afinal, já não precisava do dinheiro. 
Segundo este órgão fiscalizador, a Câmara de Lisboa alegou um saneamento financeiro para fazer o empréstimo, mas para o tribunal o que estava em causa era um reequilíbrio de contas, invocando o artigo 40º da Lei de Finanças Locais, legislação criada pelo próprio António Costa, então ministro da Administração Interna. Diz o TC que "o plano não permite concluir e garantir que o saneamento financeiro é realizado e mantido até ao termo da vigência da operação" e retoma que "não se pode dar por assegurada a finalidade do empréstimo contraído".
A reacção de António Costa demonstra que o TC tem razão. 
Se afinal a câmara já conseguiu pagar mais de metade das dívidas num ano, sem necessidade de nenhum expediente fora do normal, então, o pedido de saneamento financeiro foi precipitado. E das duas uma: ou houve uma análise deficiente da situação que resultou num pedido infundado e mal fundamentado da CML, ou havia conhecimento da dimensão do problema, a situação da Câmara não era a invocada e o pedido de uma quantia acima das necessidades destinava-se a permitir que António Costa estivesse dois anos em campanha eleitoral. Qualquer das duas hipóteses é grave.

19 de dezembro de 2008

I'll drink to that


Óptimo para um Dry Martini ou um Gin Tónico com limão e muito gelo. O meu favorito. Surgiu em 1830 numa pequena destilaria em Bloomsbury, próximo de Londres.

A change is gone come

Seal

18 de dezembro de 2008

Biblioteca digital para crianças

Foi ontem lançada a Biblioteca de Livros Digitais, criada pelo Clube de Leituras em parceria com o Plano Nacional de Leitura. Estão já disponíveis 9 livros.

Titus sentado à secretária

(Titus sentado à secretária (1655) - Rembrandt)

O quadro de Rembrant representa o seu filho, Titus, e foi cedido pelo Museu Boijmans van Beuningen, de Roterdão, ao Museu Nacional de Arte Antiga, até 8 de Fevereiro.

17 de dezembro de 2008

New York Times

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Um fim de semana em Lisboa.
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Nike Football by David Fincher


video

Último anúncio da Nike. 1 minuto do realizador de "Se7en" e do esperado "The Curious Case of Benjamin Button".

Se

Depois do anúncio formal da candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara de Lisboa, da intensificação do namoro entre Helena Roseta e o Bloco e das recentes posições do CDS, que perspectivam uma candidatura de Teresa Caeiro, ou mesmo de um apoio a Santana, as reacções de Costa, Sá Fernandes e Louça revelaram preocupação.
Santana é um candidato forte.
Apesar do passado recente, continua a ser um candidato temível. É arrojado, é trabalhador, é carismático, gosta de desafios e de os vencer. Sabe mobilizar as equipas e motivá-las.Sabe distinguir o essencial do acessório. Procura a solução em vez do problema. Com o passar dos anos, aliou a capacidade de iniciativa com a experiência. Aliou a impetuosidade com o bom senso.
Se desta vez for integralmente fiel ao compromisso com os lisboetas, tem condições para mudar Lisboa. Para lhe dar alma, vida, projectos mobilizadores, rigor, trabalho. Se se concentrar em Lisboa e der tudo o que tem, pode mesmo fazer de Lisboa uma nova cidade. Com mais gente, com mais jovens, com menos carros, com mais arte nas ruas, com mais disciplina, com mais investimento. Uma cidade mais atractiva.
António Costa não tem conseguido vencer a maquina pesada da CML, não tem sabido imprimir o ritmo que Lisboa precisa. Não tem cumprido aquilo que prometeu.
O seu plano de saneamento financeiro através da contratação de um mega empréstimo de 500 milhões falhou.
Não se efectuou um corte significativo no valor gasto com contratos de prestação de serviços, pelo contrário, foram efectuadas novas contratações com grandes escritórios de advogados.
Não foi feita a tão falada pintura das passadeiras perto das escolas, nem o combate ao estacionamento em segunda fila teve qualquer sucesso.

Não foram feitas as sociedades entre a autarquia e o Governo para a reabilitação da frente ribeirinha.
O plano da Baixa Chiado não foi avante depois da saída de Maria José Nogueira Pinto.
Na área do sector empresarial, a prometida reestruturação da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL) e das Sociedades de Reabilitação Urbana (SRU), não foi efectivada.

A cidade está suja, não há ritmo, não há decisões, não há uma politica de captação de investimento, não há imaginação na obtenção da receita. A sua aliança com Sá Fernandes é uma traição a muitos lisboetas.
De positivo fica o controle com a despesa, nomeadamente com horas extraodinárias, o Terreiro do Paço sem trânsito aos domingos, a instalação do IPO em Marvila, as propostas de mais ciclovias e algumas medidas na área da Cultura, através de Rosália Vargas, a melhor vereadora de António Costa. É pouco, muito pouco.
Se as coisas se mantiverem neste ritmo e nesta forma Santana Lopes pode ganhar.

Beijo


"From here to Eternity."

14 de dezembro de 2008

Bjorn Borg


Um dos meus ídolos de juventude era o sueco Bjorn Borg. Admirava-lhe a calma, a frieza, a concentração, a técnica, a famosa esquerda a duas mãos, o saber esperar pelo momento certo, altura em que vinha ao de cima uma força interior incontrolável. Imparável.
Quando ganhava explodia de alegria, parecendo outro homem.
Fora dos cortes parecia também um homem diferente: comunicativo, sedutor, apaixonado. Muitas aventuras amorosas, alguns falhanços nos negócios.
Tudo isso fazia dele um homem carismático, um ídolo, uma estrela.
Até que, depois de ganhar 5 vezes Wimbledon, com apenas 26 anos, cansado de viajar e de ganhar quase tudo, retirou-se. 
Agora dedica-se a torneios de exibição para veteranos e à produção de uma linha de roupa interior e fatos de banho. A colecção não parece muito entusiasmante, embora o site, tenha piada.
O seu ténis, esse, sempre foi o mais entusiasmante de todos. O melhor. Um exemplo de vida.

Modelo de avaliação dos professores

Ficou esta semana provado que os sindicatos dos professores não querem nenhum tipo de avaliação, que não seja... a auto-avaliação.
Depois de terem assinado há 6 meses um "memorando de entendimento" que não estão a cumprir, esta semana, depois de tantas manobras e iniciativas, finalmente apresentaram o "seu" modelo de avaliação, que é um não modelo. Era a prova que faltava.
É certo que o Governo, em especial a ministra, não foram hábeis na gestão deste processo. Imporem-se regras no sentido de moralizar e aperfeiçoar o sistema de ensino é absolutamente necessário. Mas não pode ficar a ideia que esse aperfeiçoamento é feito apenas à custa de "apertar" os professores. O bode expiatório não podem ser os professores. A necessidade de melhoria é muito vasta e uma das componentes é haver melhores professores e para isso tem que haver competição, distinção, classificação. Mas não só.
Além disso, o ministério "inventou" um modelo confuso e burocrático, que teimosamente quis manter, apesar de agora já aceitar simplificar.
Assim, deve avançar com o processo se avaliação, na modalidade mais simplificada, com toda a determinação e sem mais complacência com os opositores. O direito à avaliação dos professores não pode continuar refém dos que não querem ser avaliados e dos sindicatos. 
Além de não quererem avaliação nenhuma, os sindicatos de professores também não querem a estruturação da carreira em dois níveis profissionais, como estabelece o novo estatuto da carreira docente. Ainda ninguém percebeu porque razão deve ser diferente a carreira dos professores do ensino básico e secundário, quando em quase todas as carreiras profissionais, incluindo a do ensino superior, existem até mais de dois níveis.
A selecção pelo mérito é o único meio de  melhorar as competências e o desempenho. Nada pior para uma organização do que as carreiras, onde toda a gente pode chegar ao topo da escala remuneratória, sem nenhuma selecção em função da competência, do mérito e do empenho profissional.
A avaliação é assim imprescindível como é imprescindível haver dois ou mais níveis na carreira docente, tal como acontece com outros funcionários públicos.
Além disso, politicamente, a existência de diferenciação, de competição, de ambição, é decisivo para acabar com o poder gigantesco dos sindicatos que, assentando na defesa da igualdade e do corporativismo, tem sido o grande responsável pelos sucessivos falhanços das reformas no ensino. Todos os ministros da educação dos últimos 20 anos, de Roberto Carneiro, a Ferreira Leite, passando por Marçal Grilo ou Santos Silva, acabaram por ser derrotados pelos sindicatos e pelas sondagens negativas. Todos acabaram por ceder.
Como demonstram os estudos de opinião mais recentes, não há qualquer quebra de popularidade do Governo, pelo que existem condições para se "segurar" e apoiar a ministra da educação e prosseguir-se com uma medida que enfraquecerá decisivamente os sindicatos. A educação precisa disso.
Por isso, discordo totalmente de qualquer suspensão do modelo de avaliação. 
Suspender é adiar. É não fazer. É fazer o mesmo de sempre.

13 de dezembro de 2008

5O anos de revolução cubana

Bar "Las Alegrias" em Havana cujo ambiente relembra um quadro de Edward Hopper. 
(Foto de Ambroise Tézenas para o New York Times)

Em breve vão se completar 50 anos sobre a revolução cubana. 
Meio século depois, ainda há um Castro no poder, não há liberdade de imprensa, quem se manifestar contra o regime arrisca-se a ser preso, a pobreza é grande. 
Mas, ao mesmo tempo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, a esperança de vida é de 76 anos para os homens e de 80 para as mulheres. O que é equivalente à dos EUA. Em relação à mortalidade infantil, o mesmo sucesso. Além de que, segundo a ONU, mais de 90% dos jovens cubanos completam o ensino secundário, o que é uma percentagem superior à dos EUA e próxima de países como a Coreia do Sul ou o Japão. É verdade que há pobreza, mas não há fome. 
Mas para que serve apostar tanto no ensino, se ao mesmo tempo se nega o acesso à Internet, a viagens e à oportunidade de aplicar o que se aprende? Por quê proporcionar uma excelente educação e depois não haver liberdade? 
Não seria preferível outro modelo, mesmo dentro da mesma opção ideológica. Apesar de tudo, o novo modelo chinês aceita uma economia de mercado mesmo que permanecendo na prática um regime de um só partido.
Terão valido a pena estes 50 anos? 
A liberdade é poder fazer escolhas. A liberdade de dizer o que se pensa, de se optar pelo caminho que se quer seguir, de navegar sem fim na internet, de viajar mundo fora. 
E a educação de excelência que devemos procurar é a que produz a abertura de horizontes. A que associa liberdade e felicidade. 
E em Cuba, os cidadãos não têm total liberdade. Aos cubanos não são permitidos direitos tão essenciais como os de livre expressão, de livre assembleia, de livre associação. Em Cuba não há um poder judiciário livre e independente. Em Cuba ter opinião política pode conduzir à demissão, à prisão, à detenção. Os cubanos não tem o direito de lutar por um salário melhor e raramente podem mudar de emprego.
Um Estado tem sucesso quando cria condições para que não haja fome e haja educação, saúde e liberdade. Se é incapaz de oferecer um deles, é um Estado que falhou. 
É certo que o bloqueio dos EUA tem prejudicado Cuba. A política americana ao longo destes anos, em relação a Cuba, tem sido estupidamente exagerada, tem prejudicado sobretudo o povo e alimentado a permanência dos Castro no poder. Barack Obama prometeu durante a campanha eleitoral mudar a política em relação a Cuba. Seria óptimo que o fizesse.
Ao fim destes 50 anos, o gosto que fica é, assim, um gosto amargo, um gosto de tristeza, de desilusão.
Mas que, apesar disso, tem servido para alimentar o ideal comunista. Veja-se o último congresso do PCP. O marketing de vender uma imagem que pouco tem a ver com a realidade, tem sido um grande trunfo dos Castro. 
Fingir, como muitos fazem, que existe liberdade em Cuba, que a troco de um ideal de igualdade se pode cortar direitos essenciais é um desrespeito para com aqueles que verdadeiramente lutam pela liberdade no mundo. 
Pode haver sucesso nalgumas políticas sociais mas não havendo liberdade, não há nada. 
50 anos depois, a revolução cubana falhou.

Vertigo


Paul Rennie explains the origins, details and consequences of Saul Bass’s revolutionary poster for Alfred Hitchcock’s Vertigo.l
Uma óptima explicação das origens, detalhes e consequências do revolucionário cartaz de Saul Bass para um dos meus filmes favoritos "Vertigo", de Alfred Hitchcock.

Perfect Day