31 de janeiro de 2009

Aya

O Aya é um dos meus restaurantes preferidos e para mim o melhor japonês de Lisboa. E tem sido assim desde sempre. Primeiro na Lapa, mais tarde nas Twin Towers (o meu favorito) e agora em Carnaxide. Há quatro anos redescobri este  templo graças ao meu amigo Jorge Simões, que me apresentou novos e maravilhosos pratos. Que durante algum tempo só consegui repetir recorrendo a uma cábula. O peixe é de excepcional qualidade e a confecção e apresentação são um privilégio. Ficar ao balcão das Twin Towers e ter a oportunidade de assistir ao trabalho do mestre Takashi Yoshitake foi sempre uma experiência única e inesquecível.
Que infelizmente não poderei repetir. Takashi Yoshitake faleceu esta semana, vitima de uma doença prolongada. A experiente equipa continuará e continuarei a frequentá-lo, esperando que tudo se mantenha ao mesmo nível, mas será diferente sem o sorriso aberto e educado do mestre Yoshitake.

1979-85

(Rainha D. Leonor, escultura de Domingos Soares Branco, foto de António Duarte, Arquivo Municipal de Lisboa)

Hoje lembrei-me do liceu onde andei.
Das aulas, dos colegas, dos campeonatos de futebol, da lista K, das primeiras namoradas. Foi bom.

Faz parte do meu show




Cazuza

30 de janeiro de 2009

The places we live


As Nações Unidas perspectivam que o número de moradores de bairros de lata duplique nos próximos 25 anos. E ainda que os bairros de lata urbanos constituem cada vez mais a primeira opção de muitas populações que procuram a sobrevivência, fazendo com que este tipo de habitat seja aquele que mais tem crescido nos últimos anos.  
Em resposta ao alerta das NU está a decorrer no Nobel Peace Center em Oslo, na Noruega, uma exposição multimédia de Jonas Bendiksen intitulada The Places We Live que mostra fotografias de alguns dos mais impressionantes bairros de lata do mundo. 
São imagens fortíssimas que podemos ver aqui a que não conseguimos ficar indiferentes.
Numa altura em que o mundo vive enormes transformações económicas, em que existe uma profunda crise financeira à escala global, em que foram postos em cheque muitos dos alicerces em que tem assentado a economia mundial, em que o desemprego aumenta todos os dias, tomar consciência desta realidade chocante, reforça a necessidade de actuações concertadas, de novas políticas, de novas formas de criação de emprego. Rapidamente.
Mas, sobretudo, de políticas com valores mais firmes, com mais honestidade, com mais partilha, com menos egoísmo.

Incapacidade da Europa

Em relação a Guantanamo, mais uma vez ficou patente a incapacidade da Europa em tomar posições rápidas, concertadas e a uma só voz.
Debilidade do esqueleto institucional; interesses e estratégias diferentes e nalguns casos antagónicas; visões dispares em relação ao plano de actuação geo-estratégico; são certamente algumas das razões para essa falta de união e de eficácia.
A decisão de acolher prisioneiros de Guantanamo é uma questão politica importante. Não ao nível da gestão politica do dia-a-dia. Mas exemplar no plano dos princípios, da ética, dos valores, da verdadeira política.
Numa altura em que se voltou a falar tanto na Declaração Universal dos Direitos do Homem, falar de Guantanamo e da disponibilidade para contribuir para uma solução, é honrar os princípios desse código de direitos humanos.
É evidente que se trata numa primeira linha de uma questão dos Estados Unidos, que pela sua inábil politica internacional, conduziram a esta situação. Mas a Europa condescendeu, aceitou, apoiou os Estados Unidos nessa estratégia. Só mais tarde tendo acordado e apelado para o fim do limbo jurídico em que caiu a prisão de Cuba.
Não tem, pois, legitimidade, para agora "assobiar para o lado", para se perder em hesitações. Ao fazê-lo, ao não ter uma posição única e definitiva, fornece mais um exemplo da sua dramática incapacidade política, da sua inaceitável inoperância, que inevitavelmente compromete a sua credibilidade no tabuleiro mundial. Se os Estados Unidos pretendem encontrar uma solução, a Europa tem de ter uma posição.
Torna-se cada vez mais premente uma mudança na sua organização e nos seus mecanismos de decisão. Não sei se o
Tratado de Lisboa ajudará a resolver esta ineficácia, mas certamente permitirá agitar uma Europa pesada e sem garra.

If Charlie Parker Was a Gunslinger, There'd Be a Whole Lot of Dead Copycats.

Maria Callas e Aristotle Onassis
Ronald Reagan cai das escadas de acesso ao Air Force One em 1984


De um dos blogs que não perco If Charlie Parker Was a Gunslinger, There'd Be a Whole Lot of Dead Copycats.

29 de janeiro de 2009

How Wonderful You Are

Gordon Haskell

Clint Eastwood


Lá fora

A exposição Lá Fora, inaugurada no dia 16 deste mês e patente até 15 de Março no Museu da Electricidade – Central Tejo, em Lisboa, reúne cerca de duas centenas de obras de 67 artistas plásticos portugueses, que têm em comum o facto de viverem e trabalharem fora de Portugal.
É uma exposição organizada pelo Museu da Presidência da República, em parceria com a Fundação EDP, onde se apresentam obras de pintura, desenho, fotografia, instalação, escultura e vídeo, que dão a conhecer o trabalho desenvolvido por criadores portugueses residentes em vários países da Europa, América do Norte e América do Sul, integrados com sucesso nos circuitos da arte contemporânea.
Comissariada por João Pinharanda, esta mostra,  que esteve patente entre Junho e Setembro em Viana do Castelo para assinalar o dia 10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, conta com nomes como Adriana Molder, Júlio Pomar, Paula Rego, João Penalva, ou Edgar Martins, cujo trabalho gosto particularmente. Vale a pena ir à Central Tejo.

Mais 600%

Nos dois últimos meses, a estação de televisão árabe Al Jazeera conseguiu um aumento de 600% nas suas audiências, conseguido através do aperfeiçoamento do seu canal no YouTube, do seu próprio site, mas

sobretudo do facto de ser das pouquíssimas estações de televisão internacionais (sem esquecer, claro, a nossa SIC através do "especial" Henrique Zimmerman...) a ter repórteres na Faixa de Gaza. Este último aspecto foi, naturalmente, determinante para este brutal aumento da audiência, mas não seria suficiente se a estação não tivesse apostado nos actuais e eficientes meios de distribuição. No Ocidente, a Al Jazeera é um canal distribuído essencialmente por cabo, pelo que a solução encontrada foi colocar os seus vídeos no YouTube, apostando-se assim na distribuição via internet para alcançar uma audiência maior. A que acresce o facto de a partir de Janeiro, todos os vídeos terem passado a estar licenciados, o que permite o seu uso por terceiros respeitando os direitos conexos. Sintomático da eficiência e pragmatismo cada vez maiores deste novo mundo árabe. Por alguma razão, na sua primeira grande entrevista, o Presidente americano Barack Obama tenha focado a sua atenção, não nos americanos, nem nos europeus, nem sequer em Israel, mas no mundo árabe.

26 de janeiro de 2009

O fecho de Guantanamo


Fechar Guantanamo é essencial, é uma promessa, mas não é fácil e Barack Obama tem um problema nas mãos que vai demorar algum tempo a resolver.
Já houve alguns sinais positivos. Mas também alguns recuos.
E percebe-se porquê.
Primeiro que tudo, a Al-Qaeda não quer o fim de Guantanamo. O fecho da prisão, criada em 2001 pelos Estados Unidos, significa perder uma das bandeiras de propaganda anti-americana. Por isso, fez questão de mostrar com orgulho ao mundo dois homens que foram libertados e que se juntaram às suas fileiras.
Mas sobretudo, é difícil por razões jurídicas.
Quando os EUA invadiram o Afeganistão começaram a juntar prisioneiros com o argumento principal de que estes podiam ter informações valiosas sobre a Al-Qaeda que pudessem levar à captura de Osama Bin-Laden. O então Secretário de Estado da Defesa, Donald Rumsfeld, idealizou Guantanamo para "os piores entre os piores".
Guantanamo fica na baía onde em 1492 Cristóvão Colombo aportou e a área da base foi arrendada pelo governo norte-americano no princípio do século XX. Mas o governo de Fidel Castro que recebe anualmente um cheque, não o deposita, para que alegadamente não haja reconhecimento do contrato e da situação.
Foi esta situação legal nebulosa que atraiu Rumsfeld, pois Guantanamo não sendo oficialmente território norte-americano, aí os prisioneiros das Forças Armadas dos EUA não estariam protegidos pelo sistema legal do país. Nem pela Convenção de Genebra, que estabelece direitos para os combatentes inimigos, pois para o Pentágono, "combatentes inimigos" são soldados ou guerrilheiros que seguem e respeitam, eles próprios, as regras impostas por Genebra. Terroristas não as seguem, portanto, não estão abrangidos pela Convenção. Os prisioneiros de Guantanamo estariam, assim, num vazio legal, não tendo nenhum direito.Justificações que, embora inadmissíveis moral e juridicamente, têm sido invocadas pelos Estados Unidos da era Bush.
Com efeito, uma das maiores conquistas do Ocidente é reconhecidamente o Estado de Direito. Não se pode abandonar o Estado de Direito invocando que para defende-lo vale tudo. Guantanamo é ilegal e o Pentágono tem estado errado. O próprio Supremo Tribunal dos EUA, em 2008, determinou que os prisioneiros aí colocados tinham direito de questionar as suas detenções num tribunal civil e que estavam sob a jurisdição da Constituição dos EUA. Ou seja, ficou claro que tinham direitos.
As premissas legais do Pentágono estavam erradas e, portanto, muito do que ocorreu em Guantanamo pode vir a prejudicar a condenação em tribunal de muitos detidos.
Além de que, ao contrário do que Rumsfeld invocou, a maioria dos prisioneiros foi entregue aos EUA por afegãos e paquistaneses em troca de recompensas. Ou seja, não eram os "piores entre os piores".
Como o próprio governo Bush acabou por reconhecer só menos de 20% dos detidos em Guantanamo tiveram relação com a Al-Qaeda.
Finalmente, a questão da tortura, cujas acusações de grupos como a Cruz Vermelha Internacional e a a Human Rights Watch nunca foram negadas.
Como é sabido, provas angariadas sob tortura são inadmissíveis perante um tribunal, pelo que para conseguir condenar homens que muito provavelmente são culpados, mas que foram torturados, não vai ser fácil. Alguns juristas argumentam mesmo que, dadas as características ilegais da prisão, qualquer prova aí angariada deve ser recusada em tribunal.
Resolver legalmente todos os processos dos cerca de 300 prisioneiros existentes vai demorar tempo.
Sem esquecer que alguns destes homens, mesmo aqueles que nada sabem sobre a Al-Qaeda e não passam de "soldados rasos", ao serem "devolvidos" aos seus países de origem, serão presos, torturados e provavelmente mortos. E nos termos da lei internacional, se houver indícios de que isso possa acontecer, os EUA são obrigados a oferecer asilo ou encontrar um país que ofereça asilo.
Este é o problema de Barack Obama.
Os prisioneiros, mesmo os menos culpados, não podem voltar para casa. Os mais culpados poderão não ser condenados, pois as provas angariadas poderão ser ilegais.
Não é fácil fechar Guantanamo e poderá demorar a fechar. Mas acredito que fechará. Para bem da Justiça e do respeito pelo Direito. Guantanamo não era solução. Foi um erro. Moral e jurídico. Que tem de ser corrigido.

25 de janeiro de 2009

Barry Lyndon

Barry Lyndon, 1975, Stanley Kubrick
Ryan O'Neal e Marisa Berenson
Música: Franz Schubert - Piano Trio em E Flat Major D929 Op.100
A melhor cena de sedução da história do cinema.

O meu olhar


O meu olhar é nítido como um girassol. 
Tenho o costume de andar pelas estradas 
Olhando para a direita e para a esquerda, 
E de, vez em quando olhando para trás... 
E o que vejo a cada momento 
É aquilo
que nunca antes eu tinha visto, 
E eu sei dar por isso muito bem... 
Sei ter o pasmo essencial 
Que tem uma criança se, ao nascer, 
Reparasse que nascera deveras... 
Sinto-me nascido a cada momento 
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer, 
Porque o vejo.  Mas não penso nele 
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele 
(Pensar é estar doente dos olhos)                   
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... 
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, 
Mas porque a amo, e amo-a por isso, 
Porque quem ama nunca sabe o que ama 
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ... 

Amar é a eterna inocência, 
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro, O Meu Olhar, em O Guardador de Rebanhos
 

24 de janeiro de 2009

Why Sould I Care, Diana Krall



Cinema Alvalade


(Fotografias sem data produzidas durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983 lickr Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian)


O novo Cinema Alvalade, em Lisboa, reabriu quase 25 anos depois de ter encerrado, num novo edifício projectado pelgabinete RRCRS, no mesmo local, transformado em quatro salas, mas com o fantástico painel que o caracterizava, uma alegoria à sétima arte da autoria da pintora Estrela Alves de Faria, com sete metros de cumprimento por cinco de altura. 
A reabertura de um cinema de rua é uma excelente notícia, possível graças à New Lineo Cinemas que pretende oferecer uma programação constituída, por cinema mais independente e alternativo. Projectado em 1945 pelo arquitecto Lima Franco, o Alvalade foi inaugurado em 1953, tendo encerrado como cinema em 1985 e depois sido utilizado pela Igreja Universal do Reino de Deus para os seus cultos. O edifício acabou por ser demolido em 2003. Tenho excelentes recordações do antigo cinema Alvalade. Assisti a muitos e muitos filmes sobretudo na primeira fila do primeiro balcão, durante toda a minha infância e juventude. Foi no Alvalade que, sozinho com o meu irmão, fui pelas primeiras vezes ao cinema sem os meus pais. Foi lá que vi algumas das comédias italianas de Dino Risi.

23 de janeiro de 2009

The Big Picture

(January 20, 2009 in Guantanamo Bay, Cuba, Brennan Linsley-Pool/Getty Images)

Fantásticas estas fotos do blog The Big Picture, do The Boston Globe.

22 de janeiro de 2009

Gran Torino

"So tenderly your story is
nothing more than what you see
or what you've done or will become
standing strong do you belong
in your skin; just wondering
                                                     (...)"


Vi hoje "Gran Torino", o último filme de Clint Eastwood. É a história da redenção de um homem azedo, solitário, conservador, preconceituoso, mas coerente, solido nas suas convicções, que acaba de perder a sua mulher e que ao aproximar-se de uma família coreana, que vive na casa ao lado da sua, vai mudar a sua vida. Sentindo-se mais próximo dessa família do que dos seus próprios filhos e netos. É como se adoptasse e fosse adoptado. Até que acontece uma tragédia que a polícia é incapaz de resolver e como em tantos filmes de Clint, surge o momento em que é preciso desbloquear a impotência da lei. E é nessa altura que surge a sua redenção da maneira mais inesperada possível. "Gran Torino" é um filme tenso, envolvente, sólido, sensível, bonito, com uma excelente interpretação. Dos melhores filmes de Clint. Que, ainda, canta com Jamie Cullum, o lindíssimo tema final, da sua autoria e do seu filho. Como o cinema seria diferente se houvesse mais Clint Eastwood.

Sam Taylor-Wood







Sam Taylor-Wood  já filmou uma sesta de David Beckham e já venceu o Turner Prize em 1997. Mais tarde, a fotógrafa e realizadora britânica de 41 anos fez "Crying Men", um impressionante conjunto de retratos de actores que aceitaram chorar em frente à câmara: entre eles, Benecio Del Toro, Ed Harris, Sean Penn, Gabriel Byrne, Kris Kristofferson e Daniel Craig.
Participou, ainda, na Bienal de Veneza, o ano passado fez a curta "Love you more", que passou em Cannes e no nosso Festival de Vila do Conde e está, neste momento, a preparar "Nowhere Boy", um filme que vai contar a vida de John Lennon, com Kristin Scott Thomas. 
Pelo caminho,  fez uma “cover” do clássico dos The Passions, “I’m In Love With a German Film Star”, produzida pelos Pet Shop Boys que se pode ouvir aqui e cujo video mostra a própria num estilo Marlene Dietrich. 
A Direcção Geral das Artes possui uma obra sua, das cerca de 60, que fazem parte do seu acervo, que infelizmente não está exposta.
Gosto da sua versatilidade, do seu bom gosto, da sua irreverência, da intimidade das suas fotografias e da emoção que transmitem. O conjunto de retratos de homens a chorar impressiona-me especialmente. 

21 de janeiro de 2009

Green Gym










A Green Gym

  é uma forma de ginástica ao ar livre idealizada há 10 anos pela British Trust for Conservation Volunteers. É uma ginástica ecológica e, ao mesmo tempo, uma forma de voluntariado e contributo social. A Green Gym destina-se àqueles que querem manter-se em forma, gostam da natureza, mas detestam ginásios. É para eles que especialistas em ambiente e educação física definem os "esquemas" de jardinagem a pensar nos movimentos de aquecimento, de alongamento, de treino cardiovascular e de relaxamento. Os parques ingleses supervisionados por esta instituição estão, segundo dizem, impecavelmente cuidados e os voluntários plenamente em forma. As sessões duram 3h e qualquer pessoa se pode inscrever. Os bons exemplos são para seguir.

20 de janeiro de 2009

Presidente Barack Obama e "The rock"


"Com esperança e virtude vamos enfrentar as tempestades que aí vêm" 
"Temos responsabilidades para connosco, para com a Nação, para com o Mundo"
"Um novo caminho baseado num interesse e respeito mútuos" 
"Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus e daqueles que não têm religião" 
"Vamos devolver o Iraque aos seus cidadãos e conseguir a paz no Afeganistão"
"Rejeitamos a escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais"
"O tempo de proteger interesses e adiar decisões desagradáveis passou"
"Este juramento foi prestado com nuvens de tempestade sobre o horizonte" 
"Desafios graves que não vão ser facilmente enfrentados, mas que vão ser resolvidos"

Gostei do discurso, da forma, da cerimónia. Comprovei o enorme carisma, habilidade, presença, força de Barack Obama e também a importância nisso tudo de Michelle, a quem o novo presidente chama "The rock".
A esperança é enorme, a missão gigantesca. A necessidade de juntar todas as forças e capacidades, imprescindível. A importância de ser sólido, resistente e consistente, determinante. A cumplicidade essencial.
Para já, os sinais são bons, vamos ver os resultados.

The Sartorialist

(The Sartoralist, On the Street.....Slim Accessorized, Florence, janeiro 2009)


The Sartorialist é um blog fantástico de fotografia e moda do norte-americano Scott Schuman, que em Setembro promete lançar um livro com o mesmo nome com 500 páginas de imagens tiradas pelo mundo, repletas de estilo e subtis comentários.

19 de janeiro de 2009

Restaurante Panorâmico de Monsanto

(fotografias de João Brito Geraldes, Arquivo Municipal de Lisboa)


Em mais uma iniciativa positiva, os Cidadãos por Lisboa vão apresentar uma Proposta que visa encontrar um destino para o Restaurante Panorâmico de Monsanto.
Uma das hipóteses é que a reabilitação do edifício de 1968, da autoria do arquitecto Chaves da Costa, há anos abandonado e com o interior bastante danificado, seja paga pelas verbas do Casino Lisboa.
O edifício, propriedade do muncípio de Lisboa, com 7 mil metros quadrados integra várias obras de arte, como painéis e altos-relevos de artistas como Querubim Lapa e está classificado como imóvel de valor concelhio.
De restaurante a discoteca, têm sido vários os seus destinos, mas por razões diversas, há quase 10 anos que se encontra fechado. Ideias para o local também têm sido muitas: desde Observatório do Ambiente a sede da protecção civil e dos bombeiros. Mas resultados, nenhuns.
Eu pensaria na extensão de um museu, como o Museu do Chiado, que há anos não consegue encontrar uma solução que lhe permita expor o enorme acervo de arte contemporânea de 1850 à actualidade, que tem guardado nas suas reservas. Já se pensou no alargamento para as instalações do Comando da PSP, no Chiado e até na criação de um pólo/extensão na Gare Marítima de Alcântara. Mas todas as hipóteses fracassaram.
Esse pólo seria desenvolvido/gerido pelo Ministério da Cultura e pela Câmara de Lisboa e dele fariam parte igualmente um restaurante, uma cafetaria, uma loja e uma pequena sala de conferências/auditório, que permitissem criar um equipamento moderno e atractivo que valorizasse e divulgasse este edifício singular. Com esses objectivos, seria criada uma rede de autocarros gratuitos que partiriam do Marquês de Pombal e celebrados protocolos, nomeadamente, com o Turismo de Lisboa e com o Ministério da Educação. O projecto de recuperação, para além do Instituto dos Museus e da Conservação e do Departamento de Cultura da CML, seria acompanhado pela Ordem dos Arquitectos, de forma a respeitar o mais possível a traça existente. O financiamento podia ser feito, como é proposto, em parte com verbas do Casino Lisboa que cabem ao município e o restante por verbas do Ministério da Cultura.

Vitrine


Curiosa intervenção de Joana Vasconcelos no nº 12 da Rua do Alecrim, que se encontra em reconstrução para instalar um hotel. Os materiais são os mesmos da cobertura, as ráfias, e as técnicas utilizadas na construção, a tecelagem e o croché. Vitrine faz parte do Projecto Artbuilding que promove a criação de arte pública em tapumes de edifícios em construção ou reconstrução.
Até ao momento, o ArtBuilding desenvolveu três projectos de intervenção em tapumes, o primeiro da autoria de Tiago Batista (War/Work), o segundo de Lucas Milà (Peek to Heaven) e este de Joana Vasconcelos.

17 de janeiro de 2009

A foto do Twitter

A fotografia foi tirada pelo empresário norte-americano Janis Krums, através do seu iPhone, poucos minutos depois do "US Airways 1549" ter caído no rio Hudson. A particularidade é que ela foi tirada antes da imprensa chegar e enviada imediatamente para o Twitpic, um serviço de publicação de fotos que é integrado ao Twitter. A foto, teve imediata repercussão e constitui uma das melhores imagens sobre o acidente. Só passado cerca de meia hora a MSNBC chegou ao local tendo, pouco depois, feito uma entrevista com Krums. Ou seja, o Twitter como outras redes (flickr, orkut) constituem, cada vez mais, uma fonte de informação privilegiada, única, a que os jornalistas e todos em geral devem estar atentos. Krums não enviou a foto para nenhum jornalista. Ele tirou a fotografia com o seu telefone e enviou-a para a sua rede de contactos com quem troca mais informações no dia-a-dia. É uma nova fase da informação. Estas redes de partilha reúnem as primeiras imagens e os primeiros relatos para depois a imprensa "tradicional" desenvolver a informação, com mais detalhe, melhor edição e organização. A aterragem espantosa do US Airways 1549 revela que a coexistência deste tipo de informação é possível e que existe complementaridade. Entrámos numa nova fase da informação.

16 de janeiro de 2009

Atlas Urbano Europeu

De acordo com o "Publico", a Comissão Europeia vai lançar este ano um “Atlas Urbano” com 185 cidades dos seus 27 Estados-membros, de forma a que os planeadores urbanos possam dispor de dados actualizados sobre os usos e ocupação dos solos num vasto conjunto de grandes e pequenas cidades europeias.
O “Atlas Urbano” vai disponibilizar mapas digitais, compilados a partir de milhares de fotografias de satélite, que permitirão uma melhor avaliação de riscos, oportunidades e necessidades.
Na versão do atlas deste ano, cuja lista de países pode ser vista aqui, estarão cobertas sete cidades portuguesas: Aveiro, Braga, Coimbra, Funchal, Porto, Setúbal e Lisboa.
Até 2011, ficará disponível uma classificação pan-europeia das zonas urbanas (áreas com usos de tipo semelhante), permitindo comparar informação sobre densidade de áreas residenciais, zonas comerciais e industriais, extensão das áreas verdes ou acompanhamento da expansão das manchas urbanizadas, o que é importante, por exemplo, para o planeamento dos transportes. Muito útil nos tempos que correm.

15 de janeiro de 2009

Apple sem Jobs?


Steve Jobs por razões de saúde deixará de ser CEO da Apple. 
Esta saída de cena, em principio temporária, servirá para provar se a Apple consegue ir além do seu fundador.
Desde os anos 80, a Apple tem sido conhecida por adoptar uma gestão carismática e arriscada. Uma gestão personalista que tem funcionado e que não funciona em qualquer empresa. Um tipo de gestão em que fundador e empresa se confundem. Apple e Steve Jobs são quase uma coisa só.
Não é por acaso que, quando a Apple anunciou que Jobs não faria a sua tradicional apresentação na
MacWorld de 2009, as acções da empresa caíram 7% e esta semana com o anúncio do seu afastamento, as acções chegaram a cair 10%.
Neste momento, os investidores e os fans da Apple estão preocupados, tanto mais que existe um vazio sobre quem será o sucessor de Steve Jobs, uma vez que, publicamente, a empresa não revelou se existe um plano de sucessão.
2009 será, assim, um ano crucial para o futuro da Apple e ajudará a demostrar se a empresa funciona sem o seu mentor.

Simplesmente Reflexões

Jorge Sampaio fez publicar, esta semana no DN, um texto com o título "Cinco Reflexões sobre os desafios de uma estratégia nacional", relativamente ao qual estou genericamente de acordo, mas que não deixa de constituir uma desilusão vindo do homem que foi Presidente da República durante 10 anos e que teve influência decisiva no desenho politico que vivemos actualmente.
O artigo é uma visão correcta do nosso país e da nossa realidade, é intelectualmente honesto, sincero, acertado, mas denota uma melancolia, uma visão complacente, contemplativa e um pouco passiva, dos defeitos que nos impossibilitam de mudar e crescer.
E, desde logo, do que nos impossibilita de melhorar e reformar: a incapacidade da classe dirigente e sobretudo da classe politica.
Sampaio conviveu, enquanto Presidente, com quatro primeiros ministros, dezenas de ministros e centenas de deputados, e a sua visão é de analista, é de outsider, não é de quem interveio activamente na vida politica.
É certo que nos 10 anos em que foi Presidente, Sampaio terá tido o seu momento histórico com a demissão de Pedro Santana Lopes. De resto, foi um Presidente reflectivo e não interventivo. Que os Portugueses aceitaram sem grande entusiasmo.
As suas "Reflexões" actuais, neste momento tão especial, tão difícil, não indicam nenhum caminho concreto, nenhuma contributo efectivo para melhorar, ficando-se por louváveis generalidades.
Pelo estatuto e pelo passado de Jorge Sampaio deviam ser mais mobilizadoras, mais efectivas, mais contundentes, mais incisivas, mais concretas, mais criticas.
Nesta altura de crise, de fraqueza, de ineficácia, de desordem, resignar, ceder, abdicar, desmobilizar não é o caminho.
É essa resignação que tem sido a causa da inércia e da ineficácia.
Por isso o texto de Jorge Sampaio decepciona.
Se um homem com 69 anos, com o percurso politico de Sampaio, numa altura como a que vivemos, só tem isto a dizer, significa que falta muito à nossa politica para que acreditemos que as coisas podem melhorar.

“Welcome to our city—to our world—of books. This is where we live"


This Is Where We Live from 4th Estate on Vimeo.

14 de janeiro de 2009

Pavilhão de Portugal

O Pavilhão de Portugal continua sem o destino que merece. 
O ex-libris da Expo 98 é a imagem que define o País. Grandioso na aparência, vazio por dentro. Sem uso. Sem destino.
Tantas e tantas vezes acontece isto: projectamos em grande - só assim é que vale a pena - exigimos o melhor, esprememos o autor, o projectista, o construtor, não nos preocupamos com custos - alguém há-de pagar - e depois não sabemos o que fazer com o que temos. 
Construímos das pontes mais bonitas da Europa e passados 10 anos entendemos que apesar de não estar ainda paga e muito longe de esgotada, devemos construir outra ainda melhor. Construimos dos melhores estádios de futebol da Europa e apesar de estarem com 1/5 da sua ocupação, passados 5 anos, pensamos em construir outros e adaptar os construidos, de forma a organizar um mundial de futebol. Construímos museus e não temos colecções publicas para os ocupar. Construimos pistas de atletismo, piscinas, campos de futebol e deixa-mo-los fechados e sem uso durante anos.
Portugal é isto: construir e depois não saber usufruir.
Projectos grandiosos, construções de destaque e depois esquecimento. Investimentos gigantescos atirados à rua. Enquanto isso, muitas das reformas estruturais permanecem por fazer. E perdemos um tempo infinito a criticar e destruir o pragmatismo e bom senso dos outros.
Custa ver o Pavilhão de Portugal ser utilizado para festas de casamentos e baptizados. Já houve várias propostas para dar um destino mais digno à obra de Siza Vieira, desde esta a esta. Mas até agora nada. 
Continuamos sem saber rentabilizar o que construimos. Continuamos a ter um edifício fantástico cuja maior utilidade é aparecer em fotografias. O Pavilhão de Portugal é o símbolo de Lisboa e do País em que vivemos: aparentemente grande, verdadeiramente pequeno.

13 de janeiro de 2009

Ela





Afinal

Afinal o país está em recessão, afinal o PS quer eleições legislativas mais cedo, afinal o Orçamento de Estado contém erros e é insuficiente.
Tudo o que o PS, o Governo e o Governador do Banco de Portugal têm dito nos últimos tempos que não existia, afinal existe.

Arte nos hotéis de Roma


Após a iniciativa do Guggenheim de New York, que ofereceu a possibilidade de dormir uma noite no interior do museu, mais de 2.500 quartos dos melhores hotéis de Roma terão a assinatura do grande artista italiano.
A iniciativa é parte do acordo entre o 
Modigliani Institut Archives Legales Paris-Rome e a Federalberghi Roma, para incentivar o turismo cultural e sensibilizar a opinião pública, italiana e internacional, a favor da criação da Casa Modigliani.
O acordo, no âmbito das iniciativas do Ano Modigliani 2009, prevê ainda que no hall de mais de 30 hotéis de 4 e 5 estrelas existam áreas de exposição com reproduções autênticas das obras de Modigliani, além de documentos, cartas e fotos.
A Casa Modigliani, uma iniciativa cultural que será financiada totalmente pela iniciativa privada, tem como maior objectivo, criar em Roma um espaço onde expor com frequência o património dos Arquivos de Modigliani realizando exposições, seminários e cursos.