27 de fevereiro de 2009

Broadway Boulevard

O Mayor de Nova York, Michael Bloomberg, decidiu fechar a partir de Maio parte da Broadway, entre as ruas 47 e 42, para transito de automóveis. O objectivo é transformar a Times Square num grande shopping center a céu aberto, com a avenida repleta de mesas de bar, pequenas lojas, quiosques para venda de bilhetes de teatro, pontos para aluguer de bicicletas e muitos turistas a passear. O fecho da famosa avenida é, por enquanto, a título experimental. Mas, se resultar, poderá tornar-se permanente. 
O projecto de Bloomberg para o centro de Manhattan, que adoptou o nome de Broadway Boulevard é, contudo, ainda mais ambicioso: se tudo der certo, em 2010, também o trecho entre a rua 47 e Columbus Circle vai ser fechado ao trânsito, conforme se pode ver aqui.

Scintillation



"A New Era of Responsibility"


A fazer fé neste documento apresentado ontem, que constitui o primeiro projecto de orçamento americano para 2010, o presidente Barack Obama, aparentemente não mentiu quando prometeu “mudança”.
Lá como cá, a tendência tem sido sacrificar aqueles onde é mais fácil ir buscar receitas: os contribuintes da classe média, com emprego dependente. 
Obama, aparentemente propõe uma inversão, penalizando os mais ricos. Assim, por exemplo, os americanos que recebem mais de 250 mil dólares por ano terão de pagar mais impostos. Tal como os agricultores que ganhem mais de 500 mil dólares por ano que verão os seus subsídios reduzidos, de forma a incentivar o investimento em energias alternativas. Por seu lado, as empresas petrolíferas cujos lucros subiram apesar das condições do mercado, também terão de pagar mais "royalties". O Departamento de Segurança Interna, que tinha visto o seu orçamento crescer brutalmente com Bush depois do 11 de Setembro, sofrerá cortes. 
Tudo isto, de forma a ser possível aumentar o número de americanos que passarão a desfrutar da cobertura pública de saúde. Recorde-se, que Obama quer dobrar o financiamento de pesquisa sobre o cancro.
Quanto ao Departamento de Estado, terá um orçamento maior como queria Hillary Clinton de maneira a poder concretizar-se a prometida mudança da diplomacia americana, depois de anos de unilateralismo. Terão reforço de recursos também os programas de assistência internacional, nas áreas de saúde, desenvolvimento, contenção de armamento e luta contra o terrorismo.
Uma das áreas que receberá fortes isenções fiscais e incentivos é a do ambiente, nomeadamente na chamada “energia limpa”. Obama espera que a criação de “empregos verdes”, seja vital para a recuperação económica do país.
Sobre o tema vale a pena ler este artigo do New York Times.


PS. Estamos em Fevereiro de 2009 e 1 mês depois da eleição de um novo Presidente.

26 de fevereiro de 2009

TVI24




A TVI lançou o seu canal de notícias 24 horas por dia. Numa altura em que a SIC Noticias perde cada vez mais a qualidade, a irreverência e a imparcialidade que a caracterizaram de início, e em que a RTPN não consegue marcar a diferença e impor-se verdadeiramente, surge um canal que pelas primeiros minutos de emissão, pela apresentação de Henrique Garcia, pelo ritmo e pelo design, se vai impor e marcar a diferença. E, de certo, confirmar que não há espaço para um quinto canal. Ou será exactamente essa a razão para o quinto canal?...

Heimo Zoberning



cardboard / crate

Heimo Zobernig, sem título, 2001

cartão / caixa de madeira

180 x 70 x 90 cm


Gostei muito da exposição de Heimo Zobernig que está no CAM organizada em conjunto com a Tate St. Ives e comissariada pelo Jürgen Bock. As obras da colecção do CAM que estão expostas foram seleccionadas por Zobernig e juntam-se aos seus próprios projectos e a obras da Tate. Tudo apresentado de uma forma muito original, muito aberta, num espaço muito amplo.
Há uns anos atrás, surgiu a ideia de Zoberning realizar uma intervenção de arte pública na Alta de Lisboa. A ideia partiu do Jürgen e foi acolhida com entusiasmo por mim e por João Luís Carrilho da Graça.
Pode ser que Lisboa consiga ter uma obra de arte contemporânea deste austríaco que gosta de arquitectura, de Lisboa e de desafios.

Quarter Duke



Duke Ellington, é o mais recente rosto das moedas de 25 centavos norte-americanas, as quarter
É o primeiro negro a consegui-lo. Nem Martim Luther King, nem Muhammad Ali, nem Jesse Owens.
Duke sempre foi bem visto pela sociedade branca, que ao longo de gerações tem consumido a sua música elegante e alegre, mas só agora com um presidente negro, ocorre esta "conquista" no mais importante símbolo norte-americano: o dinheiro. 
Duke Ellington nasceu em Washington e isso poderá ter contado. Louis Armstrong é mais conhecido e provavelmente mais representativo para o jazz do que Ellington, mas é de New Orleans. Whatever... A eleição de um presidente negro simboliza uma nova era e o mais provável é que venha a desencadear um processo de valorização da raça negra. Ainda bem que neste caso o escolhido foi um artista, e sobretudo, um homem do jazz. Todos aqueles que gostam deste estimulante tipo de música, entre os quais me incluo, ficam honrados com tal distinção.

Optimismo

Ian Thiermann, é americano, tem 90 anos e perdeu todas as suas economias, cerca de 700.000 dólares por causa de Bernard Madoff. Em consequência, teve de voltar a trabalhar num supermercado, após 30 anos de reforma, auferindo 10 dólares por hora, como mostra esta reportagem da CBS. O proprietário do estabelecimento diz que Thiermann é um funcionário exemplar, nunca reclamando. Nos anos 30, a família de Thiermann perdeu tudo na Grande Depressão e por isso o lema deste homem é optimismo: as coisas acabam sempre por melhorar.


25 de fevereiro de 2009

Gostei do nome


A quem interessar, este "Ti voglio tanto bene" está à venda por 12.950.000 euros. Construído em 2007 pelos estaleiros Isa, em Itália, tem 41.6 metros de comprimento, pode levar 8 pessoas e mais 5 tripulantes. A cabine VIP, actualmente transformada em ginásio, pode facilmente ser convertida na sua versão original, removendo os aparelhos e recolocando a mobília. A velocidade máxima é de cerca 33 nós, graças ao embalo garantido pelos dois propulsores de 3750 hp.

Mais detalhes aqui.


Prioridades

"A questão dos direitos humanos não pode interferir na crise económica global, na crise da mudança climática global e na crise de segurança." 
HILLARY CLINTON, Secretária de Estado dos EUA, ao justificar a necessidade de aproximação à China, a despeito das violações dos direitos humanos patrocinadas por Pequim.

24 de fevereiro de 2009

Olha


O melhor para a renite alérgica



Pica-se bem o gelo. Cortam-se duas limas em quartos, colocam-se dentro de um copo baixo (tipo whisky), junta-se açúcar e esmaga-se tudo muito bem com um pilão. Junta-se a cachaça e só depois o gelo. Mexe-se bem com duas palhinhas. Se necessário junta-se mais açúcar ou cachaça a gosto. Aqui é especial. É uma óptima alternativa ao zyrtec.

Muito mais que carnaval



Luma de Oliveira regressou ao Carnaval do Rio desfilando pela Portela.
A musa, rezam as crónicas, apareceu esplendorosa e confirmou perante a multidão e o Presidente Lula da Silva que está em plena forma aos 44 anos.
Carnaval é no Brasil. Mas o Brasil é cada vez mais, muito mais que samba, futebol, caipirinha e carnaval.
É o maior produtor de etanol do mundo e é hoje auto-suficiente em petróleo. Possui o maior caudal mundial de água potável. A venda de medicamentos genéricos chegou aos 588 milhões de dólares. E prevê-se, para o ano, um crescimento de 20% na industria farmacêutica. Em 2008, o superavit comercial foi de 22 mil milhões de dólares e, até, foi bastante inferior ao do ano anterior.
No plano social, o número de empregados subiu, assim como o número de pessoas a estudar e o número de adultos a profissionalizar-se e baixou a violência.
O Programa de Aceleração de Crescimento para o triénio 2007/2010 prevê investimentos de mais de 170 mil milhões de reais (cerca de 37 mil milhões de euros) nas áreas social e urbana, e de mais de 58 mil milhões de reais (cerca de 20 mil milhões de euros) em transportes e logística.
No imobiliário, o crescimento tem sido gigantesco. O crédito corresponde a 1,5% do PIB.
Os 7 mil km de praias aparentam ser um filão ainda muito por explorar.
Decisiva para este crescimento tem sido a estabilidade política e o facto de ser uma democracia. O que, na América do Sul é quase inédito. E dos BRIC é também o mais democrático, onde existe uma imprensa livre e plena liberdade de expressão e manifestação. O Brasil é cada vez mais um exemplo.

23 de fevereiro de 2009

Acto licito ou ilicito?

O administrador da Bragaparques acusado de tentar corromper José Sá Fernandes, através de Ricardo Sá Fernandes, foi hoje condenado pelo Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, a 25 dias de multa a 200 euros cada, totalizando cinco mil euros, pelo crime de corrupção activa para prática de acto lícito.
O Ministério Público tinha pedido a condenação, com pena suspensa, de Domingos Névoa, por corrupção activa para acto ilícito, facto que o tribunal acabou por dar como não provado, considerando no acórdão que o empresário não quis que José Sá Fernandes "violasse os seus deveres como vereador".  O crime de corrupção activa para acto lícito, é punido no art.º 373º do Código Penal, em abstracto, com uma pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias.
Pena idêntica à do crime de condução com álcool a mais. Ou sem carta... 
A pena aplicada a Domingos Névoa é assim aceitável face à moldura penal prevista em abstracto, embora possa parecer branda. O Tribunal deu como provado o crime de corrupção, mas enquadrou apena nos limites mínimos da mesma previstos no Código Penal. Quer o Código Penal, quer o Código de Processo Penal foram alterados na presente legislatura.
Sempre considerei este caso estranho: a participação do irmão; a tentativa em si; os meios de prova utilizados; o excessivo protagonismo de Sá Fernandes; o atraso no outro processo. O julgamento foi igualmente estranho sobretudo o pedido final do Ministério Público de pena suspensa. E o acórdão e as reacções finais do Vereador voltam a ser estranhas. Quem tenta corromper com 200.000 euros, é condenado a pagar 5.000 euros. Ninguém entende. E ainda falta o recurso.

Óscares


Noite de Óscares pela madrugada com apresentação do estreante australiano Hugh Jackman. Palco mais pequeno e os candidatos mais próximos na plateia. Óptimos os momentos musicais, especialmente a parte com Anne Hathaway. Lembrança dos nomes que faleceram desde a última cerimónia: Charlon Heston, Sydney Pollack, Richard Widmark e Paul Newman são alguns dos lembrados com emoção.

Os prémios de interpretação são os momentos especiais. Marion Cotillard, Melhor Actriz em de 2008, vem acompanhada de Shirley MacLaine, Halle Berry, Sofia Loren e Nicole Kidman para entregar o Óscar a Kate Winslet, por “O Leitor”. É a rainha da noite. Na sala houve-se o assobio do pai.

Sean Penn recebe o segundo Óscar da sua carreira, por “Milk” e no discurso aproveita para defender “direitos iguais para todos”. Apresentado por Robert de Niro, Penn menciona a eleição de Barack Obama e saúda o regresso do "irmão" Mickey Rourke.Nos secundários, Penélope Cruz vence e o australiano Heath Ledger, falecido há um ano, também. O discurso de agradecimento da família é emocionado, emocionante, de grande dignidade.

O filme japonês “Departures” é uma das surpresas da noite. Não era considerado favorito para Melhor Filme Estrangeiro, vencendo as principais apostas, em especial “Valsa com Bashir”. “Quem Quer Ser Um Milionário?”, é o grande vencedor da noite com 8 estatuetas, incluindo a de Melhor Filme, fazendo do meu favorito, "O Estranho Caso de Benjamin Button", o grande perdedor. É, apesar disso, a melhor cerimónia dos últimos anos.

22 de fevereiro de 2009

Uma porcaria de Bairro Alto


Almoço no Bairro Alto num dos poucos restaurantes abertos, o Esperança, na Rua do Norte. De comida portuguesa estão todos fechados.
Passeio pelas ruas e fico impressionado com a sujidade e sobretudo com a proliferação de graffitis e tags. São quase todos muito maus, sem nexo, sem qualidade, sem sentido. Em muitos casos, uns por cima dos outros, desrespeitando-se.

Relembro algumas intervenções feitas com sucesso há meia dúzia de anos. Já esquecidas. Já comprometidas.

E penso nas promessas feitas em Maio de 2008 que em Setembro passado se iria inverter este caos urbano, este desmazelo, esta violação grotesca do espaço publico. Promessas que não foram de todo cumpridas.
Gosto de graffitis e tags enquanto forma de arte pública ou enquanto manifesto, mas o que impera no Bairro Alto é desmazelo e marginalidade. E crime, nos termos do Código Penal. Fingirmos que não é, só piora as coisas.
Sobre o tema vale a pena ver este interessante post.

A calçada

(Foto de Judah Benoliel, 1959, Avenida da Liberdade, Arquivo Municipal)




 (alguns exemplos de calçadas em Belém, Largo de Camões, Terreiro do Paço e Restauradores, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em Lisboa, o pavimento mais comum dos passeios é a denominada calçada portuguesa. 
É original, é bonito, é permeável à chuva, mas nem sempre é particularmente cómodo e frequentemente apresenta-se pouco cuidado. É usual nos nossos passeios encontrarmos buracos, pedras levantadas, piso irregular. As razões são várias: carência de pessoal especializado, reduzida manutenção, constante abrir e fechar de valas, resultante de mau planeamento, deficiente preparação do solo, má qualidade dos materiais aplicados em especial das pedras. 
Sou adepto de se utilizarem, cada vez mais, novos tipos de pavimentos, que não implicando o desrespeito pela tradição da calçada, se mostrem mais duradouros, mais baratos e mais cómodos. Sobretudo em zonas novas da cidade.

Rua de S. José

(Fotografia de autor desconhecido, de 1900, Arquivo Municipal de Lisboa)

Na quinta-feira, passei pela Rua de S. José para ir ao fabuloso Hotel Britania, na Rua Rodrigues Sampaio, buscar uma amiga e tive o mesmo pensamento.
Porque não passeios mais largos, com menos estacionamento e piso melhor?
O PUALZE, cujo estudo prévio se pode ver aqui e que está em discussão pública até 7 de Março, prevê a requalificação da Rua de S. José, mantendo a circulação viária, mas criando condições de circulação e estadia para os peões (pág, 143, ponto 12). 
Ao pensar-se na criação de novos parques de estacionamento, poder-se-á eliminar estacionamento na Rua de São José e em parte da Rua de Santa Marta, aumentando a largura dos passeios. Com o tipo de comércio ainda existente, com pequenos restaurantes, mercearias e antiquários, o tipo de prédios, alguns lindíssimos, a curiosa Igreja de S. José dos Carpinteiros, poderá ser uma forma bem mais convidativa de chegar ao Largo da Anunciada, ao elevador do Lavra e depois às Portas de Santa Antão. Poderá ser uma boa oportunidade de Lisboa melhorar.

19 de fevereiro de 2009

Inveja


Uma equipa de cientistas japoneses conseguiu identificar a região do cérebro que controla a inveja. A pesquisa, que durou um ano e meio, estudou o comportamento de 19 pessoas. Durante a experiência, essas pessoas tiveram os cérebros monitorizados por aparelhos de ressonância magnética. Segundo o estudo, as pessoas invejosas sentem mais prazer com a desgraça alheia.
A descoberta permitirá entender melhor como funciona este mecanismo neurocognitivo, ajudando, assim, a prevenir e tratar este tipo de conduta.
Independentemente da aparente contradição de a ciência poder intervir com a ética e até com a moral, esta descoberta, a confirmar-se, permitirá combater esse sentimento tão português. A vida será seguramente melhor, mais feliz, mais produtiva. Antevêem-se novos tempos de progresso, de muito trabalho, de avanço, de sucesso. Será....?

18 de fevereiro de 2009

Mudança ou só charme

Na última edição da revista alemã Der Spiegel, o ministro dos negócios estrangeiros da Russia, Sergey Lavrov, um pouco surpreendentemente, fala da importância de se intensificar a cooperação com os EUA.
Mais ainda, o mesmo país que ainda recentemente ameaçava a Europa ocidental com cortes de venda de gás natural, fala agora em permitir que empresas alemãs possam a vir explorar as suas famosas reservas. 
A razão para esta operação de charme poderá ser a imprescindível popularidade. 
De acordo com as últimas sondagens, a popularidade do Presidente Dmitry Medvedev caiu nos últimos meses de 79 para 69% e a de Vladimir Putin passou de 81 para 74%. Esta descida poderá dever-se à crise económica que voltou a atingir o país, depois de alguns anos de dinamismo económico. 
Tudo é sustentado por dinheiro e o medo de que um movimento pró-democracia surja do caos económico é hoje cada vez mais real, receando-se que as manifestações nas ruas, até agora, apesar de tudo, raras, aumentem. O governo russo tem medo que as coisas mudem e por isso aposta no máximo controle possível da informação, na estabilidade económica e na estabilidade politica internacional que, de repente, se tornou decisiva. Além disso, na Casa Branca está outro presidente.

17 de fevereiro de 2009

"The American Recovery and Reinvestment Act" - uma oportunidade única

Barack Obama, acompanhado do vice-presidente Joe Biden, assinou hoje "The American Recovery and Reinvestment Act", o desejado pacote de recuperação de cerca de 800 mil milhões de dólares que, espera-se, impulsione a economia americana e, se tudo correr bem, a mundial.
O plano prevê a criação de milhões de empregos e o estímulo ao consumo. Antes de Obama chegar a Denver, no Colorado, onde o documento foi assinado, a Casa Branca colocou no ar o site www.recovery.gov, que permitirá ao comum dos cidadãos acompanhar a execução do plano. O pacote injectará recursos, nomeadamente, em projectos de infra-estruturas, saúde e energias renováveis.
Dos 800 mil milhões de dólares, cerca de 60 mil milhões, mais que o PIB de Cuba, vão ser gastos com o meio ambiente, em energias renováveis, na adaptação de edifícios para economizar energia, em sistemas de transporte "verdes", em cuidados com a água. A ideia é inaugurar novos mercados para incentivar
 a inovação, criando novos sectores industriais, menos poluentes, inovadores, agitando, assim, a economia.
Qualquer ambientalista americano, qualquer amigo do ambiente, vai ter agora grandes possibilidades de ver o seu projecto apoiado. Quem tiver ideias exequíveis, bons argumentos, olhar inovador, capacidade, vai ter uma oportunidade única de abandonar a teoria e posição cómoda de sugerir, de fiscalizar, de criticar, para ser acolhido pelo "sistema".
Uma oportunidade extraordinária de mudar a economia, um desafio para melhorar o ambiente, uma chance de criar um mundo melhor. Como irão reagir aqueles que, normalmente, são contra o sistema e estão fora deste, é a grande questão. 
Uma coisa é certa, "os verdes", os movimentos ecológicos, os defensores do ambientalismo, não voltarão a ser os mesmos. Se fracassarem, o mundo não lhes perdoará.

16 de fevereiro de 2009

slow motion

New York em slow motion, por Vicente Sahuc.

Assuntos com mais interesse

Em meados de Abril decorrerá em Londres mais uma reunião do G20. 
Com o objectivo de envolver, quer especialistas quer o cidadão comum, nos temas que deverão ser abordados, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown lançou há dias o site London Summit 2009
Vale a pena uma visita, para não nos esquecermos que há assuntos mais importantes que o que dizem (ou não dizem...) o Dr. Dias Loureiro, o Dr. Victor Constâncio, o Dr. João Rendeiro, o Dr. Santos Silva, o Dr...

Tribunais e Julgados de Paz

No dia 20 de Outubro de 2008, o português Paulo Silva conduzia, em Chester, na Inglaterra, um camião que embateu por trás no carro onde seguia a família Statham: David, 38 anos, Michelle, 33, e os filhos Reece, 13, Jay, nove, Mason, 20 meses, e Ellouise de apenas 10 semanas. Causou 6 mortes.
De acordo com a notícia do Público que pode ser vista aqui, o português foi hoje condenado a três anos de prisão, dos quais 18 de pena de prisão efectiva.
Não conheço os detalhes do processo, nem a prova que foi feita em Tribunal, por isso não me vou pronunciar sobre a medida da pena. Apenas registo a rapidez do processo: menos de 4 meses...
Em Portugal, um processo crime deste tipo demoraria, até ao julgamento, seguramente mais de um ano e meio. E muito provavelmente muito mais.
A semana passada estive uma hora à espera que chegasse a Juíza de um julgamento que respeitava a factos de 2000. A maior parte das testemunhas não se recordava com precisão dos factos ocorridos, sedo que a prova testemunhal era decisiva no processo. Todos os dias, há exemplos do mesmo género. Incumprimento de horários, enorme atraso na produção final de Justiça.
O enorme atraso da nossa Justiça contribui para o desânimo, para a falta de confiança, para o receio em investir, em reivindicar, em lutar por direitos, em castigar quem merece. Um país com uma justiça lenta é um país lento. é um país que não faz Justiça.
Além de ser desmotivante para quem ama e luta profissionalmente pela Justiça e pelo Direito
Sou cada vez mais, contra a opinião de muitos Colegas de profissão, defensor do recurso à mediação e aos Julgados de Paz, um meio alternativo, rápido e económico, de resolução de conflitos ao dispor dos cidadãos. Uma alternativa aos Tribunais.
Os Julgados de Paz são pequenos tribunais que podem ser utilizados, a custos reduzidos (cada parte paga, no máximo, 35 euros), para solucionar determinados conflitos. Não são precisos Advogados e o formalismo é muito menor. É tudo mais prático. Nem todas as áreas são possíveis. Mas questões de arrendamento, de condomínio ou de demarcação de terrenos, têm na mediação uma via alternativa.
Foram criados em 2002 e desde essa altura até ao mês de Janeiro de 2009, já deram entrada nos Julgados de Paz cerca de 25.000 processos.
Segundo o Gabinete para a Resolução Alternativa de Litígios (GRAL),  “não obstante o aumento do número de processos entrados anualmente, fruto da crescente procura por parte dos cidadãos, os Julgados de Paz têm mantido o tempo médio de resolução de conflitos de apenas dois a três meses”.
Prazos impossíveis nos Tribunais... portugueses, claro.