31 de março de 2009

Sliding House


Ross & Sally Russell queriam construir uma casa que interagisse com as diferentes estações do ano. Queriam disfrutar da luz do Verão e proteger-se do frio do Inverno. Ver os céus azuis do Outono e as árvores a florecer na Primavera. Para realizar o seu sonho, convidaram o atelier inglês DRMM para transformar o seu sonho em realidade. E o sonho transformou-se em realidade com esta Sliding House.

Constança


















ex-sogras

Há várias coisas na nova Lei do Divórcio com as quais não concordo, mas há uma que acho curiosa e que inevitavelmente merece apoio.
Até agora, o divórcio não acabava com as sogras, nem com outros afins.Isto é, a afinidade não cessava pela dissolução do casamento. Se houvesse vários divórcios ao longo da vida, haveria várias sogras e sogros e... cunhadas e cunhados. Podia nunca mais haver qualquer contacto, qualquer relacionamento, mas esse "estatuto" permaneceria ad eternum.
Com a entrada em vigor da Lei n.º 61/2008, de 31 de Outubro, que alterou o regime jurídico do divórcio, tudo mudou e sogra passa a haver só uma: a actual. Há apenas uma excepção, quando o casamento terminar por morte de um dos cônjuges.
A redacção do artigo 1585º do Código Civil, passou a ser  “A afinidade determina-se pelos mesmos graus e linhas que definem o parentesco e não cessa pela dissolução do casamento por morte".
Não é seguramente o aspecto mais importante da nova lei, mas por várias razões, é um dos aspectos que, passando quase despercebido, constitui uma mudança importante e um sinal de novos tempos, novas mentalidades.

30 de março de 2009

104


O CENTQUATRE é um inovador espaço de criação artística inaurgurado no final do ano em Paris. São 39.000 m2 abertos a todas as artes, onde outrora funcionou uma casa mortuária.
É um projecto ambicioso da responsabilidade do municipio, que visa receber artistas de todo o mundo, permitindo que estes residam temporariamente no local. A ideia é que os artistas residam, trabalhem nos ateliers e recebam os meios técnicos e financeiros necessários para realizarem as suas obras e que simultaneamente o publico visite os ateliers e converse com os artistas.
A agenda é longa e diversificada, desde exposições a sessões de filmes e festas animadas por Djs. Uma das próximas iniciativas será a reconstrução em tamanho natural da Villa Arpel, decor do famoso filme "Mon Oncle", de Jacques Tati, que decorrerá de 10 de Abril a 3 de Maio.
Mais informação sobre este interessantíssimo projecto aqui.

29 de março de 2009

one from the heart

Tom Waits e Crystal Gayle

Viver

Uma excelente iniciativa do mais inspirado movimento cívico de Lisboa: este passeio de bicicleta.
Um blog a não perder: Copenhagen Cycle Chic.
Uma pergunta inevitável: é assim tão difícil haver mais ciclovias e mais bicicletas disponíveis em Lisboa?

28 de março de 2009

Insensatez

ODr. Marinho Pinto parece que tece num artigo no Boletim da Ordem dos Advogados acusações à PJ, embora aparentemente não conteste alguns factos conhecidos e pouco claros sobre o licenciamento do Freeport. 
Até ao final do dia de ontem, não tinha recebido no meu escritório o Boletim, o que aliás, só deverá acontecer no principio do mês. Pelo que é legítimo perguntar, que sentido tem usar um instrumento de divulgação de temas com interesse para os advogados, para exprimir opiniões discutíveis e muito polémicas, que são conhecidas dos jornalistas antes dos advogados? 
Apesar deste aspecto grave e sintomático, se o que motiva o Dr. Marinho Pinto é a clarificação da "verdade", seria mais correcto deixar a já longa investigação prosseguir sem mais perturbação e sem mais ruído.
E caso tenha conhecimento de factos relevantes para a investigação, que as dê a conhecer a quem de direito e não aos jornalistas. Seria, seguramente, mais sensato.

A Grande Paris

Rogers Stirk Harbour & Partners
Por iniciativa do Presidente Nicolás Sarkozy, Paris vai mudar. Após os problemas de marginalização que se conheceram com mais intensidade em 2005, foi decidido desenvolver um conjunto de projectos que integrassem as zonas mais periféricas da cidade às mais centrais. Le Grand Paris pretende, pois, relacionar e conciliar as zonas esquecidas, sem planeamento, sem áreas verdes e com problemas de integração social da periferia com a cidade.
Paris tem uma importante tradição de relacionamento estreito entre política e arquitectura. Basta lembrar o Barão Haussmann, no século XIX e os "boulevares", ou La Defense e o antigo presidente Francois Mitterrand da década de 80 do século XX.
A partir de 10 projectos formulados por 10 arquitectos, Paris procura novos ares. São propostas variadas, audazes, motivantes. O objectivo de reformular o relacionamento da cidade com os seus arredores é grandioso. Os projectos previstos também.
Uma das propostas, por exemplo, a de Christian de Portzamparc procura recrear um novo centro urbano a partir de um centro de transportes, o qual proporcionaria um novo crescimento alternativo a Paris. A de Rogers Stirk Harbour & Partners, é mais ambiciosa e de longo prazo, procurando equilibrar os bairros ricos e pobres num prazo de 10 anos através de um sistema de transvias a partir do rio Sena.
Sejam quais forem as propostas vencedoras, espera-se que resolvam o problema original da falta de coesão social e de desintegração urbana de Paris. Com planeamento, bom senso e projectos atraentes que criem plena convivência, integração e diversidade, certamente Paris será diferente, melhor e mais segura.
Um bom tema para meditar: como as opções urbanísticas (ou a falta delas...) contribuem para a desmotivação, para a falta de iniciativa, para a exclusão social, para a contestação, para o aumento da insegurança. Ou para a dinâmica, para a partilha, para a iniciativa, para o sucesso.

27 de março de 2009

Um exemplo


Antes

Depois

A transformação de Trafalgar Square, ocorrida em 2003, com base num projecto de Norman Foster, é um exemplo de como é possível retirar automóveis dos centros históricos e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

"Too Many Daddies, Mommies and Babies"



É um filme de Gabriel Abrantes em três capítulos, apresentados em três sítios diferentes da cidade. O primeiro capítulo passa-se na Escola Maumaus, na Alta de Lisboa. O segundo na Galeria ZdB no Bairro Alto e o final, no Museu da Electricidade. Há uma narrativa que atravessa e unifica as três partes. Nesta quinta-feira à noite, antes da apresentação da exposição do prémio EDP a que a obra concorre, percorremos de autocarro os três locais e vimos o filme nos cenários onde ele foi filmado: um espaço alternativo e social, um espaço de trabalho e de residências artísticas e um museu mais formal.

Gabriel Abrantes tem apenas 24 anos, mas é seguramente um nome a reter. É irreverente, forte, inteligente.

A data de revelação do vencedor do Prémio EDP Novos Artistas não está ainda definida, mas as obras estão patentes no Museu da Electricidade a partir de hoje e até 10 de Maio.
E o original "Too Many Daddies, Mommies and Babies" pode ser visto na Alta de Lisboa, na Rua Tomás del Nero, no Bairro Alto, na Rua da Barroca e na Avenida Brasília até final de Abril.

26 de março de 2009

Entrevista


Só há dias tive oportunidade de ver a recente entrevista do Presidente Barack Obama a Jay Leno. É a demonstração que é possível o espectáculo sem prejudicar a reflexão sobre assuntos sérios e a prova que Obama faz política de uma maneira cativante. E Leno demonstra porque é o melhor dos melhores.

Sem tempo a perder


Facelift factor

20 de março de 2009

Evolução ?

1909, (sem nome)

1939, Eduardo Portugal

1952, António Passaporte


1967, João Brito Geraldes

1967, João Brito Geraldes

1969, Artur Inácio Bastos

1969, Artur Inácio Bastos

1970, Armando Serôdio

1970, Armando Serôdio


2006

Ao longo dos anos, a Praça do DUQUE DE SALDANHA foi cedendo à necessidade de circulação rápida dos automóveis. Os separadores centrais foram encurtando ou desaparecendo. O estacionamento lateral diminuindo. As viragens à esquerda eliminadas. E a própria praça deixou de ser uma rotunda. Apesar de tudo, há mais árvores, mas tenho as maiores dúvidas que a evolução seja positiva. A Praça perdeu imponência, força e descaracterizou-se, sobretudo porque os edifícios que a envolvem são todos muito diferentes e em geral pouco marcantes, especialmente o do Monumental.

Alguma luz ao fundo do túnel

Dia 24 de Março Assembleia Municipal de Lisboa vai finalmente aprovar o novo Regulamento de Ateliers Municipais para as Artes que foi aprovado na Câmara Municipal em Novembro. 
Mesmo considerando o período de discussão pública, relativamente ao qual, não se tomou conhecimento de especiais contributos, não deixa de ser impressionante o tempo decorrido: 5 meses. Um exagero. É um assunto que falámos aqui e que finalmente vai ter uma luz ao fundo do túnel.
Terça-Feira vai igualmente ser discutida a abertura do Concurso Público Internacional relativo aos Complexos Desportivos Municipais dos Olivais, do Campo Grande e do Areeiro. É outro assunto que falámos aqui.

18 de março de 2009

Pois é

A United Productions of America revolucionou a animação nos Estados Unidos nos anos 50, produzindo dezenas de curtas metragens que eram depois distribuídas pela Columbia Pictures, nos cinemas. Era uma novidade. E algumas tiveram um sucesso enorme. Uma das personagens que então surgiu foi Mr. Magoo, o simpático velhinho, rico, gordinho e míope, que apareceu pela primeira vez na televisão americana em 1949, no desenho "Ragtime Bear". Recordo-me de ver na televisão muitos desenhos animados do tio do Waldo com o meu pai. Por uma impressionante coincidência de factores hoje lembrei-me desses momentos e de Mr. Magoo.

16 de março de 2009

O Poleiro

Há vinte anos que me delicio no magnifico O Poleiro.
O espaço é acolhedor, o Senhor Aurélio recebe-nos com diligência e a cozinha é tradicional portuguesa, com predomínio dos sabores do Minho e do Alentejo, representados por pratos emblemáticos como pataniscas de camarão com açorda de ovas, entrecosto frito com arroz de favinhas, cabrito frito com açorda de coentros e vitela barrosã no forno com arroz de salpicão. Hoje almocei na companhia estimulante do Jorge Simões, umas barriguinhas de porco com arroz transmontano do outro mundo. Acompanhados de um Damasceno. Um vinho macio, jovem, com aromas a frutos doces. Um almoço perfeito numa altura difícil em que é preciso manter a calma e reagir.

15 de março de 2009

Nervos

O PS anda nervoso.
Por um lado, com a data das eleições legislativas. Tem havido agitação, mais visível por parte de Augusto Santos Silva, procurando que o Presidente decida o quanto antes. Os socialistas não querem legislativas depois das autárquicas. Mesmo com o Presidente numa visita oficial a um país em que importaria abordar outros assuntos e estabelecer novas parcerias, a Alemanha, a questão voltou a ser falada, obrigando a uma intervenção de Cavaco.
É sabido que o Presidente da Republica tem a decisão final relativamente à data das eleições legislativas, estando apenas obrigado a fazê-lo com 60 dias de antecedência. Enquanto, em relação às autárquicas, cabe ao Governo marcar as eleições, com um prazo mínimo de 80 dias de antecedência. 
Quanto às datas: as eleições para o Parlamento Europeu terão de se realizar-se entre 04 e 07 de Junho. As legislativas entre 14 de de Setembro e 14 de Outubro. E as eleições autárquicas entre 22 de Setembro e 14 de Outubro.
Tendo em conta, os referidos 80 dias, o Governo terá de marcar as autárquicas até 23 de Julho, enquanto Cavaco pode fazê-lo mais tarde. 
Olhando para o calendário, em relação às europeias temos 7 de Junho, quanto as autárquicas, temos 3 hipóteses possíveis, correspondentes aos domingos de 27 de Setembro, 4 de Outubro e 11 de Outubro. 
No que respeita, às legislativas há quatro datas possíveis – 20 de Setembro, 27 de Setembro, 4 de Outubro e 11 de Outubro. 
Os socialistas receiam eleições legislativas após as autárquicas pelo que o mais provável é o PM marcar as eleições autárquicas para a data mais distante, 11 de Outubro.
Mas o PS também está nervoso com o BE e com o PC. Só assim se explica, adeferênciacom que Santos Silva trata Manuel Alegre, apesar das posições desalinhadas da bancada socialista em sucessivas ocasiões, aproveitando todos os pretextos para "esticar a corda". 
Além disso, astrapalhadassucedem-se. E a situação económica e financeira piora.
O PS só parece é não estar nervoso com o PSD. Que, por sua vez, parece não ter nervos, nem nervo.

Ao estilo Lisboa S.O.S.

Uma das avenidas mais importantes de Lisboa, parte do eixo histórico da cidade, que vai da baixa à alta. Prédios com a fachada a cair. Passeios esburacados. Graffitis. Prédios emparedados, abandonados, embora com proprietários conhecidos. Telões colocados pela CML há 4 anos relembrando o que foi feito e não continuado. Sinais de trânsito tombados. Jardins por tratar. Dificuldade de circular, de passear. Uma via estruturante, poluída, cada vez mais do automóvel e menos do peão. Deixada ao abandono pela especulação imobiliária, com a conivência da cidade e da Câmara.
Porque não, passeios mais largos (afinal, não existe razão para manter o espaço destinado a estacionamentos...)?
Porque não, jardins tratados, calçadas cuidadas, sem buracos, mobiliário urbano funcional e sinalética correcta?
Porque não, proprietários intimados para realização de obras de manutenção e conservação, conforme a lei obriga?
Porque não, aprovação célere dos projectos em curso?
Porque não, um espaço público convidativo, uma avenida bonita e uma cidade cuidada e menos poluída?
Mesmo com dificuldades financeiras...é possível e obrigatório fazer muito mais.
É uma questão de respeito e sentido de responsabilidade. E um dever.

14 de março de 2009

Tosta de requeijão, nozes e mel

Depois de uma tarde incaracterística, lembro-me dos crepes deliciosos que comia no Pingo Doce (na altura acho que ainda Pão de Açúcar) da Av. EUA... Com chantilly, polvilhados com nozes e alegremente regados com mel... Deliciosos! Depois, ou antes, de uma ida ao Quarteto, era um programa frequente aos sábados.
Na falta de vontade para fazer a massa do crepes, vou à cozinha pego numa tosta, espalho requeijão, esmigalho duas nozes em cima do requeijão e ... rego com mel. Resultado: volto à cozinha por duas vezes e repito.

13 de março de 2009

Como punir

O caso da violação de uma menina de 9 anos no Brasil, que levou a que engravidasse de gémeos, pondo em perigo a sua vida, gerou enorme comoção pela situação monstruosa relatada, mas também, por causa da posição do bispo local sobre o aborto. 
A Igreja em vez de incluir, de compreender o drama vivido, de aceitar o mais equilibrado, mais uma vez, excluiu, rejeitou, tomou uma posição ortodoxa, inflexível, até desumana.
Mas o caso provoca também a discussão sobre o crime em si e como é que a sociedade e o Direito devem lidar com um criminoso capaz de violentar sexualmente uma criança? 
Há, por exemplo, quem defenda a castração. O caso relatado pelo New York Times aqui merece reflexão: depois de assistir a um filme de Bruce Lee, um checo sentiu um desejo sexual incontrolável e assassinou um vizinho de 12 anos. Passou sete anos na prisão e cinco num hospital psiquiátrico, onde pediu para que lhe fossem retirados os testículos. Pedido que foi aceite. 
Actualmente, segundo é dito, o criminoso tem relacionamentos estáveis e trabalha como jardineiro numa instituição de caridade. Solução miraculosa? Não creio.
A República Checa é o único país europeu a permitir a castração de violadores, tendo já 94 presos sofrido a cirurgia. Para os médicos checos, é a maneira correcta de acabar com graves desordens sexuais. Isto, apesar, do Conselho da Europa ter exigido que a República Checa acabasse com a castração.
O debate é intenso sobre quais os direitos que devem prevalecer: os dos violadores ou os da sociedade que espera ser protegida. Surgindo a castração como a sanção mais arrojada.
Em Portugal, o Código Penal redefiniu em 2007 o regime dos crimes sexuais. De acordo com a nossa tradição jurídica, prevê-se, e bem, nos Artigos 166.º e seguintes, "apenas" a pena de prisão.
O Artigo 171º estabelece que "quem praticar acto sexual de relevo com ou em menor de 14 anos, ou o levar a praticá-lo com outra pessoa, é punido com pena de prisão de um a oito anos. Se o acto sexual de relevo consistir em cópula, coito anal, coito oral ou introdução vaginal ou anal de partes do corpo ou objectos, o agente é punido com pena de prisão de três a dez anos."
Independentemente da medida da pena, que se poderá discutir se é, ou não, curta, estamos longe, em Portugal, das medidas limite da República Checa e de alguns estados norte-americanos.

Sentimentos contraditórios


Ao ouvir a noticia da morte de um bebé de 9 meses esquecido pelo pai num automóvel, lembrei-me de M, um filme de 1931, realizado por Fritz Lang e passado em Dusseldorf, onde a polícia tenta capturar um assassino de crianças. Quem acaba por capturá-lo é um grupo de criminosos, que se envolve nas buscas por se sentir prejudicado nos seus negócios e que o leva para uma cave onde está uma multidão ansiosa por fazer justiça pelas suas mãos.

O filme é uma poderosa sátira social, com o qual Fritz Lang explora as causas e os efeitos do pânico colectivo. Mas sobretudo, do que sentimos no caso de um crime hediondo. Perseguido, ao mesmo tempo, pela polícia e por criminosos, o assassino de M não passa de um pobre doente mental, compulsivo, que não consegue deixar de matar, ao contrário dos criminosos profissionais, que poderiam deixar de fazê-lo, se quisessem.

Começamos por nos sentir próximos da dor dos familiares das vítimas e terminamos com um sentimento de pena por aquele homem frágil, baixo, gordinho, de olhos grandes (o inesquecível Peter Lorre). O assassino acaba por se tornar uma vítima. Na cena final, Peter Lorre confessa os seus crimes e a sua confissão provoca em nós sentimentos contraditórios. Sentimos pena, angustia, revolta, mas ao mesmo tempo, desprezo, ódio, perante a atrocidade dos seus crimes. Por um lado, queremos que seja castigado, mas por outro, tendemos a compreendê-lo, a desculpá-lo. E isso acontece-nos, por vezes na vida, quando nos deparamos com um crime como aquele hoje conhecido.