29 de julho de 2009

Primeiro Debate CML 2009

Ausente em férias, não pude ver o debate de ontem entre António Costa e Pedro Santana Lopes. Li, hoje, que se centrou nas questões financeiras. Quem gastou mais e como, não pagando aos fornecedores ou contraindo empréstimos.
Da obra feita, ou não feita, ter-se-á falado a reboque do tema financeiro.
Do futuro, aparentemente, não se falou muito. Embora, já seja claro que as posições são divergentes em relação à manutenção do aeroporto da Portela, em relação ao negócio dos contentores de Alcântara, em relação às intervenções na Baixa, nomeadamente no Terreiro do Paço e zona envolvente, bem como, em relação ao Parque Mayer. Diferenças também parecem existir em relação à política de segurança para Lisboa.
No que respeita à reabilitação urbana, parece, ao invés, haver o mesmo entendimento quanto à sua importância, o que é positivo face ao que se passava em Lisboa há 8 anos.
Gostava de ver clarificadas as diferenças em relação à política cultural para a capital, em relação ao espaço público, à política social, nomeadamente, quanto a idosos e mais desfavorecidos, em relação à captação de mais habitantes, invertendo a tendência de décadas. No fundo, gostava de conhecer a visão que cada um tem para a capital do País.
Conheço melhor as propostas de Pedro Santana Lopes e sei que tem um projecto de cidade. Tem visão, coragem, força e obra feita. António Costa tem assentado a sua pré-campanha na justificação de que não fez porque não havia dinheiro. Mas que irá fazer com Roseta, Sá Fernandes e Manuel Salgado e, se calhar, Catarina Vaz Pinto.
Tudo ficará mais claro quando se falar das propostas concretas para Lisboa, da forma de concretização da estratégia de cada um, da força e amor à cidade, da visão no dia a dia e da sua influência na qualidade de vida dos cidadãos.
Mas decisivo vai ser perceber quem verdadeiramente ficará em Lisboa nos próximos anos. Aconteça o que acontecer. Haja o que houver.
É que estamos todos cansados de, por motivos seguramente superiores, Lisboa ficar sempre em segundo lugar.
Lisboa precisa de um Presidente pelo menos por oito anos seguidos.
Só assim será a cidade que queremos e pode ser. Isso é decisivo.

24 de julho de 2009

Na longa estrada

Termina uma etapa, na longa estrada, como canta a Bethânia.
Para assinalar o momento, "Quinta do Vale Meão, 2006," duas gémeas trazidas por mão amiga e confidente.
Bebemos devagar, saboreando cada segundo, desfrutando o mais que podemos, pouco falamos de início.
Aroma impressionante a fruto preto do tipo cassis e a flores. Ímpar na frescura, um misto de potência e equilíbrio, vigor e harmonia. Um vinho sublime. Melhor a segunda garrafa que a primeira. Uma poção mágica, um néctar dos deuses, uma estrela guia que indica o caminho. Perfeita para o momento.
Agora, muito mar, muita praia, muito sol.

O Samurai


Revi "O Samurai", de Jean Pierre Melville, um policial fantástico de 1967, muito less is more”. Óptima fotografia, tons monocromáticos, planos fixos, poucos diálogos, música jazz minimalista.
Le Samourai retrata a vida de um assassino profissional, Jeff Costello, interpretado pelo perfeito Alain Delon, que balança entre cumprir a lei e respeitar os seus "compromissos profissionais". Cada passo seu é decisivo para essa escolha. Para ele, o futuro é branco ou preto, mas nunca cinzento.

21 de julho de 2009

O que mudou de repente?

" (...) Estes dois anos mostraram que é impossível mudar Lisboa sem mudar a forma de fazer política. Não se podem resolver os problemas da cidade se os jogos politico-partidários e as conveniências de cada partido forem colocadas acima dos interesses da cidade. E não se pode ter melhor cidade sem melhor cidadania. É por isso que movimentos de cidadãos como o nosso têm um papel fundamental: eles podem mostrar uma nova maneira de fazer política - com participação, sem querelas sectárias e sem subordinação aos ditames de tutelas partidárias que se movem segundo lógicas próprias, muitas vezes alheias aos interesse da cidade. É disto que a grande maioria dos eleitores está saturada. Por isso nos sentimos motivados para voltar a pedir aos eleitores lisboetas que nos permitam apresentarmo-nos de novo, assinando as proposituras que estarão disponíveis neste site. Desta vez precisamos de mais um esforço: três assinaturas por eleitor, uma para cada um dos órgãos a eleger (câmara, assembleia municipal, assembleia de freguesia). Contamos com o empenhamento dos cidadãos de Lisboa. É por eles e com eles que o nosso movimento existe e faz sentido. Todos os caminhos novos têm um começo. Convidamos a que o façam connosco." Helena Roseta em "Uma nova maneira de fazer política".

" (...) Têm-me perguntado se assinei a petição “Por Uma Convergência de Esquerda”. Respeito quem a lançou, mas os seus proponentes, membros da Renovação Comunista, sabem o que lhes disse: a lei não permite que os “grupos de cidadãos eleitores” entrem em coligações. Só os partidos é que podem coligar-se. De modo que a um movimento como aquele em que estou, os “Cidadãos por Lisboa” (CPL), só resta uma de duas opções: ou desistir de se candidatar, ou ir a votos por si próprio, sem prejuízo da abertura a soluções de governabilidade que se impõem em Lisboa, abertura de que neste mandato temos dado sobejas provas. Continuo a pensar que os movimentos de cidadãos fazem falta e enriquecem a democracia. E não devemos temer o confronto eleitoral. Em 2007, os CPL tiveram mais votos do que três partidos. Em 2009 veremos como será. Mas o que vos posso assegurar é que não faremos coligações eleitorais escondidas com nenhum partido político. A nossa autonomia é uma das principais razões da nossa força – e continuaremos a bater-nos lealmente por ela."
Helena Roseta
em "Sondagens revelam consolidação do espaço dos Cidadãos por Lisboa"

O que mudou de repente?

Helena Roseta em dois anos votou de forma contrária em muitos processos apresentados por António Costa, Sá Fernandes e Manuel Salgado e posicionou-se em muitos dossiers importantes para a cidade também de forma contrária: projecto do edifício do Rato, Terminal de Contentores, novo aeroporto, "aluguer" de espaço público para eventos comerciais, terceira travessia do Tejo, plano de mobilidade, opções na Baixa, equipamentos, rigidez orçamental.
É legitimo por isso perguntar como fará no futuro, em caso de vitória do partido socialista?
Os "Cidadãos por Lisboa" mostraram uma forma coesa e eficaz de valorizar a política e de contribuir para a melhoria da cidade, com isenção, pragmatismo e voluntarismo. Quem acredita que isso se manterá integrada na disciplina necessariamente mais rígida de um partido?
Ninguém acredita que Helena Roseta, no futuro, em caso de vitória do PS, votará em matérias decisivas para a cidade, ao lado da oposição e contra o PS, podendo do seu voto resultar um desfecho diferente do desejado por Costa.
Independentemente da questão jurídica que não é despicienda, pois a lei proíbe coligações entre partidos e movimentos de cidadãos porque o legislador (como o comum dos cidadãos) entendeu que essa coligação é contra-natura pela própria essência independente e anti-sistema de um movimento de cidadãos, existe a questão política do posicionamento coerente e isento quando estiverem em causa grandes questões e, obviamente, a questão moral, de principio, da coerência, da credibilidade, da verticalidade, que não desaparece por se firmar um acordo admitindo alguma liberdade, quando há dois meses se dizia exactamente o oposto.
De Sá Fernandes tudo se espera, mas de Helena Roseta esperava-se mais, muito mais. Roseta parecia ser diferente. Vão afinal estar lado a lado.
É díficil acreditar. E é um passo atrás na valorização e credebilização dos movimentos independentes de cidadãos. O regresso à velha maneira de fazer política. Em nome de quê? O que mudou de repente?
A resposta é só uma: as sondagens e o sentimento de que Santana Lopes pode ganhar. E isso faz mudar tudo.

20 de julho de 2009

Esporão Reserva Branco 2008



Ao fim de uma eternidade sem beber álcool, nada como um bom branco para azular um Verão até agora teimosamente insípido e descolorido. Este Esporão, com um rótulo muito bonito de José Pedro Croft, é composto pelas castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro e tem 14% Vol,
Aroma fresco de limão, abacaxi, melão e ... relva cortada.
Na boca, bastante frescura com toques a madeiras e frutos.
Neste caso, acompanhou na perfeição um fantástico robalo ao sal, mas também ficaria seguramente excelente com peixes no forno ou saladas.
Ideal para os apreciadores de um bom branco numa refeição especial de Verão...azul.

14 de julho de 2009

I'm not alone (who loves you?)



Sedução, amor, beleza, paz, noites de Verão, mar, bons pensamentos, nesta Música de Eliane Elias, hoje em Cascais no COOL JAZZ FEST.

12 de julho de 2009

Jantar "particolare"

Na Gulbenkian para desfrutar do que o Miguel Castro e Silva e o José Avillez imaginaram com produtos e receitas da América Latina, Caraíbas, África e Europa. Fim de tarde magnífico na varanda da cafetaria do Museu debruçada sobre o jardim.
Vinho branco Madrigal, excelente, e um sofrível tinto Rio Sol, que vale pela curiosidade de ser produzido no Brasil, perto da Baía.
Nos pratos, tomate desconstruído, azeitona explosiva e creme de milho (a reter). Depois, ceviche vieiras e lavagante com guacamole e sardinha marinada (muito original), moqueca de camarão em cocotte, caldeirada na cataplana, asa de frango com caril e manga, espetada de borrego, batata-doce em chip, caviar de beringela com iogurte (o melhor da noite) e, nos doces, panna cotta de fava tonka com coulis de morango, gelado de arroz doce anizado (inesquecível) e financeiro de castanhas e azeitonas.
Serviço à altura e preço mais que justo.
A noite terminou em conversa animada e confidente com o Miguel Castro e Silva, a sua mulher Graça e o José Avillez, que entusiasmados com o a experiência, perspectivavam novas experiências.
Noite desafiante, com mote particolare, depois de tempos difíceis, marcantes: jantar de nove descobertas, concebido por dois dos melhores chefes de cozinha portugueses, na Fundação mais relevante do País, a convite da Su, num sábado de um Verão, que nunca mais será esquecido, por razões diversas.

8 de julho de 2009

Cine Conchas


O CineConchas 2009 já começou. Cinema ao ar livre em Lisboa, na Quinta das Conchas, às quintas, sextas e sábados, às 21h45.
À semelhança do ano passado a afluência tem sido excelente.
Esta semana, as noites ainda prometem ser mais amenas pelo que as razões para não perder ainda são maiores.
Parabéns ao Tiago Figueiredo e à Ana Barata pelo empenho, determinação e qualidade de mais esta excelente iniciativa.
Um bom exemplo de dinâmica de um grupo de cidadãos criativo e interventivo que apenas deseja uma cidade melhor. A prova que é possível criar, com poucos recursos e muito esforço, iniciativas de qualidade, atractivas e envolventes, que atraem o público.

Beleza

Que lugar ocupa a beleza nas nossas vidas? Roger Scuton, autor que não conhecia, fala sobre a beleza neste livro que me estimulou pelo bom gosto e originalidade. O que é de facto bonito...? Será que na nossa vida valorizamos devidamente a beleza...?

"A beleza pode ser consoladora, perturbadora, sagrada ou profana; pode revigorar, atrair, inspirar ou arrepiar. Pode afectar -nos de inúmeras maneiras. Todavia, nunca a olhamos com indiferença: a beleza exige visibilidade. Ela fala-nos directamente, qual voz de um amigo íntimo. Se há pessoas indiferentes à beleza é porque são, certamente, incapazes de percebê-la. No entanto, os juízos de beleza dizem respeito a questões de gosto e este pode não ter um fundamento racional. Mas, se for o caso, como explicar o lugar de relevo que a beleza ocupa nas nossas vidas e porque lamentamos o facto - se disso se trata - de a beleza estar a desaparecer do nosso mundo?"

7 de julho de 2009

Mais azuis

Um mês e meio em casa recuperando de um terrível problema de saúde. Dez quilos perdidos, muitas noites sem dormir, muitos momentos de silêncio e dor, mas começo a recuperar devagar no corpo e no resto.
Dias necessários, inevitáveis, importantes para pensar, ponderar e replanear.
Semanas para valorizar o que nem sempre é valorizado e esquecer o que deve ser esquecido.
O restabelecimento é ameaçado por mais percalços e más notícias. Mas a fé e o apoio de quem não falta quando é preciso são decisivos para prosseguir. Sem parar.
Os dias estão mais azuis.
Pode parecer pouco, mas é tanto!

6 de julho de 2009

...

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

algumas semanas depois...