30 de outubro de 2009

special

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Portugal e o Mundo nos séc. XVI e XVII



"Encompassing The Globe, Portugal e o Mundo nos séc. XVI e XVII" é um olhar impressionante sobre o império comercial que os Portugueses construíram do Brasil a África e ao Japão, um império que pôs ao alcance da Renascença uma variedade imensa de conhecimentos, que desencadeou o expansionismo europeu e que deu início à integração do mundo moderno.

Esta magnifica exposição, patente até domingo, mostra Portugal como pioneiro absoluto da globalização de conhecimentos, mostra as notáveis viagens de exploração dos portugueses, o império comercial único por eles criado, bem como as consequências determinantes dos contactos estabelecidos com as terras e os povos recém encontrados.

Ao ligar a Europa ao resto do mundo por via marítima, os portugueses revolucionaram a permuta internacional de bens e de informação, criando uma estrutura que permaneceria activa durante centenas de anos. Tudo isso se sente ao atravessar as salas do Museu Nacional de Arte Antiga com esta produção da Smithsonian Institution.

Lisboa é mostrada, através de um olhar não português, como a grande porta para o Mundo, lugar de chegada das mais exóticas mercadorias, conhecimentos e gentes que, circulando pela Europa, alteraram os hábitos do quotidiano e do pensamento, científico e filosófico.

Em tempo de crise, sentimos a força e o génio dos portugueses, dos séculos XVI e XVII, em vencer obstáculos e inventar Mundos. E sentimos um orgulho imenso.

A exposição é inesquecível e foi descoberta, em excelente companhia, numa agradável e estimulante visita guiada, nesta quinta-feira à noite, com o museu cheio de gente.

De repente, Portugal era diferente.

29 de outubro de 2009

28 de outubro de 2009

45 minutos depois

gazpacho-andaluz_3S.jpg

Num dia preenchido que terminou tarde, um gaspacho e umas almôndegas de salmão foram o nosso jantar.
Coloquei um quilo de tomates maduros, um dente de alho, meio (devia ser um, mas...) pimento verde, um "chorrito" de azeite, outro de vinagre balsâmico, uns pedaços de pão caseiro, sal e pimenta tudo num recipiente, triturei muito bem e adicionei água gelada. Servi com pepino picado, uns pedaços de tomate e de pão.

Com as sobras do salmão grelhado de ontem, preparei meia dúzia de almôndegas. Misturei o peixe, com um colher de sobremesa de mostarda de dijon, 2 chalotes cortadas, salsa picada e farinha de pão, que fiz na hora na 1,2,3 com pão duro. Enrolei as almôndegas e assei-as no forno durante uns 15 minutos, enquanto saboreávamos o gaspacho.

Acompanhámos com um Antão Vaz da Herdade da Malhadinha Nova, um branco de cor amarela intensa e aroma elegante a pêra, melão, maça e abacaxi.
45 minutos depois de ter começado a fazer o gaspacho, terminámos com meia papaia e umas bolachinhas com doce de abóbora.

Bibliotecas


Há dias, na RTP, ouvi o Prof. Alexandre Quintanilha referir, numa excelente entrevista, que há cada vez menos bibliotecas novas, modernas, apetrechadas, adquirindo com regularidade livros. Citou o caso da biblioteca de Oeiras, como uma excepção, num panorama cada vez mais negro.

Criar condições efectivas que façam aumentar os índices de leitura é um desígnio de qualquer governo. Um país revela muito do que é através do nível de instrução que a sua população tem.

E o nosso continua a ser, muito baixo, tanto mais que algumas medidas tomadas nos últimos anos são mais propagandistas (como o Magalhães) do que verdadeiramente estruturais.

(Fotografias de Anja Schlamann)

Existem condições únicas, pelo perfil, percurso e sensibilidade evidentes das protagonistas, para as novas titulares das pastas da Educação e da Cultura, em conjunto, contrariarem este paradigma e criarem novas bibliotecas, como lugares privilegiados de encontro de jovens e igualmente de mais idosos.

A apetência pela leitura não tem idade e é seguramente muito estimulante existirem locais aprazíveis, inovadores e modernos onde se possa ler e con.viver.

Esta biblioteca exterior, muito original em Magdeburg, na Alemanha, ilustra bem como é possível criar locais desses, sem grandes custos, num país de clima único na Europa como o nosso.


26 de outubro de 2009

Cléo de 5 à 7

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"Cléo de 5 à 7" é um filme de Agnès Varda, muito urbano, muito "nouvelle vague", com uma estética fantástica, uma óptima fotografia e uma narrativa aliciante sobre uma mulher, sobre Paris, sobre a vida, sobre a morte, sobre o medo.

Começa com uma cena numa cartomante, onde Cléo é confrontada com a morte, ameaça que a vai perseguir durante todo filme enquanto, aguardando o resultado de um exame médico, vagueia por Paris.

Os minutos do filme correspondem a minutos na vida de Cléo. Durante os quais, a angustia, o medo da morte, do sofrimento, vão obrigar Cléo a sair do seu mundo fechado, egocêntrico, e tomar consciência dos outros, da beleza da vida e de uma realidade até então desconhecida.

25 de outubro de 2009

será possível?


A grande maioria dos ministros do Governo, que amanhã toma posse, tem a sua mais relevante experiência profissional na política, no funcionalismo público e nas universidades.

Não há profissionais liberais ou quadros empresariais, habituados a definir objectivos e a lutar por eles, com poder de decisão independentemente de pareceres e de consultores, com capacidade de estabelecer as rupturas necessárias, insensíveis às burocracias estabelecidas.

Há cinco mulheres e poucos ministros (ou nenhum..) têm menos de 50 anos.

Serão estes os ministros que procurarão contrariar a mais relevante característica do nosso País no que respeita às respostas políticas a dar aos problemas que enfrenta e que é a ingrata impressão de que as medidas que os políticos tomam são mais paliativos perante as necessidades, do que o resultado de uma reflexão estratégica sobre a realidade dos acontecimentos e os seus mecanismos e em consequência uma actuação que estruturalmente modifique o País.

A sensação que se tem é que não são as agendas políticas a comandar os factos, são os factos que estão a desenhar o percurso possível. Perante esta amarga realidade, os políticos actuam como meros gestores da circunstância, a quem cabe tentar dar remédio a uma "doença" que é sabido ser estruturalmente profunda.

O que mais contará no próximo Governo será a postura face às sequelas da crise num quadro de vulnerabilidade estrutural da nossa economia. De nada adiantará continuar a fingir que não se vê, que não se compreende, que não se sabe. É indispensável e urgente estabelecer uma atitude fundamentada de procurar e encontrar verdadeiras soluções para os problemas.

Portugal tem um sistema económico sem vitalidade, com um peso excessivo do Estado na economia e na sociedade, e uma dependência crescente da sociedade em relação ao poder do Estado. E poucos quadros médios e superiores qualificados, independentes, corajosos, dinâmicos.

Numa sociedade muito marcada pelo imediatismo, pelo improviso e pela generalização, seria bom que, por uma vez, alguma coisa de verdadeiramente mais fundo acontecesse e se afirmasse ao longo do tempo.

E nesse sentido, a melhor estratégia será ter uma visão projectada para o futuro, com dinamismo próprio, necessariamente ajustável ao andamento da realidade e que se concretize de verdade e, concretizando-se, que se afirme e que se mantenha como tema vivo ao longo de várias décadas.

Portugal, para sair da crise e aproveitar a retoma económica quando ela surgir, deve investir na redução do endividamento, no aumento da produtividade, numa política económica estrutural assente no incremento das exportações, em conjunto com a aposta em investimento público selectivo, em investimento maciço na formação, na educação científica e tecnológica em estreita articulação com a Cultura, no turismo, no ambiente e numa verdadeira e moderna política das cidades. E imprescindível será, de uma vez por todas, reduzir os funcionários da Administração Pública para se reduzir a despesa, valorizar social e financeiramente os empreendedores e os empresários, e estabelecer uma sincera consciência de classe e de responsabilidade por parte dos empresários.

será possível?

Vamos ver... Vamos ver se o próximo Governo, com as escolhas indiscutivelmente hábeis e, em geral, competentes, de José Sócrates, a colaboração essencial de uma oposição exigente, responsável, pro-activa e dinâmica, e de um Presidente da República sensato e equilibrado, consegue que o nosso País esteja melhor daqui a 4 anos, preparando-se para o futuro das próximas gerações.

Cada um de nós, à sua medida, no papel que desempenha na sociedade, tem a obrigação de contribuir para esse objectivo comum.

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(clicar na foto para aumentar)


Martirio di sant'Ágata, Florença, Palazzo Pitti, 1520

24 de outubro de 2009

O jardim e a noite


Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua,
Ó grande noite solitária e sonhadora.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Sorri à sombra tremendo de medo.
De joelhos na terra abri o repuxo,
E os meus gestos dessa encantação,
Que devia acordar do seu inquieto sono
A terra negra canteiros
E os meus sonhos sepultados
Vivos e inteiros.

Mas sob o peso dos narcisos floridos
Calou-se a terra,
E sob o peso dos frutos ressequidos
Do presente,
Calaram-se os meus sonhos perdidos.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Enquanto subia e caía a água do repuxo,
Murmurei as palavras em que outrora
Para mim sempre existia
O gesto dum impulso.

Palavras que eu despi da sua literatura,
Para lhes dar a sua forma primitiva e pura,
De fórmulas de magia.

Docemente a sonhar entra a folhagem
A noite solitária e pura
Continuou distante e inatingível
Sem me deixar penetrar no seu segredo
E eu senti quebrar-se, cair desfeita,
A minha ânsia carregada de impossível,
Contra a sua harmonia perfeita.

Tomei nas minhas mãos a sombra escura
E embalei o silêncio nos meus ombros.
Tudo em minha volta estava vivo
Mas nada pôde acordar dos seus escombros
O meu grande êxtase perdido.

Só o vento passou e quente
E à tua volta todo o jardim cantou
E a água do tanque tremendo
Se maravilhou
Em círculos, longamente.


Sophia de Mello Breyner Andresen, “Cem poemas de Sophia


22 de outubro de 2009

já há governo


com 8 estreias, António Serrano (Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas), António Mendonça (Obras Públicas, Transportes e Comunicações), Dulce Pássaro (Ambiente e Ordenamento do Território), Helena André (Trabalho e da Solidariedade Social), Isabel Alçada (Educação), Alberto Martins (Justiça), Jorge Lacão (Assuntos Parlamentares) e Gabriela Canavilhas (Cultura).

6 permanências nas mesmas pastas, Luís Amado (Negócios Estrangeiros), Teixeira dos Santos (Estado e Finanças), Pedro Silva Pereira (Presidência), Rui Pereira (Administração Interna), Ana Jorge (Saúde) e Mariano Gago (Ciência, Tecnologia e Ensino Superior).

e 2 mudanças de pastas, Vieira da Silva (Economia), Santos Silva (Defesa) .

enfim, saem os previsíveis, mantém-se o núcleo duro do PM e entram algumas boas apostas, como Isabel Alçada e Alberto Martins. a pior opção parece ser a de Jorge Lacão.

um Governo menos político e mais técnico que o de há 4 anos.
ao todo, 5 mulheres.

Cosimo I de Médici


Italian nobleman holding a gold watch


Desde que foi adquirida há mais de 30 anos, esta pintura tem sido considerada apenas uma representação de um nobre italiano que segura um relógio de ouro. Mas, depois de nele ter sido descoberto um símbolo dos Médici, os directores do Science Museum de Londres afirmam que afinal pode ser um retrato de Cosimo I de' Medici, Duque de Florença e Grão-Duque da Toscana (1519-1574) e constituir a pintura mais antiga em que aparece um relógio verdadeiro, dotado de um dispositivo de alarme.


Cosimo foi um grande mecenas, um apaixonado pela ciência, pela cultura e pela técnica. Responsável, nomeadamente, pela construção em Florença das famosas Galleria degli Uffizi. Um verdadeiro Médici. Que seguramente, gostaria de ser retratado de forma inovadora que simbolizasse o seu poder e a sua magnitude. E nada melhor do que de relógio na mão.

21 de outubro de 2009

una furtiva lagrima





Les images d'une vie


esta é uma das memoráveis fotografias de Gary Grant incluída neste livro que espero me ofereçam no próximo Natal.

Food Party



Original Food Party no âmbito do Congresso Nacional dos Profissionais de Cozinha. Possibilidade única de nos deliciarmos com as criações gastronómicas invulgares de Miguel Castro e Silva, Fausto Airoldi e Paulo Morais desta vez aliadas à música da Dj Miss Blondie. Um original jantar degustação gourmet de inspiração rave, no Zeno Lounge, do Casino Estoril.

Começámos com uns maki sushi - rolos de sushi mistos de PM, um óptimo tártaro de carapau com gengibre de MCS, e uma espuma de batata com bochechas de porco estufadas em vinho tinto, de FA.

Como prato principal, usufruímos de uma garoupa sobre xerêm de arroz com camarão e coentros, de FA, um perfeito pão naan com chutney de manga e cebola roxa, de PM e um divinal cachaço de porco com ensopado de grão, de MCS.

Terminámos com uma mousse de café com chocolate e espuma de bolacha Maria, de FA, um brownie de frutos secos com gelado gengibre, de PM com um arroz doce e um delicioso sorvete de maçã verde Icegourmet, de MCS.

Noite animada, cúmplice, em excelente companhia, num jantar diferente, de qualidade superior, com um conceito original. Óptima noite.

20 de outubro de 2009

Marketing


Poder-se-ia dizer que o que
Saramago diz sobre a
Bíblia é pura cegueira.

Afinal, houve tempos em que Saramago nos propunha um “Mundo Melhor” assente na luta de classes, nas liberdades, na igualdade. Mas depois da evidente impossibilidade desse mundo existir no caminho proposto, o nobel escritor deixou de falar nisso. Claro que em nome desse ideal, derrubou ferozmente e sem remorso, quem não quis seguir o mesmo caminho.

Depois, desiludido com a pequenez do nosso país, resolveu emigrar e ir viver para uma ilha infernal, onde só de lá aparece para umas tiradas polémicas e propagandistas.

Recentemente, ao fim de tanto tempo, acabou por renegar os ideais comunistas e juntou-se na frente anti-Santana, apoiando António Costa para a Câmara de Lisboa, depois de receber dessa mesma Câmara, a Casa dos Bicos para sediar a sua agora já mais burguesa fundação.

Saramago vive isolado no meio do mar, rodeado dos fantasmas que criou, cercado pelo passado que ruiu. E, intencionalmente, finge não saber o que é a
Bíblia.

A Bíblia não pretende ser um programa ideológico, nem um guia para a vida prática, nem sequer um manifesto para a mudança do mundo. Não se pode olhar a Bíblia como gostaríamos que fosse, mas como uma forma de, com os exemplos passados, podermos no presente ser melhores.

Saramago faz uma análise tendenciosa e tortuosa da Bíblia. Sendo uma obra que abarca um período de mais de mil anos, tem vários estilos de escrita, diversos tons, variados temas, conforme o período e as circunstâncias históricas em que foram escritos. Muitas das narrativas da Bíblia continuam a expressar muitas das nossas ideias e as parábolas dos Evangelhos, continuam a ser poderosas alegorias que o tempo não destrói, sendo usadas por todos, crentes e ateus.

Pode existir melhor código de boa conduta, mesmo para não crentes, que "Os Dez Mandamentos"?

Saramago pretende apenas barulho, controvérsia, polémica e mais livros vendidos. É puro marketing de guerrilha.

Não vale a pena perder mais tempo.

posso estar enganado,





18 de outubro de 2009

Maria Mansa


O Maria Mansa tinto 2003 é vinificado na Quinta do Noval, Pinhão, no Douro. Predominam na sua constituição a Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca. Tem um aroma intenso a fruta madura e especiarias, na boca é macio, fresco e muito suave, com acidez equilibrada. O final é discreto. É um vinho que revela tudo o que a idade tem de bom.
Vai melhor com comida puxada. Foi um sonho a acompanhar um fondue excelente em perfeita companhia. Uma óptima opção, conhecedora, do A. de Castro. A a um preço imbatível de 5 euros no El Corte Inglês.


Leis




17 de outubro de 2009

a registar com gosto e para acompanhar os próximos desenvolvimentos






eu sei que não é assim tão importante, mas


ou é impressão minha ou, passada praticamente uma semana, os responsáveis pelas sondagens que, em Lisboa, deram mais do dobro à diferença que efectivamente se veio a verificar entre PS e PSD+CDS-PP, que subestimaram sempre Santana e que também indicaram sempre praticamente o dobro ao BE do que veio a obter nas urnas, ainda não se retrataram ou tentaram explicar porque terá acontecido tão inesperado volte-face?

é que a discussão sobre as "alegadas" subestimações do CDS e de Santana e a "alegada" sobrestimação do BE, é recorrente.

interessará pouco saber quem beneficiou com essas sondagens e se beneficiou efectivamente. e muito menos interessará falar em termos genéricos metendo todos os estudos no mesmo saco, o que seria injusto. e igualmente não interessará muito saber se a
média dos desvios absolutos médios foi, ou não, menor.

mas quem errou, da forma como errou, não deveria ponderar porque razão isso aconteceu e porque é que a discussão é sempre a mesma?

melhor, não deveria, ao invés de explicações complexas e pouco produtivas, apresentar um reconhecimento público do erro? e, sobretudo, não deveria fazer tudo, mas tudo, para procurar perceber porque acontecem com mais frequência do que seria desejável exactamente aquelas alegadas e nunca provadas subestimações e sobrestimações?

sinceramente, penso que sim. criticas haverá sempre. sobretudo dos partidos subestimados. mas diferenças tão significativas, justificam uma reflexão. serenamente. por quem tem de a fazer.


16 de outubro de 2009

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vida eterna


Dizem ser o herdeiro directo do Elixir da Longa Vida. A sua receita terá por base um manuscrito anónimo de 1605 confiado aos monges cartuxos de Paris pelo Marechal d'Estrées. Há o verde, mais famoso, e o amarelo, feitos com 130 plantas que proporcionam incomparáveis sabores em que predominam aromas mentolados e de açafrão e canela únicos.
Um segredo bem guardado pelos monges da Grande Chartreuse próximo de Grenoble nos Alpes franceses. Para se beberem puros. Como digestivos. Para a vida eterna.
Acabei de beber um...


15 de outubro de 2009

Para além de um record



... isto é que a política da verdade...?

Este país não é (só...) para velhos


As notícias sobre a natalidade registada este ano em Portugal e as perspectivas para os anos mais próximos são preocupantes.

As notícias não são novas. E também não é novidade que não estamos verdadeiramente a levar o problema a sério. O problema da natalidade está ao nível de outros problemas estruturais que vamos deixando arrastar e que teimamos em não resolver.

A crise da natalidade fez-se notar com o desenvolvimento económico, induzida por alterações importantes no funcionamento das economias e na organização das sociedades e pela mudança de papéis na família, de comportamentos e de valores que marcam a vida das novas gerações. Se acrescentarmos a esta realidade as dificuldades económicas que estamos a atravessar em Portugal, compreendemos que as pessoas “cortem” em ter filhos.

Às dificuldades económicas, junta-se a falta de expectativas positivas quanto à evolução do futuro da economia e o medo de que a situação se prolongue. E, ainda, a ausência de políticas de natalidade duradouras.

Esta é uma daquelas áreas que necessita de uma discussão envolvendo toda a sociedade. Não se trata de uma “reforma” que se discute na concertação social como se o assunto fosse exclusivo de um governo e dos parceiros sociais. É um assunto que diz respeito a todos, que interessa a todos!

Dirão alguns que não vale a pena porque é o preço do desenvolvimento ou que não há nada a fazer porque mudaram as mentalidades. Não é. Há muito a fazer.

Recorrentemente são anunciadas pelos governos medidas “natalícias”, mas que verdadeiramente não o são, antes integrando as políticas sociais.

Mas continua a faltar uma verdadeira política de natalidade virada para questões como a repartição do tempo entre a família e o trabalho, como a compatibilização entre a maternidade e a carreira profissional, como as opções de escolha dos pais no tipo de acompanhamento a dar aos filhos nos primeiros anos de vida, como o acesso facilitado aos infantários, às creches e às escolas e aos cuidados de saúde ou como o acesso a novas formas de trabalho, nomeadamente, com flexibilidade de horários.

O tema da natalidade justifica uma discussão alargada envolvendo toda a sociedade. É um daqueles temas em que a nossa sociedade necessita de assumir determinadas opções, muitas delas com impactos em importantes domínios como a organização da vida familiar e a organização do trabalho. E o país está a envelhecer, a não se regenerar, a não crescer, e nada fazemos.

No começo de uma nova legislatura, de um novo ciclo político, realça-se a esperança de ver o assunto debatido e concretizadas medidas que ajudem a aumentar a natalidade, pensando assim no nosso futuro.

14 de outubro de 2009

Dexter

genérico fantástico de uma série macabra, irónica, subtil.

China at 60 - No More Excuses for Growing Rich-Poor Gap

A hot air balloon helped locals in Wuhan celebrate the 60th anniversary of the founding of the People's Republic of China.

"China has grown sixteenfold since reforms began. But in the absence of effective institutions that restrain the discretionary powers of CCP officials and render them accountable for their actions, it is the state and the CCP that grows stronger rather than the Chinese people and civil society". John Lee (foreign policy fellow at the Center for Independent Studies in Sydney, Australia, visiting fellow at the Hudson Institute in Washington, D.C and author of Will China Fail? (CIS, 2009).



Curioso este artigo
na Der Spiegel, no qual se aborda a evolução recente da China e a distorção que se verifica no seu sistema.

Alguns exemplos dessa distorção referidos no artigo são:

1) O número de autoridades no PCC passou de 20 milhões para 40 milhões desde o massacre da Praça Tiananmen, o que demonstra a intenção do partido em ampliar seu controle sobre a sociedade.

2) Desde 1989, três quartos de todo o capital chinês foi canalizado para empreendimentos controlados pelo Estado.

3) Apenas 50 das 1.400 empresas na Bolsa chinesa são privadas.

4) Menos de 50 dos 1.000 chineses mais ricos não são ligados ao Partido Comunista.

5) Cerca de 1 bilião de pessoas está fora do sistema corporativo estatal, o que significa que essa população não participa no crescimento económico.

6) A renda de 400 milhões de pessoas diminuiu nos últimos dez anos.

7) A pobreza absoluta duplicou desde o ano 2000.

8) A corrupção consome por ano 2% do PIB chinês.

9) Desde os anos 90, cerca de 40 milhões de chineses perderam as suas terras por causa da acção das autoridades chinesas.

É um retrato assustador. Eventualmente pessoal. Mas, de certo, que merece reflexão. O tema é delicado. O presidente americano tem mostrado particular cuidado na abordagem do tema China. Mas o futuro da economia global passa por este país, complexo, com um sistema político muito particular, com grandes especificidades, com uma população gigantesca, com uma capacidade de trabalho imensa e um espírito de união familiar e de sacrifício ímpares.

Mas a estrutura política existente e o domínio ainda feroz do PCC impede que a democracia crie raízes e se fortaleçam as instituições, pois isso significa a perda de imensos privilégios, que tardam em desaparecer.

13 de outubro de 2009

central de qualidade


como é que só agora é que se sabe isto ?... (afinal parece ser assim...)

será mera coincidência saber-se apenas depois das eleições legislativas e autárquicas, quando durante os últimos meses todos ouvimos falar em possíveis soluções para a Qimonda ?

era um grupo russo, era um chinês, eram soluções patrocinadas pelo Estado... era um novo plano de recuperação da empresa que previa a possibilidade de transformação de créditos em capital, uma nova denominação da companhia e a criação de uma nova marca...

será que não há nenhum ministro da economia que encontre uma solução? será que não há solução para uma das empresas de maior relevo do país? será que só a famosa central de comunicações é que funciona?


...não tem, obviamente, nada a ver, mas...

no último domingo à noite, José Sócrates, pareceu dizer o contrário, mas o maior número de mandatos, somando vereadores e eleitos para as assembleias municipais e de freguesia pertenceu ao PSD e António Costa também pareceu dizer o contrário, mas o PSD continua a ter em Lisboa mais freguesias do que o PS.

a não perder vizinhos



No próximo sábado, dia 17, às 18h, no Cinema Londres será exibido o documentário “Vizinhos”, de Tiago Figueiredo, sobre as origens da Musgueira, transformação na Alta de Lisboa e desafios decorrentes. O filme está incluído na programação do doclisboa, o maior e mais importante festival de cinema documental português.

AQUI pode ser vista a sinopse e mais informação sobre este documentário a não perder

O Bairro da Musgueira nasceu nos anos 60 num antigo olival, para os lados do Lumiar, em Lisboa. Nasceu na lama, sem água, luz ou esgotos, e foi feito à mão pelos desalojados da ponte Salazar, do aeroporto da Portela, das cheias de 67, e de outros locais errados onde deixou de ser possível viver. Era um bairro provisório, mas o tempo foi passando e os habitantes da Musgueira foram melhorando as casas de madeira e chapa de zinco até muitas se tornarem de pedra e cal.


Nos anos 90, disseram-lhes que tinham de sair dali. Deixariam de morar em casas térreas para passar a viver em prédios de oito andares. De repente, a população da Musgueira viu o bairro desaparecer à frente das retroescavadoras. Era a “nova cidade” que aí chegava. Era a aposta na integração social, misturando casas de realojamento e apartamentos para classe média/alta. A velha Musgueira deu lugar à Alta de Lisboa.

Foram mudanças radicais na vida de todos. À saudade da vida de rua que perderam, juntou-se toda uma nova gama de dificuldades. Entretanto vão chegando novos moradores, vizinhos improváveis, que partilham as mesmas ruas. Mas será que morar no mesmo bairro faz destas pessoas verdadeiros vizinhos?