31 de dezembro de 2009

Boa década


Este fantástico gráfico foi descoberto aqui.
Tinha-me esquecido de muitas destas coisas dos últimos 10 anos. E muitas fiz por esquecer.
Como serão os próximos 10?


Bom Ano


The Human Seasons


FOUR Seasons fill the measure of the year;
There are four seasons in the mind of man:
He has his lusty Spring, when fancy clear
Takes in all beauty with an easy span:
He has his Summer, when luxuriously
Spring’s honey’d cud of youthful thought he loves
To ruminate, and by such dreaming high
Is nearest unto heaven: quiet coves
His soul has in its Autumn, when his wings
He furleth close; contented so to look
On mists in idleness - to let fair things
Pass by unheeded as a threshold brook.
He has his Winter too of pale misfeature,
Or else he would forego his mortal nature.

John Keats
Posthumous and fugitive Poems

Mugi

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gosto da elegância e do design dos objectos da Mugi e gosto desta Mensagem

30 de dezembro de 2009

di andare presto




num fantástico promontório de Capri
a concepção foi do poeta Curzio Malaparte e do arquitecto Adalberto Libera
em Le Mépris (1963), de Jean-Luc Godard, a Villa pertence a um produtor de cinema americano Jack Palance (Jeremy) e serve de
sundeck a Brigitte Bardot (Camille)
e a Michel Piccoli (Paul)

Simplex, já!


A nossa Justiça não pára de surpreender. Todos os dias, são novidades e perplexidades.
Ao fim de 20 anos de vida jurídica e, recentemente de novo em certas áreas, sinto que as coisas estão piores do que no início da minha carreira.
Os Tribunais são nalguns casos melhores. Mas, as longas esperas nos corredores dos Tribunais mantêm-se. E a lentidão, a burocracia, o cinzentismo, a falta de brilhantismo, as deselegâncias dos colegas, a falta de bom senso de muitos juízes, a fraca preparação de muitos procuradores, o corporativismo generalizado, a legislação exagerada e sem sentido e a má gestão política, são cada vez mais sentidas e evidentes.

Recentemente, soube-se que o Tribunal Consitucional considerou inconstitucional a norma do Código da Estrada, aprovado em 2005, que estabelece que a recusa em realizar o teste de recolha de sangue perante uma fiscalização das autoridades policiais constitui crime de desobediência. A inconstitucionalidade existirá porque a previsão da não recusa seria competência da Assembleia da República e não do Governo.
Por sua vez, também numa decisão recente, a Relação do Porto considerou que um condutor tinha o direito de se recusar a realizar o referido teste e que isso não poderia constituir crime de desobediência.

Ao que se sabe, o acórdão do Tribunal da Relação é inédito e poderá haver, no futuro, entendimento diferente. É normal isso poder acontecer. Existirem decisões diferentes sobre uma matéria idêntica faz parte do Direito. Como o faz, existirem interpretações diferentes das normas jurídicas.

Mas, se há matéria em que não devem existir muitas dúvidas e divergências, é na da segurança rodoviária. Sabemos o número de acidentes que temos e como se conduz em Portugal. São evidentes as razões para que exista o mínimo de dúvidas possível. Ainda mais, quando aparentemente é uma questão relativamente fácil de resolver.

Então por que razão não se altera a lei? Por quê complicar, deixar dúvidas, permitir interpretações dúbias?
Não defendo que haja alterações legislativas sempre que há divergências de interpretação. Era o que faltava. Mas há divergências e divergências. E há interpretações e interpretações.

É preciso mais bom senso, melhor gestão, melhores leis e em menor número, mais celeridade, menos burocracia, mais eficácia. Torna-se urgente um "simplex" na nossa Justiça. Urgentíssimo.

23 de dezembro de 2009

A time to love




Steve Wonder e India.Arie

Judeu é

O Supremo Tribunal de Justiça inglês decidiu que ser judeu não é obrigatoriamente ser filho de mãe judia.

A interpretação foi dada num caso de uma criança inglesa a quem foi negada a matrícula numa escola judaica de Londres com o argumento de que seria a matrilinearidade que definiria a condição judaica e a mãe da criança em causa não era judia de nascimento, mas apenas convertida.

A escola em causa - a Jews’ Free School - é pública, com uma visão ortodoxa do judaísmo, mas com a permissão legal de dar preferência a alunos judeus.

No caso desta criança o pai era judeu de nascimento e para a ala reformista do judaísmo a linhagem paterna poderia determinar quem é judeu. E a Justiça seguiu esta "nova" linha e considerou que o menino é judeu e pode ser matriculado. Uma decisão inovadora.

A questão sobre quem é "judeu" é central na identidade judaica desde pelo menos o século XV e sempre foi objecto de intenso debate. São muitos aqueles que consideram, por exemplo, que o critério adoptado na escola em causa é absurdo, pois a escola aceita judeus filhos de ateus e fecha a porta a filhos de judeus que, embora convertidos, são fiéis praticantes. E isso foi agora posto em causa.

Independentemente disso, não deixa de ser uma decisão jurídica quase revolucionária num país que sempre nos habituou à evolução, à mudança, à revolução, à diferença. De mentalidades, mas também política, jurídica e, até, religiosa.

20 de dezembro de 2009

domingo frio, frio, frio



antes do sofá para ver o Benfica-Porto, lavei muito bem umas quantas batatas em água fria corrente, sem lhes tirar a pele, coloquei-as num tacho e cobri com água fria, temperei com sal e coloquei o tacho ao lume, até as batatas ficarem cozidas e tenras. Depois, escorri-as, descasquei-as enquanto ainda estavam quentes, transferi-as para uma travessa e parti-as grosseiramente em pedaços com o auxílio de um garfo.

temperei com azeite "puro e duro", algum vinagre, alhos esmagados, umas pedras de sal e orégãos. Envolvi tudo muito bem e comemos com pão alentejano aquecido.

acompanhámos estas batatas à algarvia, cuja receita é do José Vila, do melhor dos melhores Vila Lisa, com um fantástico Altas Quintas, Reserva 2004, um tinto também alentejano com 14,5%Vol, uma cor granada brilhante e um aroma profundo e impressionante, que dá vontade de não parar de cheirar. Na boca, embora possante, é delicado e tem uma textura sedosa, maravilhosa.

ideal para um lanche ajantarado de domingo frio, frio, frio, em que não joga o nosso clube.

O "bunker" perfeito para hoje


todo em madeira, projectado por LLP Arkitektkontor AB em Fårö, mas na Suécia...



18 de dezembro de 2009

Havemos de ir a Viana


Vinha Grande


VINHA GRANDE 2001, um tinto do Douro, da famosa Ferreirinha, mostrou-se intenso, de carácter bem marcado, com uma bela cor vermelho rubi.
Os aromas apareceram dominados por frutos, notas florais e especiarias. Na boca, foi equilibrado, elegante.
A magnum bebida foi perfeita para um jantar exclusivo, de grande qualidade e imensa cumplicidade. Pareceu pequena...


17 de dezembro de 2009

Fontes Pereira de Melo


Fontes Pereira de Melo viveu numa época em que se acreditava no progresso, na concórdia universal, na liberdade. Foi um tecnocrata e um estadista, marcado pelo facto de ter nascido numa nação pobre. Por isso, a sua obsessão consistiu em tentar fazer tudo para minimizar o atraso global do país.

Na Monarquia Constitucional fizeram-se reformas importantes que adequaram o país aos novos tempos anunciados por uma Europa saída da agressão napoleónica e sem um rumo ainda bem definido.

Estradas, caminhos de ferros e infra-estruturas – pontes, túneis, portos, entrepostos comerciais, mercados - abolição da Pena de Morte, modernização do sistema eleitoral, simplificação administrativa, fomento de indústrias e promoção do conhecimento científico, são algumas medidas que foram sendo executadas em Portugal ao longo de mais de três décadas. Uma autêntica revolução material e nas mentalidades, que aproximaria Portugal de uma Europa que começava a descobrir as potencialidades de um Ultramar pelo qual se digladiaria.


Com Fontes, como Presidente do Conselho, Portugal conseguiu criar as bases de uma modernização urgente. A adequação do modelo social em todas as suas vertentes – movimento sindical, sistema eleitoral ou o despontar dos compromissos sociais patrocinados pelo Estado – foi marcante.

Gostei imenso desta reedição revista e actualizada do livro de Maria Filomena Mónica. Fiquei a conhecer melhor e com outros olhos um homem impar, determinado, interessante, que marcou Portugal.


16 de dezembro de 2009

Raro prazer

Duas fantásticas trufas brancas, constituindo um único lote, foram leiloadas pela Christie’s por 170 mil euros. O comprador dos preciosos tubérculos (um de 900 e outro de 350 gramas) foi o magnata chinês Stanley Ho.

O leilão aconteceu no Hotel Westin Excelsior, em Roma, através de ligação via satélite simultaneamente com o restaurante Apsleys de Londres, o restaurante Semifreddo de Moscovo e o luxuoso resort “The Grand Lisboa”, um dos mais famosos de Macau.

A renda do leilão dizem que será aplicada no financiamento de actividades filantrópicas.
Quanto às preciosas trufas, uma das iguarias mais raras e apreciadas pelos gourmets, desconhece-se qual será o seu destino e qual o chef que terá o privilégio de preparar tão especial manjar. Um desafio só ao alcance de alguns.
Igualmente se desconhece quem serão os honrados comensais que usufruirão destas jóias gastronómicas. Uma oportunidade exclusiva em tempos de crise.

Não me importava de estar entre eles. Ou, talvez, não...

Lança perfume




15 de dezembro de 2009

"Terra chama PSD!"


Numa altura, em que a maior preocupação dos portugueses é o desemprego.
Numa altura, em que o país sente que a Justiça não funciona e que o sistema de segurança social não dá garantias de no futuro conseguir sobreviver.
Numa altura, em que existe uma desconfiança e desmotivação muito grandes em relação à política e aos políticos.
Numa altura, em que existem demasiados casos de corrupção e tráfego de influências.
Numa altura, em que passados dois meses apenas de ter sido (re)eleito, o Governo fala em falta de condições para governar e numa necessidade de clarificação.

O que se ouve ao principal partido de oposição? Ao único partido que pode constituir uma alternativa ao governo do país?

Ouvem-se propostas para discutir o “magalhães”.

Pode-se considerar, com fortes razões, que toda esta iniciativa do computador que apaixonou Hugo Chavez tem muito de propagandístico, que as verbas envolvidas não terão, eventualmente, sido bem geridas e, até, que é estranho o monopólio da empresa que o fornece. Não discuto isso.

Mas, caramba.

Não há nada mais importante?
Será que, neste momento, com este cenário, é o “magalhães” que preocupa mais os portugueses?

Este afastamento da realidade do dia-a-dia, este passar ao lado do que verdadeiramente conta e é motivo de preocupação, é gritante.

Ter um PSD que parece que não é deste planeta, que parece que vive no espaço, é um desconsolo.

Aos portugueses, tenham ou não votado no PS, o que interessa é saber se existe um partido forte, sensível, preocupado, com ideias e projectos alternativos, com iniciativa, realismo, pragmatismo, coragem e bom senso, que possam servir de opção.

É sempre útil ter partidos de oposição consistentes. Mesmo que com eles não se concorde. Mas pelo menos que se sinta que estão na mesma onda do resto dos “mortais”.
É importante saber que, se algo correr mal, há uma alternativa. Há uma esperança.

Desta forma não há alternativa. Não há confiança. Não há esperança.

Isso é mau para o PS, que se acomoda e não luta, não se esforçando para procurar alternativas. Porque não há alternativas.
E, sobretudo, é mau para o país. Um país sem esperança e sem confiança é um país que castra o investimento, não dá garantias na poupança, faz aumentar a corrupção.

É um país acomodado, sem grande futuro, destinado a não brilhar, a ficar para trás. A continuar a trás.

13 de dezembro de 2009

Chess with sex

- “Do you play?” Crown asks.

- “Try me,” Vicki answers.

...

- “Check,” she says.

- “Let’s play something else,” he says.

"They kiss. Not a brief, tender kiss. I was going for the all-time longest kiss in screen history. Not a hint of bare skin, but the kiss was far sexier than a shot of two nudes. It lasted for 80 seconds of screen time. If you can believe it, that kiss earned the movie a Mature Audience rating, and most newspapers would not reproduce our open-mouth kiss ad for the filme."

"This Terrible Business Has Been Good to Me" , Norman Jewison

A cena do xadrez de The Thomas Crown Affair: aqui.

11 de dezembro de 2009

Norton & Sons


Patrick Grant é, desde 2006, o proprietário da Norton & Sons, a fantástica e exclusiva loja de moda para homem surgida no principio do século XIX.
Grant, que tem um EMBA pela Saïd Business School em Oxford, é um das mais interessantes British heritage brands e decidiu investir aos 30 anos tudo numa tradicional alfaiataria inglesa.
É actualmente considerado o mais novo “guv’nor” da famosa Savile Row, em Londres.

O tempo passa e...



dois meses depois das estações de Metro do Saldanha e de S. Sebastião terem sido inauguradas, a Avenida Duque d' Ávila continua uma desgraça.
mantém-se os estaleiros, os tapumes, a impossibilidade de atravessar a Avenida da República, as árvores por plantar, os passeios por empedrar, os buracos por tapar, o trânsito por reordenar.

por onde anda o Vereador Sá Fernandes?




9 de dezembro de 2009

manifesto para o espaço público


para melhorar ruas, avenidas, passeios, praças, estações de metro, jardins, de Londres, até 2012.
tudo bem planeado, com prazos de execução, promotor. como deve ser. a transformação da cidade por causa dos jogos olímpicos de 2012 vai ser enorme. e o espaço público está no centro dessa transformação.

a introdução de passadeiras na diagonal em Oxford Circus (imagem) que mostrámos aqui foi das primeiras medidas deste inovador programa.

a lista completa de projectos está aqui.

4 de dezembro de 2009

O Tempo Passa? Não Passa


O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer toda a hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.


Carlos Drummond de Andrade

3 de dezembro de 2009

Pastel de nata


Fim de um dia de trabalho.
Finalmente, o sofá.
Leitura rápida do i. E Tom Waits...
Apetecia-me um pastel de nata. Não, o de Belém, mas o da Cristal, na Rua Buenos Aires, na Lapa.
Há anos que não os como. Houve uma altura boa em que vivi perto e a Cristal era a pastelaria de todos os dias.
Tenho uns amigos, que agora moram na Lapa, e há dias parei o carro, onde costumava parar quando ía à Cristal.
Foi bom lá ir.
O pastel de nata da Cristal é daqueles que ronronam um suave crunch quando o apertamos entre os dedos. É fresco, a massa estaladiça qb, açúcar sem ser em excesso, cozedura, aspecto e sabor, únicos.
O famoso, o de Belém, tem um folhado amanteigado e o recheio é mais mole.
Prefiro o da Cristal.
Apetecia-me mesmo um.

Estudo e realidade

O Banco de Portugal acabou de publicar "The Portuguese Economy in the Context of Economic, Financial and Monetary Integration".

O estudo inclui capítulos sobre mercado de trabalho, finanças públicas, comércio internacional, desempenho macroeconómico e integração financeira, que demonstram como está o País nesta altura e quais são as perpectivas para o futuro.

É bastante completo e demonstra claramente várias "diferenças" face áquilo que nos comunicam todos os dias e, até, das intervenções do Governador Victor Constâncio. O que não deixa de ser ilustrativo.

2 de dezembro de 2009

Dudamel


Concerto memorável da nova Orquestra Juvenil Ibero-Americana na Gulbenkian.
Impossível ficar indiferente ao maestro venezuelano Gustavo Dudamel. O seu estilo e qualidade são contangiantes.

A noite foi muito sul americana, jovem, irreverente, particular, doce, com luz.
A interpretação de hoje das obras de Inocente Carreño (Margariteña), Manuel de Falla (O chapéu de três bicos) e Tchaikovsky (Sinfonia nº5) vai ser lembrada por muitos anos.

A Gulbenkian estava diferente. Melhor, mais solta, mais viva, mais quente.

Baixa













Sempre gostei de ir à Baixa. De passear pelas ruas. De entrar em lojas que me trazem boas recordações. Lembro-me de ir com a minha mãe e o meu irmão no piso de cima do autocarro 44 de casa até lá e regressarmos animados. Felizes.
Gosto da Baixa sobretudo nesta altura do ano. Do cheiro a castanhas, da luz, do frio, da agitação.
Ontem, peguei no telemóvel e tirei algumas fotografias de lojas a que vou desde sempre: Pollux, Perfumaria Francesa, Grandela, Livraria Petrony, Ourivesaria da Moda, Confeitaria Nacional.
Fiquei feliz, ainda continuam lá, ainda não fecharam.
São boas estas lembranças.