30 de janeiro de 2010

Mercearia




Paviilhão Chinez, Mercearia, Rua Dom Pedro V, Lisboa, 1908
(Arquivo Fotográfico da C.M.L. - fotografia de Joshua Benoliel)

29 de janeiro de 2010

Leica

Novos tempos

Um estudo recente do Pew Research Center mostra que, entre 1970 e 2007, o número de mulheres que têm educação e contas bancárias superiores às dos seus maridos. cresceu significativamente nos EUA. 


Em 1970, as mulheres que ganhavam mais que os maridos eram 4% do total e as que tinham mais instrução eram 20%.
Em 2007, o número de mulheres que ganhava mais que os maridos era já de 22% e em relação à instrução era de 28%.

Trata-se de uma “mudança significativa na instituição do casamento”, e uma inversão dos tradicionais papeis na relação. Conforme se pode 
ler 
neste artigo, os homens sempre precisaram do casamento para manter o bem-estar mental, mas agora, precisam também do casamento para manter o bem-estar económico.



Não sei se o mesmo se passa na Europa e em Portugal. Não conheço estudos nesse sentido. Mas, empiricamente diria que sim. Quer em grandes empresas, quer na política, quer em algumas profissões liberais, é cada vez maior o número de mulheres com sucesso, cultas, instruídas e com poder económico. E que marcam a diferença. Sem necessidade de quotas ou imposições legais artificiais. Naturalmente. 


E isso, se por um lado é enriquecedor em termos sociais e económicos, também obriga, por outro lado, a ajustamentos e mudanças na relação familiar. E isso só é possível com uma evolução natural do papel da mulher na sociedade e na família. E com uma evolução de mentalidades, que vença machismos e que aceite o novo papel da mulher no século XXI, Bem diferente do do passado, nalguns casos muito recente.


São novos e bons tempos. Os homens só beneficiam. Todos beneficiam.

28 de janeiro de 2010

State Of The Union

Discurso magistralmente escrito, com uma perfeita arrumação das ideias que deixou claras reflexões e propostas. Do emprego e da economia, à reforma na saúde, à educação, energia, ambiente ou segurança. E com um forte pedido a todos de “união” na hora de resolver assuntos.
Empolgante.



- "We face big and difficult challenges".
- "It's time the American people get a government that matches their decency"
- "We face a deficit of trust".
- "That's why we extended or increased unemployment benefits for more than 18 million". Americans, made health insurance 65 percent cheaper for families who get their coverage through COBRA, and passed 25 different tax cuts".
- "I'm also proposing a new small-business tax credit, one that will go to over 1 million small businesses who hire new workers or raise wages."

aqui a cobertura exaustiva do discurso

Bistrôt



27 de janeiro de 2010

Assustador!


Fui eu que não percebi bem, ou no próximo orçamento as receitas não dão para pagar as despesas, mesmo subtraindo-lhes os juros da dívida?

É que, pelo que li e ouvi, as receitas totais previstas totalizam 67,3 mil milhões de euros. Enquanto as despesas totais previstas, sem juros, somarão 75.881 mil milhões de euros.

Portanto, o défice, não incluindo juros, será (?!) de 8.620 mil milhões de euros. E considerando que os juros são de 5.335 mil milhões de euros, o nosso défice global será (?!) de 13.955 mil milhões de euros.

Assustador!

O que significa, para além de mil outras..., duas pequenas conclusões:
- que estamos perante um novo aumento da dívida pública a juntar aos 15.367 mil milhões de 2009
- e que o pagamento dos juros só poderá ser feito se alguém nos emprestar dinheiro.

Ou seja, repete-se o cenário... assustador!

Mas devo ter sido eu que percebi mal...

26 de janeiro de 2010

gostei



desta entrevista de Paula Teixeira da Cruz.

nem sempre estou de acordo com o seu pensamento,
mas o que ela diz ao "i" demonstra uma lucidez e uma coerência que escasseiam.

Mi amigo Chavez


De acordo com este curioso artigo, de Jackson Diehl, do Washington Post o “socialismo do século XXI” de Hugo Chávez está a caminho do colapso.

São vários os sintomas: internamente, o racionamento de energia, a inflação a caminho dos 60% ao ano, a desvalorização cambial. No campo externo, o fracasso dos seus seguidores: a derrota
de Zelaya nas Honduras e a perspectiva de uma viragem conservadora com a possível vitória de Sebastián Piñera no Chile.

Pode ser exagero, mas as últimas iniciativas de Chávez, aniquilando a liberdade de imprensa e atacando ferozmente a oposição estudantil, mostram que anda nervoso.

Pode ser que seja o fim do populismo demagógico do admirador do nosso computador Magalhães, citado pelo nosso primeiro ministro como um bom exemplo do socialismo do século XXI. Pode ser.

O Club


No panorama social português, poucas instituições particulares podem ombrear com o Clube Portuense, em termos de longevidade histórica, enquanto repositório de tradições que pensávamos já não existirem e enquanto espelho de uma parte da sociedade portuense, que contribui fortemente para o sucesso e brilho da cidade.

Fundado em 1857, é um clube de elite que conserva as mesmas regras de admissão que tinha há meio século, em que uma conta bancária com muitos dígitos não é critério suficiente para se ser admitido. Misto de "intelectuais e burgueses", o Clube Portuense ainda hoje é ponto de encontro e convívio dos seus sócios exclusivos e ainda hoje organiza bailes de debutantes, com as filhas e netas dos sócios a serem oficialmente apresentadas à sociedade. Os bailes são um acontecimento marcante na vida das debutantes, que vivem o momento com ansiedade e fantasia. Como se de um sonho se tratasse. Não parecem deste tempo.
É também o único que ainda hoje respeita a soberania implacável da bola preta: qualquer candidato a membro é sujeito a votação secreta e se no final sobrar uma bola que não seja branca a tentativa de ascensão social termina ali, sem honra nem glória.

É um privilégio ter oportunidade de o conhecer. Ajuda a compreender muita coisa.
Umas, mais simples e prosaicas, como a importância de existirem locais agradáveis de encontro, convívio, tertúlia e debate variado inter-geracional, e outras, mais importantes, como dar valor à amizade, à partilha, à confiança, ao respeito, à tradição. Valores tão raros e tão mal tratados hoje em dia.

Foi uma noite inesquecível.

19 de janeiro de 2010

F...etiche

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Sequência fetiche de Carmen Jones (1954), de Otto Preminger
com Dorothy Dandridge e Harry Belafonte.

15 de janeiro de 2010

Bogey in Lisbon?...

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Para ciclovias únicas

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"BICI IS THE ITALIAN SLANG FOR BIKE/BIKES.EVERY BERTELLI BICYCLE IS A UNIQUE DESIGN OBJECT THAT YOU WON'T FIND IN ANY STORE IN NEW YORK CITY. EVERY PART IS ASSEMBLED BY HAND, FINISHED AND FINE-TUNED BY ME, FRANCESCO.
ALL MY BIKES ARE TRACK BIKES AND FIXED GEAR ONLY (WITH THE EXCEPTON OF SOME COASTER-BRAKE BUILDS). I COMBINE BRAND NEW PARTS WITH "NEW OLD STOCK" AND VINTAGE PARTS FOUND AT FLEA MARKETS, OLD BIKESHOPS, COLLECTORS AND FROM MY TRUSTWORTHY SUPPLIERS.THE FINAL RESULT IS THAT YOU WON'T FIND EXACTLY THE SAME COMBINATION IN ANY OTHER BICYCLE OUT THERE.
AND YOUR BICYCLE WILL BE UNIQUE."

14 de janeiro de 2010

Previsões...

Vítor Constâncio, depois de indicar uma diminuição do PIB de 2,7% em 2009, anunciou esta semana a previsão de um crescimento do mesmo PIB de 0,7% para este ano e pediu ao Executivo para diminuir o défice orçamental, já que o país não pode, segundo ele, esperar pela recuperação económica.

O curioso (!) é que, em Julho de 2008, o mesmo Vítor Constâncio anunciou as suas previsões de um crescimento de 1,3% do PIB, em 2009. Afinal, segundo o próprio diz agora, terá havido uma diminuição de 2,7%.
E em Dezembro, também de 2008, o mesmo Vítor Constâncio sugeriu ao Governo que, em vez de diminuir, aumentasse o défice orçamental em 2009, com o objectivo de estimular a recuperação económica.

A crise internacional serve de explicação a tanta coisa... E a mudanças tão rápidas...

Não esqueçamos que, à excepção do propagandeado défice estimado em 2005, quando a situação do país não era tão grave como as previsões do mesmo Vítor Constâncio anunciavam, daí em diante, o cenário traçado foi sempre optimista, um cenário de oásis, que sempre se revelou uma autêntica miragem.

Mesmo que se venham a confirmar as previsões agora apresentadas, não existem razões para facilitismos, desperdícios e projectos megalómanos. Embora, pessoalmente, pense que mais uma vez as previsões de Victor Constâncio vão ser excessivamente optimistas.

Oxalá me engane.

Ainda, em relação a previsões, e num plano diferente, parecem-me as das agências de rating, de legitimidade e pertinência muito duvidosas. Sem pôr em causa o seu mérito, considero que se deveriam fixar regras claras para a sua divulgação. A forma como se tomou conhecimento da recente "previsão" da agência Moody's, que lançou um aviso sobre a "morte lenta" de Portugal, parece-me ligeira e sensacionalista.

The Seafarers








13 de janeiro de 2010

O sentido de Justiça


Michael Kohlhaas é um comerciante cavalos que precisa de atravessar com os seus animais as terras do Barão von Tronka. É-lhe pedido um salvo-conduto para que possa atravessá-la. Kohlhaas, um homem recto e honesto, desconfia, mas deixa dois cavalos como garantia e vai tratar do salvo-conduto.

Passados uns dias e depois de ter conseguido obter o exigido documento, quando regressa para levar os an
imais que ficaram como garantia, vê que estes estão magros e maltratados, pois foram utilizados pelo Barão em trabalhos de lavoura, e declara que só os aceitará de volta quando estiverem nas mesmas condições em que os deixou.

Von Tronka recusa. O negociante reclama. Mas as autoridades não o levam a sério.

A partir desse momento, o unico objectivo da vida de Kohlhaas passa a ser o de que os seus animais sejam devolvidos em boas condições. A solidão de Kohlhaas e sua necessidade de justiça são avassaladoras. E apesar dos seus fundamentos jurídicos serem justos e perfeitamente claros, Kohlhaas vê-se cada vez mais impossibilitado de ver ser feita Justiça, devido aos expedientes e conhecimentos de Von Tronka, às oscillações do Direito e às inevitáveis relações do poder.

Em face de tantas adversidades, a solução que encontra é fazer justiça pelas suas próprias mãos afim de receber de volta os seus dois cavalos em boas condições. E, de repente, torna-se um símbolo, exaltado por uns, temido por outros. Invade cidades em busca de von Tronka, desafia governos e chega ao ponto de entrar no quarto de Martinho Lutero a fim de discutir o caso. Lutero chama-o de louco, mas depois de ouvir os seus fortes argumentos, desiste de pedir a Kohlhaas que pare, pois percebe que este não se conformará com uma questão em que foi injustiçado e que para ele é fundamental: viver numa terra onde os seus direitos são respeitados e assegurados.

Kohlhaas quer mudar o mundo, não permitindo que se cometa uma injustiça. E tudo fará para que tal não aconteça.


"
Michael Kohlhaas, o Rebelde" passa-se no século XVI na Saxónia e em Brandebuergo, foi escrito por Heinrich von Kleist, nascido em 1777 e que morreu com apenas 34 anos e é um livro fantástico, único, que reli recentemente. Li-o pela primeira vez, há muitos anos, não sei bem se antes de ter decidido ir para Direito. Marcou-me profundamente. E ao longo dos anos, foram muitas as vezes que me recordei dele. É de uma actualidade, de uma força e de uma fluidez impressionantes. E os valores são uma referência única.

Ainda gostei mais de o ler desta vez. O contexto sociológico e político do país e do mundo e, naturalmente, a idade, a experiência, a vivência jurídica e o próprio contexto pessoal, contribuem seguramente para isso.

11 de janeiro de 2010

algumas propostas para o OGE 2010


Ca
minhamos para a discussão do primeiro Orçamento anual destes últimos 9 anos que vai ser discutido e votado sem maioria absoluta.

O PSD, já mostrou, e bem, disponibilidade para o viabilizar, mas parece claro que não poderá aprovar um orçamento despesista. Não poderá viabilizar subidas de salários da função pública; deve ser firme nas sugestões para a redução da despesa e na descida dos impostos; firme na descentralização da política educativa e firme na flexibilização da lei laboral.

As palavras de ordem terão de ser clareza, contenção e firmeza.

O tempo é demasiado grave para compromissos de gabinete. Pelo que não poderá existir o mais pequeno agravamento da carga fiscal, especialmente em sede dos impostos sobre o rendimento.

Independentemente das previsões do Governo sobre o comportamento das receitas fiscais depois da forte quebra registada em 2009 e que deverá ter atirado o défice para perto de 9% do PIB e sendo certo que não se pode esperar grande recuperação, dada a muito tímida recuperação da actividade económica, +0,5%, existem outros pontos, do lado da despesa, em que o PSD terá de lutar:

-
nas despesas sociais para fazer face a um nível de desemprego muito elevado e que poderá continuar a agravar-se em 2010,
- e no apoio criterioso e diria, cirúrgico, a actividades em forte crise: pescas, agricultura e indústria têxtil.

Em resumo, este ano tem de haver sinais de uma recuperação nas contas públicas, através da diminuição da despesa, não havendo verdadeira redução da despesa sem privatização de serviços. Se tal tivesse já acontecido, teríamos seguramente menor défice, menos impostos e serviços públicos de melhor qualidade.

Claro que também se deverá reduzir substancialmente a despesa através de uma eficaz e correcta gestão dos dinheiros públicos, sem nunca esquecer que a despesa pública nunca foi factor de crescimento nos países da UE27. Mas isso, talvez seja difícil. Infelizmente.

8 de janeiro de 2010

What is the right thing to do?


num dia com indiscutível significado político, jurídico e moral, em que foi votada favoravelmente na Assembleia da República a possibilidade de casamento entre pessoas do mesmo sexo e independentemente do que venha ainda a ocorrer, nomeadamente, em termos constitucionais,
num dia em que foi alcançado na educação um importante acordo político, muito graças à habilidade da Ministra Isabel Alçada, e independentemente da abrangência do mesmo e do que venha a acontecer,
num dia em que se soube que o PSD está dispunivel para estabelecer acordos com o PS em relação a alguns temas essenciais e que poderão viabilizar o próximo Orçamento de Estado,

relembro um curto video sobre justiça, moral, valores, igualdade, educação, com um homem que aprecio especialmente Michael Sandel.