22 de fevereiro de 2010

Tragédia

Uma das mais belas zonas do país ficará abalada durante muito tempo por esta tragédia que nos surpreendeu. Estávamos distraídos com  um conjunto de disparates dos mais altos representantes do Estado e da Justiça, quando a natureza nos fez ver o que é verdadeiramente importante.

Ao recordar a simpatia e educação dos madeirenses e a beleza desta ilha, onde não vou há anos, que nem sempre é falada pelos bons motivos, não se pode senão ficar do lado de pessoas que sofrem com o isolamento e, agora, com a destruição.

Respeito, silêncio, compaixão e pudor, impõem-se.

Mas não deixa de ser chocante constatar que foi precisa uma tragédia para Portugal readquirir o aspecto duma nação como as outras, governada por gente responsável, com sentido e postura de Estado.
Finalmente, vimos o Primeiro-Ministro a falar sem ser por causa de peripécias de apetites de poder total, vimos o Presidente da República num registo certo e confiável e o presidente do governo regional com a postura correcta que se exige.

Isto talvez ajude uma nação cada vez mais descrente e perplexa com acontecimentos que se pensava já não serem possíveis. Mas comparado com o que aconteceu, de pouco serve.

21 de fevereiro de 2010

Whatever Works


(capa do soberbo livro Scenes from The City, Filmmaking in New York)

Whatever Works
, o último filme de Woody Allen, representa a filosofia do protagonista Boris Yellnikoff, interpretado na perfeição por Larry David, que vive a vida sem fazer grandes planos, limitando-se a aceitar as coisas "desde que elas funcionem". 

Yellnikoff é demasiado "genial" para as regras da nossa sociedade. Em tempos foi proposto para o prémio Nobel da Física, é divorciado, maniaco-depressivo, hipocondríaco e sofre de umas pontuais tendências suicidas. Até que um dia conhece uma inocente jovem do sul e tudo muda.

Uma óptima comédia satírica sobre o amor, com excelentes diálogos, boa musica e muito sentido de humor. É dos melhores filmes de Woody Allen e um excelente regresso a New York, que está como há muito não aparecia no cinema.

18 de fevereiro de 2010

open up your door


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Eduardino


Ginginha sem Rival e também anis, amêndoa amarga, salsaparilha, capilé e o famoso "Eduardino", em memória de um palhaço do coliseu. Fica nas Portas de Santo Antão nº. 7.

17 de fevereiro de 2010

Ilustração Portuguesa


Especialidades alimentícias: legumes secos descascados, flocos de cerais, farinhas de legumes cozidos e crémes da marca Bernard Frères, Paris. Entre os produtos à venda: pacotes de feijão cabreiro, crémes de trigo verde, pacotes de flocos de arroz, pacotes de cacau com banana, manteiga do Dão e da Praia da Âncora, Café Princeza "em lindas latas axaroadas", chá da Índia, e vinhos de Carcavelos.

Um blog a não perder Ilustração Portuguesa 

Revista de Vinhos





Os Melhores do Ano 2009
Grande destaque para o Douro e em particular para Dirk NIEPOORT

O país piorou com estes políticos

 .
Depois de ler istoparece evidente que as coisas se vão degradar e complicar ainda mais. 

Há muito que penso que existe em Portugal, nos últimos anos, uma conjugação de forças que envolve lugares cimeiros do Estado, fundações, imprensa, empresas de sondagens, entidades reguladoras, empresas de capitais públicos, "opinion makers," no sentido de proteger a todo o custo o poder existente.

Sabemos que existe sempre , no nosso país, a tentação de estar com o poder,  e também e por outro lado, de este não gostar de quem o enfrenta. Existe pouca tradição do contraditório, de conjugar forças à partida divergentes para um objectivo comum, de aceitar melhorar uma decisão que se julga perfeita.
Convive-se mal em Portugal com uma opinião que contraria o que se pensa. Quem o ousa fazer, tem um objectivo escuro qualquer, uma segunda intenção. Mas, nos últimos anos, tem valido tudo para combater quem critica. Tem valido tudo para amedrontar quem ousa enfrentar. Tem valido tudo para evitar que exista sequer a possibilidade de poder haver criticas.

Para mim, não eram precisas "as escutas" e as revelações do Sol para ver esta realidade. São múltiplos e diários os factos que o demonstram. Basta ligar a televisão e ler jornais.
O argumento de que o país votou é válido, mas curto, face ao ao que está em jogo. E sobretudo à forma indiscutivelmente habilidosa e tentacular como esta estratégia tem sido montada.

O problema do país é político e moral. 

É a indiferença em relação ao endividamento externo ; é a indiferença em relação a questões elementares de direitos e liberdades; é a impunidade do poder e do Estado; é a lentidão intencional da Justiça; é o carácter duvidoso da corte que Sócrates espalhou; é a rede de interesses que junta negócios, imprensa e decisão política; é um PSD dividido, sem chama, sem iniciativa e sem força, que não tem sido alternativa.

A questão da falta de liberdade de expressão é evidente (nos indíces internacionais de liberdade de imprensa estamos actualmente na 33.ª posição, quando em 2008, estávamos na 19.ª, e na 10.ª em 2007). Mas mais grave e preocupante é a tentação cada vez mais acintosa de limitar sob pretextos comuns e absurdos quem diverge.
Ao pé do que se passa hoje, a critica de Rui Gomes da Silva aos monólogos de Marcelo Rebelo de Sousa e o projecto da central de informação é de aprendiz de feiticeiro. Como também o é, a incomodidade de Cavaco Silva quando era primeiro ministro face à postura semanal do Independente. Não tem comparação. E o que não fez o Independente...

Esta "nova" política e estes novos políticos liderados por José Sócrates não entendem verdadeiramente que governar é cumprir e honrar um papel institucional, fazer escolhas que podem ser criticadas, mas fazê-las da forma mais correcta e participativa, servindo o interesse público, o interesse do País. Estes novos políticos não gostam de "pormenores", nem de criticas. São grandes, são melhores que todos os outros, têm uma missão e cumprem-na fazendo o que for preciso, nomeadamente através do contacto com grandes empresários a quem facilitam negócios.
Uma coisa é ter capacidade de decisão e enfrentar interesses instalados, outra é o estado de alma destes novos políticos para quem qualquer crítica a um simples diploma constitui um ataque à sua missão, às grandes ideias, ao seu papel na sociedade. E o que era "apenas" um ataque à sua política passa a ser um ataque pessoal, uma maledicência, uma prova de má-fé. Qualquer crítica ou reparo é uma tragédia.

Ser político exige visão, disponibilidade, conhecimento, coragem para enfrentar e decidir, humildade para aprender e grandeza para suportar críticas e injustiças. é preciso confiança e um "bom ego", mas não narcisismo e vaidade a mais.  É preciso respeitar e ter valores. Faltam muitas daquelas características  essenciais a José Sócrates e aos políticos que o rodeiam. E isso cada vez mais pessoas vêm, o que sendo positivo, não serve de consolo. O país piorou muito com estes políticos.

16 de fevereiro de 2010

snack de carnaval


Relembro a primeira vez que comi este snack. A verdade é que foi um pequeno almoço... num minúsculo hotel em Varenna, no Lago Como, saboreado junto à janela desfrutando de uma inesquecível vista. Hoje fiz para jantar com algumas adaptações. Estava com saudades de Itália.


Juntei duas colheres de mel a duas de queijo fresco (o original é com ricotta...) coloquei a mistura numa pequena tigela que coloquei uns minutos no grill. Tostei umas fatias de pão de Mafra e umas uvas fora de época. Numa tigela coloquei mais mel que saboreei lentamente, enquanto barrava a mistura no pão quente.  Excelente!

Photo de Ellen Silverman

Igreja de S. José dos Carpinteiros






Uma excelente causa que merece todo o apoio lançada por um grupo de cidadãos http://grupoamigosigrejasjose.blogspot.com/.
Esta igreja que remonta a 1545 é fantástica, sempre me disse muito e está num estado deplorável. Precisa de atenção, de ajuda, de muito.

15 de fevereiro de 2010

1995





Ao arrumar papéis antigos, descobri alguns exemplares da George que desapareceu algum tempo depois de John F. Kennedy Jr ter morrido em 1999 num estúpido desastre de avião. A capa do primeiro número teve Cindy Crawford vestida de George Washington. Foi das primeiras revistas estrangeiras que comecei a comprar com alguma regularidade, por volta de 1995, depois de sair da minha primeira e mais estimulante experiência junto do poder político.


Nos EUA, Bill Clinton era presidente, Jacques Chirac tinha sido eleito em França e John Major tentava em Inglaterra aguentar-se perante um carismático Tony Blair. A Desert Storm assustava-nos. E todos começávamos a trabalhar com o Windows 95.


Em Portugal viviam-se tempos politicamente estimulantes. Mário Soares era Presidente da República, Cavaco Silva estava de saída enquanto Primeiro Ministro, preparando-se para Belém, substituído por um dialogante António Guterres, e Jorge Sampaio já estava no terreno para conquistar Belém. Pedro Santana Lopes tinha saído da Secretaria de Estado da Cultura. E o país tinha passado pelos bloqueios na ponte 25 de Abril e pela mudança de planos em relação a Foz Côa.


A idade era diferente, propícia a mais confiança e a rupturas. Mas tenho a nítida convicção que os tempos eram mais inspiradores. Havia mais confiança. A economia agitava. Falava-se mais em valores, em solidariedade, em debate.


Não que eu queira que o tempo volte para trás. De todo... Mas em muitos aspectos, o mundo e Portugal não melhoraram assim tanto desde esses tempos. Pessoalmente, foi o recomeço de uma nova fase e o começo de uma caminhada que ainda hoje se prolonga... em passo acelerado.

11 de fevereiro de 2010

Linha do Equador

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Mas é doce morrer nesse mar de lembrar
E nunca esquecer
Se eu tivesse mais alma pra dar
Eu daria, isso pra mim é viver.


Classe


Não é só economicamente que o país está mal. É sobretudo uma crescente e despudorada perda dos valores do respeito e da decência nas relações entre as pessoas.

Sem respeito e sem decência, a degenerescência social é inevitável, conduzindo à desconfiança, à descrença, à revolta, à decepção e à tristeza.

Há dias, foi o "caso Mário Crespo". Depois, as revelações do semanário Sol, que prometem não ficar por aqui. Antes tinham sido as "surpresas" com o estado da economia. E as contradições e mentiras. Para não falar no estilo retórico de muitos políticos e ministros, mais próprios da América Latina do que de um país que continua a sonhar. Há meses o BPN, o BPP, o BCP, a face oculta, o "caso Armando Vara", o caso Dias Loureiro". Há mais tempo "o caso Casa Pia", o "apito dourado"...

Mas o mais preocupante é o que sente no dia-a-dia. Desconfianças e perseguições a quem contraria o poder, levantamento de infindáveis inquéritos e investigações a quem ousa ser diferente, a quem ousa mudar, reagir, denunciar, ou simplesmente fazer. É cada vez mais frequente a mudança de posições outrora assumidas, a quebra dos compromissos assumidos, com o mais natural e cândido desplante. Nas nossas profissões, nos locais de trabalho e, até, nas relações pessoais, a mentira, a falta de respeito e de decência, os golpes, truques e expedientes, a falta de carácter, são cada vez mais sentidas.

Portugal é cada vez mais um País pequeno, que nunca mais se habita à liberdade, que rodeia em vez de enfrentar, que gosta mais do mexerico do que de trabalhar, que prefere o acessório ao essencial, com uma enorme dificuldade em decidir preferindo que decidam por ele, que prefere olhar para os outros do que para si próprio. Que promete e não cumpre.

Portugal tem cada vez menos classe.

10 de fevereiro de 2010

100 dias de António Costa

  • a casa continua por arrumar, sem reestruturação feita, nem orçamento para 2010 aprovado;
  • transito e estacionamento desordenados sem medidas que os corrijam;
  • mau estado do espaço público, nomeadamente, passeios esburacados, pilaretes a despropósito, sujidade, vidrões sem cuidado, jardins por cuidar, proliferação de grafittis;
  • desaceleração dos projectos de reabilitação urbana, 
  • falta de concretização das brigadas de intervenção rápida;
  • manutenção da situação de vazio, esquecimento e desvario da Baixa;
  • paralisia ou abrandamento de projectos como o MUDE, o túnel do Marquês, ou a recuperação de escolas (são só seis as obras em curso); 
  • abandono da Alta de Lisboa;
  • anúncio de medidas prejudiciais para a cidade como a Igreja do Restelo, a destruição do Jardim do Príncipe Real, o plano da Matinha, ou o Red Bull.

em síntese: apesar de não serem os primeiros 100 dias de António Costa, verifica-se uma evidente ausência de projectos que melhorem a cidade, uma gritante falta de liderança, de brilho, de amor à cidade e um enorme conjunto de trapalhadas e medidas injustificadas.

promete...

8 de fevereiro de 2010

É altura

Entre 2005 e 2010, a dívida pública portuguesa aumentou 56,1 mil milhões de euros, passando de 90,7 mil milhões para 146,8 mil milhões de euros. Em 2004, significava 60% do PIB, em 2009 representa 79,4% e em 2010 vai aproximar-se seguramente dos 90%. Se a estes valores juntarmos cerca de 30 mil milhões de euros da dívida das empresas públicas deficitárias e ainda o valor actual dos compromissos com as Parcerias Público Privadas no montante de cerca de 26 mil milhões de euros, teremos um valor global de 203 mil milhões de euros, equivalente a 122% do PIB.

Cinco anos de Governação que permitem fazer um balanço da política orçamental e verificar o quanto ela foi incorrecta e incapaz de provocar uma verdadeira viragem económica. Já para não falar de mentalidades. De valores. De postura.

De 2005 a 2008, a por todos reconhecida melhoria da eficácia da máquina fiscal teve como reflexo e mérito a subida do montante arrecadado pelos impostos, a uma taxa média de 5,7% ao ano. No entanto, o crescimento do PIB foi de uns miseráveis 0,9%/ano em média. Ou seja, o Estado continuou a recorrer ao mecanismo mais fácil e a apropriar-se da riqueza gerada pela economia, não diminuindo despesas fixas estruturais. Sobreviveu por causa dos impostos. Mas não "investiu". 

Resultado: a poupança dos particulares e das empresas foi drasticamente reduzida, o investimento diminuiu 0,6% em média anual e o desemprego cresceu. A curto prazo, a receita fiscal diminuiu, sendo em 2009, de 12% enquanto o PIB diminuiu 2,6%, traduzindo-se praticamente numa estagnação da economia. 

Como se não bastasse tudo isto, as previsões do Governo e do Governador do Banco de Portugal têm falhado, com desvios enormes, que têm posto em causa a competência do Governo e do Ministro das Finanças e a credibilidade do País.

- Foi o défice, que passou de 2,2% em Dezembro de 2008 (aprovaçãodo OE), para 5,9% em Maio de 2009, para 8,3% em Dezembro de 2009, para 8,7%, já em Janeiro de 2010, aquando das conversações com os Partidos e, agora, para os 9,3%, constantes do Relatório anexo ao Orçamento para 2010.

- Foi o desvio no aumento do consumo público, que passou dos 0,2% previstos para 2,6%, bem superior à inflação negativa de -0,8%, o que desmentiu a contenção da despesa de que o Governo se vinha a vangloriar

.- Foi o investimento que passou de um acréscimo previsto de 1,5% para o valor negativo de -11,8%, a procura interna dos 0,9% previstos para -2,9%, as exportações de 1,2% para -12%, o emprego de um aumento previsto de 0,4% para -2,9% e a taxa de desemprego dos 7,6% previstos para 9,5% reais. 

Dir-se-á que foi um mau ano devido à crise internacional... E que os outros também estão mal... 

Mas, o mesmo aconteceu, quer em 2008, quando o Governo também começou por prever uma diminuição do consumo público de -1,1%, que se transformou num aumento de 1,1%, e em relação ao aumento do Investimento, que começou por ser de 4% e acabou sendo de -0,7%, quer em 2007, quando também se previa uma diminuição do consumo público de -1,3%, que não se verificou, tendo a variação sido nula. 

Como gerir é prever...

É por isso que o "drama" da Lei das Finanças Regionais parece irreal. 
Vamos por partes. Se há zona do país que não precisa de ajuda financeira é a Madeira. E se há zona em que se vê investimento também é na Madeira. Mas num cenário financeiro assustador, é ridícula esta insistência na transferência de verbas para a Madeira. Foi, como é evidente, uma forma politicamente habilidosa de a oposição encostar o PS e o Governo à parede. E conseguiu. 

Mas não percebo a teimosia do Governo. E sobretudo do desacreditado Ministro das Finanças. Foi patética aquela sua intervenção na semana passada à hora dos telejornais: “Temos de defender a credibilidade da política orçamental”. 

E os lapsos referidos? E a obsessão com o controle da informação? E o dinheiro que todos os anos se dá às empresas públicas mal geridas? 
Aprovar uma lei que implica um aumento de despesa microscópica, quando comparada com a calamidade do engano no défice de 2009, é ridículo. 

A crise mundial que se tem vivido permitiu ao Governo camuflar a real situação portuguesa, pois a verdade é que já vínhamos a divergir dos nossos parceiros desde a adesão à moeda única, nunca se conseguindo consolidar verdadeiramente as contas públicas, e recorrendo sempre a expedientes e a receitas extraordinárias. E agora que as economias europeias e os EUA começam a mostrar sinais de retoma, Portugal fica para trás.

É altura, de uma vez por todas, de repensar o modelo de organização político e administrativo português, viver dentro das nossas possibilidades, não gastar o que não se tem, seja numa família, numa empresa ou no país e mudar mentalidades. E trabalhar, trabalhar. Com resultados. Sem utopias. Sem enganos. Sem embustes.

4 de fevereiro de 2010

Cadeiras

Quando o Mayor Bloomberg e a responsável pelo trânsito de Nova York, a carismática comissária Janette Sadik-Khan, decidiram substituir carros por cadeiras e ruas de trânsito por locais de convívio, uns chamaram-lhes loucos e outros brilhantes.

Quem é que se sentaria no meio de uma via em Times Square? E como ficaria o trânsito?

Do género Baixa e Rua do Arsenal em Lisboa?....

Um ano depois, a maior parte das respostas está dada. Há imensa gente que se senta nas vias outrora repletas de carros. As cadeiras de vários tipos conquistaram o asfalto e o trânsito flui com a normalidade típica de Nova York. 
Nalguns casos melhor, noutros pior.

A medida tem uma importância enorme e demonstra que mesmo numa zona de uma enorme metrópole, com imenso tráfego e uma gigantesca circulação de pessoas, quando uma medida é bem pensada e bem executada, criando alternativas e proporcionando condições para a sua eficácia, mesmo que muito arrojada e inovadora, tem sucesso. Nova York é sempre um exemplo citado para o bem e para o mal. Neste caso, a medida devia servir de exemplo a muitos catedráticos do tráfego que há anos complicam o trânsito nesta pequena Lisboa.

3 de fevereiro de 2010

Isso depende do vento...

Este quadro do The Economist  mostra, em gigawatts, quais os países que instalaram mais energia eólica. Uma forma "clean" e evoluída de produzir energia.

Os EUA estão à frente, mas a China quase duplicou a sua capacidade de 2008 para 2009. E na Europa também se tem verificado um aumento, em particular na Alemanha. Portugal também aumentou.


Há, contudo, um aspecto curioso a neste quadro. Ele não mostra a quantidade de energia eólica que cada país tem per capita. Se assim fosse, a Alemanha estaria à frente dos EUA. Além de que, capacidade de instalar energia eólica, não traduz exactamente a energia que cada país está verdadeiramente a produzir... isso depende do vento. 



E aí, não sei qual será o país mais ventoso. Portugal é seguramente dos que mais sol tem na Europa, mas em termos de vento, não será dos mais ventosos.


Seja como for, é extremamente positivo que o nosso país esteja a apostar cada vez mais em formas alternativas de energia. Pelo seu clima e posição geográfica, com uma vasta costa marítima, tem condições privilegiadas para continuar a crescer em termos de produção efectiva de energia, diminuindo a sua dependência em relação ao tradicional petróleo que tem de importar. Energia eólica ou energia solar são fortes alternativas, financeiramente muito atractivas.

2 de fevereiro de 2010

Um passo de um gigante

O iPad, recentemente lançado, constitui um passo de gigante no mundo multimédia.

Depois de parcialmente testado com enorme sucesso no iPhone, o novo sistema pretende, nada mais nada menos, do que revolucionar a internet móvel, cortando com o actual sistema.

No sistema actual, está o Google. A sua plataforma Android é aberta e portanto são muitos os smartphones que recorrem ao sistema. Os aparelhos são ainda relativamente caros mas daqui a uns tempos estarão muito mais acessíveis.

Todos os navegadores conhecem o Google. Todos conhecem o Google. É a internet aberta, disponível, acessível. Que lidera hoje em dia. É o presente.

Mas do outro lado, passa a estar a Apple que promete uma multimédia "do outro mundo".

Com o iPad passa a haver um formato para livros – através do qual poderemos num livro de medicina  vasculhar o corpo humano com filmes e cores e sons aos quais nunca tivémos acesso, ou num livro de história, visualizar com grande pormenor e rigor uma batalha.

E passa a haver um "novo" formato para  imprensa e media actualizada continuamente na internet, com filmes, textos e galerias de fotos.

Já para não falar dos jogos e no cinema. Tudo estruturado numa plataforma que já é conhecida. O iTunes.


As vantagens do Google estarão no facto de que todos já estão habituados à internet aberta e também no preço.

Mas a Apple conta com uma vantagem que pode maracar a diferença: os grandes produtores de conteúdos estão do seu lado: estúdios de cinema, gravadoras, jornais, revistas, editoras, game houses.
Quem produz conteúdos quer, obviamente, um ambiente no qual possa vender o que produz e já aceite pelo mercado . E a Apple dá-lhe isso.

E, se os melhores conteúdos estiverem fora da internet aberta, talvez a Apple possa inverter as regras do jogo.

Ao decidir concorrer com a web, Steve Jobs, depois de ter estado doente, faz a segunda coisa mais ousada de sua carreira, depois do computador pessoal. É um passo de um gigante.