15 de fevereiro de 2010

1995





Ao arrumar papéis antigos, descobri alguns exemplares da George que desapareceu algum tempo depois de John F. Kennedy Jr ter morrido em 1999 num estúpido desastre de avião. A capa do primeiro número teve Cindy Crawford vestida de George Washington. Foi das primeiras revistas estrangeiras que comecei a comprar com alguma regularidade, por volta de 1995, depois de sair da minha primeira e mais estimulante experiência junto do poder político.


Nos EUA, Bill Clinton era presidente, Jacques Chirac tinha sido eleito em França e John Major tentava em Inglaterra aguentar-se perante um carismático Tony Blair. A Desert Storm assustava-nos. E todos começávamos a trabalhar com o Windows 95.


Em Portugal viviam-se tempos politicamente estimulantes. Mário Soares era Presidente da República, Cavaco Silva estava de saída enquanto Primeiro Ministro, preparando-se para Belém, substituído por um dialogante António Guterres, e Jorge Sampaio já estava no terreno para conquistar Belém. Pedro Santana Lopes tinha saído da Secretaria de Estado da Cultura. E o país tinha passado pelos bloqueios na ponte 25 de Abril e pela mudança de planos em relação a Foz Côa.


A idade era diferente, propícia a mais confiança e a rupturas. Mas tenho a nítida convicção que os tempos eram mais inspiradores. Havia mais confiança. A economia agitava. Falava-se mais em valores, em solidariedade, em debate.


Não que eu queira que o tempo volte para trás. De todo... Mas em muitos aspectos, o mundo e Portugal não melhoraram assim tanto desde esses tempos. Pessoalmente, foi o recomeço de uma nova fase e o começo de uma caminhada que ainda hoje se prolonga... em passo acelerado.

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