11 de fevereiro de 2010

Classe


Não é só economicamente que o país está mal. É sobretudo uma crescente e despudorada perda dos valores do respeito e da decência nas relações entre as pessoas.

Sem respeito e sem decência, a degenerescência social é inevitável, conduzindo à desconfiança, à descrença, à revolta, à decepção e à tristeza.

Há dias, foi o "caso Mário Crespo". Depois, as revelações do semanário Sol, que prometem não ficar por aqui. Antes tinham sido as "surpresas" com o estado da economia. E as contradições e mentiras. Para não falar no estilo retórico de muitos políticos e ministros, mais próprios da América Latina do que de um país que continua a sonhar. Há meses o BPN, o BPP, o BCP, a face oculta, o "caso Armando Vara", o caso Dias Loureiro". Há mais tempo "o caso Casa Pia", o "apito dourado"...

Mas o mais preocupante é o que sente no dia-a-dia. Desconfianças e perseguições a quem contraria o poder, levantamento de infindáveis inquéritos e investigações a quem ousa ser diferente, a quem ousa mudar, reagir, denunciar, ou simplesmente fazer. É cada vez mais frequente a mudança de posições outrora assumidas, a quebra dos compromissos assumidos, com o mais natural e cândido desplante. Nas nossas profissões, nos locais de trabalho e, até, nas relações pessoais, a mentira, a falta de respeito e de decência, os golpes, truques e expedientes, a falta de carácter, são cada vez mais sentidas.

Portugal é cada vez mais um País pequeno, que nunca mais se habita à liberdade, que rodeia em vez de enfrentar, que gosta mais do mexerico do que de trabalhar, que prefere o acessório ao essencial, com uma enorme dificuldade em decidir preferindo que decidam por ele, que prefere olhar para os outros do que para si próprio. Que promete e não cumpre.

Portugal tem cada vez menos classe.

Sem comentários: