17 de fevereiro de 2010

O país piorou com estes políticos

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Depois de ler istoparece evidente que as coisas se vão degradar e complicar ainda mais. 

Há muito que penso que existe em Portugal, nos últimos anos, uma conjugação de forças que envolve lugares cimeiros do Estado, fundações, imprensa, empresas de sondagens, entidades reguladoras, empresas de capitais públicos, "opinion makers," no sentido de proteger a todo o custo o poder existente.

Sabemos que existe sempre , no nosso país, a tentação de estar com o poder,  e também e por outro lado, de este não gostar de quem o enfrenta. Existe pouca tradição do contraditório, de conjugar forças à partida divergentes para um objectivo comum, de aceitar melhorar uma decisão que se julga perfeita.
Convive-se mal em Portugal com uma opinião que contraria o que se pensa. Quem o ousa fazer, tem um objectivo escuro qualquer, uma segunda intenção. Mas, nos últimos anos, tem valido tudo para combater quem critica. Tem valido tudo para amedrontar quem ousa enfrentar. Tem valido tudo para evitar que exista sequer a possibilidade de poder haver criticas.

Para mim, não eram precisas "as escutas" e as revelações do Sol para ver esta realidade. São múltiplos e diários os factos que o demonstram. Basta ligar a televisão e ler jornais.
O argumento de que o país votou é válido, mas curto, face ao ao que está em jogo. E sobretudo à forma indiscutivelmente habilidosa e tentacular como esta estratégia tem sido montada.

O problema do país é político e moral. 

É a indiferença em relação ao endividamento externo ; é a indiferença em relação a questões elementares de direitos e liberdades; é a impunidade do poder e do Estado; é a lentidão intencional da Justiça; é o carácter duvidoso da corte que Sócrates espalhou; é a rede de interesses que junta negócios, imprensa e decisão política; é um PSD dividido, sem chama, sem iniciativa e sem força, que não tem sido alternativa.

A questão da falta de liberdade de expressão é evidente (nos indíces internacionais de liberdade de imprensa estamos actualmente na 33.ª posição, quando em 2008, estávamos na 19.ª, e na 10.ª em 2007). Mas mais grave e preocupante é a tentação cada vez mais acintosa de limitar sob pretextos comuns e absurdos quem diverge.
Ao pé do que se passa hoje, a critica de Rui Gomes da Silva aos monólogos de Marcelo Rebelo de Sousa e o projecto da central de informação é de aprendiz de feiticeiro. Como também o é, a incomodidade de Cavaco Silva quando era primeiro ministro face à postura semanal do Independente. Não tem comparação. E o que não fez o Independente...

Esta "nova" política e estes novos políticos liderados por José Sócrates não entendem verdadeiramente que governar é cumprir e honrar um papel institucional, fazer escolhas que podem ser criticadas, mas fazê-las da forma mais correcta e participativa, servindo o interesse público, o interesse do País. Estes novos políticos não gostam de "pormenores", nem de criticas. São grandes, são melhores que todos os outros, têm uma missão e cumprem-na fazendo o que for preciso, nomeadamente através do contacto com grandes empresários a quem facilitam negócios.
Uma coisa é ter capacidade de decisão e enfrentar interesses instalados, outra é o estado de alma destes novos políticos para quem qualquer crítica a um simples diploma constitui um ataque à sua missão, às grandes ideias, ao seu papel na sociedade. E o que era "apenas" um ataque à sua política passa a ser um ataque pessoal, uma maledicência, uma prova de má-fé. Qualquer crítica ou reparo é uma tragédia.

Ser político exige visão, disponibilidade, conhecimento, coragem para enfrentar e decidir, humildade para aprender e grandeza para suportar críticas e injustiças. é preciso confiança e um "bom ego", mas não narcisismo e vaidade a mais.  É preciso respeitar e ter valores. Faltam muitas daquelas características  essenciais a José Sócrates e aos políticos que o rodeiam. E isso cada vez mais pessoas vêm, o que sendo positivo, não serve de consolo. O país piorou muito com estes políticos.

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