29 de abril de 2010

good script


Esta carta de 1969 e o draft que a acompanhava de Apocalypse Now  foram recentemente vendidos por $5,078.05.

(claro que o tal coronel passou de Karnage para Kurtze e quem ficou com o papel acabou por ser um tal Marlon Brando)

Teatro, mentira, más opções e interesses particulares

 ...
Exactamente no mesmo dia em que o País olhava com expectativa para o encontro, cenicamente perfeito, Sócrates/Passos Coelho, foi concretizada a subconcessão Pinhal Interior à Ascendi (BES e Mota-Engil).

É mais um sinal do absoluto desprezo e irresponsabilidade que muita gente tem pelo futuro dos seus concidadãos e mais um exemplo de políticas erradas. 

Este exemplo de alegado e imprescindível "investimento público" vai criar empregos, verdadeiramente? Vai criar riqueza? Pode ser considerado um investimento que tem consequências na estrutura económica e produtiva do país? Vai fazer aumentar as exportações? Está a reformular estruturalmente o país? A despesa pública vai baixar?

A todas estas questões, a resposta evidente é não.

Em vez de reformular de uma vez por todas a nossa agricultura, as pescas, a indústria e os serviços, em apostar nas industrias criativas, no turismo e na cultura, em apoiar as pequenas e médias empresas, o comércio tradicional, em diminuir o número de funcionários públicos,  em gerir com imaginação, força e eficácia, aposta-se em mais do mesmo. Medidas de momento  - construção de estradas - em vez de atacar as causas do problema. Não chega já de estradas? O país melhorou nos últimos anos com tantas estradas?

Parece claro quem são os grandes beneficiados com esta decisão as empresas de construção e os bancos. Os mesmos de sempre. Os mesmos que comandam os destinos do país nos últimos 20 anos.

Todos estes projectos deveriam ser adiados sine die. Os interesses particulares, sempre, e, por maioria de razão, num momento como este, não podem deixar de se subordinar ao interesse geral. Chega de teatro, mentira, más opções e subordinação a interesses particulares. Assim não vamos lá.

 

Tilda

28 de abril de 2010

Pântano

A notícia da queda do rating de Portugal só espanta quem anda distraído.

E anda muita gente distraída. Uns porque lhes convém e outros porque têm de ir tratando da sua "vidinha". O mais correcto é dizer-se que o país está distraído. Mas não é de agora.

A notícia de ontem só confirma os piores receios sobre a dimensão da crise que atravessamos e o descrédito com que as medidas governamentais são vistas nos mercados internacionais.

Pode-se elaborar discursos balofos contra as agências de rating e os especuladores financeiros, mas o que interessa é que o Governo deixou agravar o défice para valores colossais e foi incapaz de elaborar uma proposta para a sua redução minimamente consistente.

Mesmo o recente e tão esperançado PEC assenta no agravamento de impostos, não apresentando medidas eficazes para a redução da despesa pública nem abandonando de vez projectos megalómanos, como o novo aeroporto e o TGV, que nesta fase de crise são absolutamente inexequíveis.

Perante a dimensão desta crise, qual a resposta dos diversos agentes políticos?

O Presidente da República pouco, ou nada, diz participando com o seu silêncio cúmplice no agravamento da situação. Os ex Presidentes da República também não se ouvem.

O PSD propõe-se dar a mão ao Governo, para o ajudar a defender-se do ataque, ao mesmo tempo que se entretém com uma comissão de inquérito, destinada a descobrir o que já toda a gente sabe: que o Primeiro-Ministro não disse a verdade ao Parlamento.

Os deputados que integram essa comissão parlamentar de inquérito (que goza "dos poderes de investigação das autoridades judiciais que a estas não estão constitucionalmente reservados") permitem-se expressar publicamente o seu pensamento sobre o que há para decidir, antes de a comissão iniciar funções, sem distância nem resguardo, fazendo apartes e permitindo-se piadas de mau tom, permitindo-se intimar magistrados para serem ouvidos, requisitar cópias de processos criminais num tu-cá-tu-lá com o poder judiciário legítimo, o que  sendo também legítimo, é chocante.

No meio disto tudo, o Parlamento ainda se entretém com a "novela" Inês de Medeiros, onde o que mais choca não é sequer o debate no Parlamento sobre se se deve ou não pagar-se bilhetes de avião para Paris, é que o episódio é protagonizado por alguém que não é da política, que se estreia numa área nobre da vida em sociedade, que pertence à minha geração e que devia encarar a política de forma despojada, livre do pequeno "direito", com integridade e independência. Afinal, é mais do mesmo: acumular direitos, ter o melhor dos dois mundos, o “direito adquirido” sem qualquer espécie de reserva ou pudor.
 
O sério Governador do Banco de Portugal vai com orgulho evidente para Bruxelas, obrigando a nomear um novo Governador que inicia funções na maior crise dos últimos vinte anos.

Quanto ao Governo, esse, quer fazer crer que a queda do rating resulta de um ataque de especuladores, que nada tem a ver com a crise das contas públicas. E depois de na semana passada ter rejeitado arrogantemente uma proposta do PSD de redução da despesa no valor de 1,7 mil milhões de euros, classificando-a como “uma mão cheia de nada” e recorrendo aos já habituais processos de intenção, de forma a transferir a discussão para outras áreas - a verdadeira proposta do PSD era uma "agenda escondida", que tinha a ver com despedimentos na função pública, com o fim do SNS, com o fim da segurança social pública- vem agora, afinal, pedir uma concertação com a oposição.

O Governo finge não saber a situação crítica do país para a qual as suas políticas abundantemente contribuíram e persiste em apelidar de ignorante ou disparatado quem ousa apontar o dedo. Um Governo de negação, como um seu ministro foi qualificado por Simon Johnson, ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional. A verdade é que os responsáveis internacionais convergem na ideia de que Portugal se aproxima da banca rota. O triunfo das finanças sobre a economia, a geração da riqueza virtual, o ilimitado crédito, a demagogia governamental, a generalização do materialismo consumista, estão à beira do fim.

O abanão de ontem, que fez com que a cotação do Estado português fosse degradada para níveis próximos do alerta total, infelizmente não surpreende. O País está sozinho a assistir à chegada do desastre. Portugal está à deriva. Distraído.

Já houve um Primeiro-Ministro que se foi embora "para que o país não caísse no pântano". Neste momento, o país está verdadeiramente no pântano. Só falta pedir a intervenção do FMI. Ou de quem quer que seja.

27 de abril de 2010

O jantar começa sempre na cozinha



Uma colecção de desenhos de Álvaro Siza, foram agora publicados com o óptimo título Desenhos ao jantar. Descobri esta edição num dos blogues que não perco: a barriga de um arquitecto.

As fotografias excelentes são de Fernando Guerra. O mote para o livro e para a exposição é muito muito interessante. Os textos curiosos. E os desenhos de Siza são difíceis de traduzir em palavras.

Tudo junto, é especial. É imperdível.


"Um livro de esquissos … de capas pretas e bom papel."
Carlos Castanheira

Regularmente convido o Álvaro Siza para jantar lá em casa. Há sempre um pretexto e sobretudo há sempre alguns estrangeiros, amigos, clientes, que justificam o jantar e os convites. Mas não são só estrangeiros a razão do jantar, há também a razão do jantar, pelo jantar. Mas há também os jantares com o Nuno Higino, amigo, por ser responsável pela ideia de encomendar o projecto da Igreja de Santa Maria no Marco de Canaveses, pela sua realização e por ser amigo.

Os jantares, pois já aconteceram alguns, têm sempre um tema. Uma vez foi a necessidade de ilustrar um livro de poemas, do Nuno Higino, para crianças. Perguntou-me qual a minha opinião em convidar o Siza para ilustrar os poemas e eu achei por bem pensar num jantarzinho. Há que falar com a Clara, companheira e produtora dos jantares, com um toque italiano. Eu trato dos líquidos. O convite foi aceite, como habitual, marcada data e as diligências de quem transporta o Siza e como chegar lá a casa, pois não é fácil, felizmente.
O jantar começa sempre na cozinha, com umas coisinhas de sabor transalpino e líquidos nacionais, daí se passa à mesa e enquanto se janta fala-se de tudo, de nada e de quase tudo.

No final, de passagem pelo café, a Clara meticulosamente mas também distraidamente pergunta: Siza, vai uma grapa ou um whisky? E a resposta é sempre a mesma: Ohh! Uma grapa e depois o whisky!
Com a grapa passamos ao tema principal do jantar; os poemas sobre cavalos para o livro que se viria a chamar: Todos os cavalos e mais sete.
O Nuno Higino tinha preparado os vinte poemas em folhas A4, com os textos no canto superior esquerdo, curtos, quase todos, alguns em coluna deixavam muito espaço livre.
Ora vamos lá a ver esses poemas, solicita o Siza.
Lê o primeiro, definição, e a reacção é imediata, aproveita o espaço livre e sai desenho.

Segue-se o segundo; lê e sai desenho; o terceiro, o quarto, o quinto, nós calados a fazer a recepção, estupefactos apesar de habituados. A intenção era passar-lhe os poemas para que o Siza, com tempo, fizesse as ilustrações, e ali estava ele, a seu tempo, poema a poema, copo a copo, esquisso a esquisso, a por a alma no papel quase como um cantor de improviso, ao desafio. É necessário registar que o tema lhe é apetecível: cavalos e as histórias à volta de cavalos, apesar de só ter montado em auto-retratos armado de condotieri.
Chegamos ao último, ele, nós, nós e ele, o vigésimo, mas ainda falta a capa e outras brincadeiras. Acabam por ser vinte e quatro.
A noite tornou-se madrugada, para além do desenho houve conversa, foi agradável e proveitoso o jantar. Há que ir para casa pois amanhã é dia de trabalho, como sempre. (...)


...

...
acredito que o que é mesmo importante não se perde completamente, fica sempre qualquer coisa que nos acompanha e nos melhora
...

26 de abril de 2010

"Os meus ideais ficaram marcados no meu trabalho”


Eduardo Gageiro. Bairro Alto, Lisboa, 1969
Eduardo Gageiro, um dos melhores fotógrafos portugueses, expõe actualmente em Pequim  na UIBE, uma das cinco universidades de Pequim com licenciatura em português. 
Com apenas 12 anos publicou uma fotografia na 1ª página do Diário de Notícias. Começou a trabalhar como repórter fotográfico no Diário Ilustrado e a partir daí dedicou toda a sua vida ao fotojornalismo. As suas fotografias são sociologicamente muito fortes, retratam a nossa história mais recente e sempre me disseram muito.
Mais sobre Eduardo Gageiro aqui.

21 de abril de 2010

... I've Got Life

I got life, and i'm going to keep it
as long as i want it, I got life.....

Lá como cá



Recentemente, a Newsweek abordou o tema da reforma da educação, com o título principal "The Key to Saving American Education," que, no entanto, era praticamente obstruído pelo subtítulo: "We must fire bad teachers. We must fire bad teachers. We must fire bad teachers."

Na sua edição de Abril, a New York Teacher, uma revista bisemanal lida por mais de 60.000 professores, ripostou com a afirmação de que os sindicatos são a chave. E o slogan é "We must give kids a quality education."

Assim se vê, a força dos sindicatos.
Lá como cá.

20 de abril de 2010

Shobhaa De

...

A Monocle deste mês traz um excelente artigo com Shobhaa De, uma mulher fascinante, actualmente com 62 anos, ex-modelo, escritora, jornalista, blogger, que tive o privilégio de conhecer recentemente e que me fascinou pela sua beleza deslumbrante, pela sua inteligência acutilante, pelo seu charme irreverente e pela sua coragem. Os seus livros e blog abordam temas actuais, polémicos muitas vezes, mas suaves e optimistas que merecem ser descobertos.
..
Monocle
Bedroom Renegade - Mumbai
Shobhaa De’s sex-filled novels and socialite lifestyle enthrall and infuriate Indians in equal measure. Her critics call her books trashy and newspaper columns inane, but supporters say she has done much to get a conservative nation talking about sex and feminism.
..

19 de abril de 2010

so what

.
.

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo


Aqui, uma excelente referência aos vinhos da Quinta Nova, sobretudo ao Quinta Nova Grande Reserva 2007, feita pelo britânico Jamie Goode, um dos jornalistas de vinhos mais conceituados do mundo.

Os vinhos desta Quinta, em particular o Grainha, que conheço melhor, são óptimos exemplos de tintos equilibrados, personalizados, elegantes e de grande qualidade, que merecem ser experimentados e desfrutados. Serenamente.

Só uma grande cidade faz isto






Animatógrafo do Rossio, 1907, fundado pelos irmãos Ernesto Cardoso Correia e Joaquim Cardoso Correia, firma Correia & Correia, Rua dos Sapateiros junto ao Arco da Bandeira, Rossio, fachada Arte Nova com formas de madeira esculpida e pintada, e painéis de azulejos de M. Queriol. Bilheteira ao centro, entrada pela porta da direita e saída pela da esquerda. Lotação para 110 espectadores. Actualmente, uma das melhores sex shops da capital.

Foto do Arquivo Municipal

18 de abril de 2010

Biblioteca de Bolonha




Sala Borsa fica ao lado da praça Maggiore, em Bolonha. Inaugurada em 2001, esta biblioteca pública multimedia além de livros, tem audio-livros, jornais, revistas, mapas, vídeos, discos, computadores. É uma biblioteca dos novos tempos, que preserva e respeita o passado recorrendo ao que de mais moderno existe. Fica numa cidade com algumas semelhanças com Lisboa. 


Sala Borsa é desenvolvida em dois andares, no térreo fica a biblioteca para jovens e o auditório e no segundo um urban center dedicado às transformações urbanas da cidade. O chão do espaço térreo é transparente, podendo assim os visitantes observar os restos arqueológicos que foram preservados e retratam a cultura "villanoviana", os etruscos e os romanos.


Para quem fica com fome depois de conhecer esta fantástica biblioteca, é possível ir até à via Caprarie e conhecer o Tamburini, um bristô excelente.

17 de abril de 2010

Av. Guerra Junqueiro

Anos 50, foto de António Castelo Branco

Anos 50, foto de António Passaporte

Anos 60, foto de Vasques

Anos 70, foto de Vasques

Arquivo Municipal de Lisboa

15 de abril de 2010

Expo Changai


Por cá ninguém fala nisso. Mas este ano, há uma "Expo". É a Shanghai Expo 2010, que começa já em Maio e permanece até 31 de Outubro. 

As informações que me chegam sobre o pavilhão de Portugal não são as melhores. A localização no recinto é péssima. A Parque Expo, que é a responsável máxima, tem prestado pouca ou nenhuma ajuda aos nossos investidores. O AICEP - Portugal Global faz o que pode. E a nossa Embaixada também.

Não é preciso salientar a importância que uma montra deste tipo tem para o País. A China atravessa um período de mudanças impressionantes. É um colosso económico cada vez maior, sendo múltiplas as oportunidades possíveis de negócio.

Além disso, Macau fica ali muito perto. O que seria,  à partida, uma enorme vantagem para Portugal.

O fenómeno destas grandes exposições começou em 1851 com a Grande Exposição de Londres, no Crystal Palace. Desde então, houve mais de 50 Expos. A última atraiu 50 milhões de visitantes, um recorde, estabelecendo um padrão de referência em termos de inovação e progresso.

Realizado sob os auspícios do Bureau International des Expositions, a Expo Xangai será a maior de todas. O recinto tem 5.28 km2 ao lado do rio Huangpu, possui pavilhões que representam as ideias e as ambições culturais e comerciais de 200 países e organizações internacionais. O número de visitantes que são esperados podem chegar aos 70 milhões.

Mas parece que, mais uma vez, descurámos esta oportunidade e não investimos o que devíamos. Não apenas em termos financeiros, que os tempos são maus, mas no apoio a investidores, na divulgação do nosso país e da nossa cultura, na aposta nas indústrias criativas e no turismo.

Existe muito pouca informação disponível sobre o nosso pavilhão. O inglês fascinou-me. Foi projectado por Thomas Heatherwick. É fascinante.


Chama-se Catedral de Sementes e é composto por uma enorme estrutura em madeira atravessada por 60.000 hastes em fibra óptica, que têm, cada uma, na ponta, sementes de plantas.


Estas varas irão permitir a entrada de luz no pavilhão durante o dia e direccioná-la para fora à noite.

O Pavilhão do Reino Unido na Expo Xangai 2010 expressa a criatividade britânica e as preocupações ambientais. Cumprindo exemplarmente o tema da Expo Shanghai, que é "Better City, Better Life", o pavilhão explora a relação entre a natureza e as cidades. E mostra o bom exemplo que é Londres em termos de zonas verdes, ao invés de criar uma propaganda convencional para o Reino Unido. Afinal Londres é a cidade que tem o Royal Botanic Gardens Kew.

13 de abril de 2010

Proteger a criatividade

Há muito tempo que por aqui não se fala de Direitos de Autor e de Copyright.
Ficam dois links para matar saudades e relembrar a importância cada vez maior desta matéria no nosso dia-a-dia.

"At the moment, the terms of trade favour publishers too much. A return to the 28-year copyrights of the Statute of [queen] Anne would be in many ways arbitrary, but not unreasonable. If there is a case for longer terms, they should be on a renewal basis, so that content is not locked up automatically. The value society places on creativity means that fair use needs to be expanded and inadvertent infringement should be minimally penalised. None of this should get in the way of the enforcement of copyright, which remains a vital tool in the encouragement of learning. But tools are not ends in themselves." (bom artigo do The Economist)

E para acompanhar e procurar respostas para o tema: The Copyright Corner.

Demasiado bom para não "postar"


Nicholson & Penn

Cannes


Ali - Cannes, 1982
Está quase: 12 a 23 de Maio

12 de abril de 2010

Call Me



Para o meu querido António que, tal como o Pai, adora esta música de 1980. 7 anos sublimes, únicos, estimulantes.

11 de abril de 2010

Spínola

Comemoram-se, hoje, 100 anos sobre o nascimento de António de Spínola, é atribuído o seu nome a uma avenida de Lisboa e chega às livrarias a biografia do primeiro chefe de Estado do regime democrático, da autoria de Luís Nuno Rodrigues.
Luvas, pingalim na mão, monóculo no olho direito, autor do importante livro Portugal e o Futuro, que impulsionou uma viragem política em Portugal. Foi o primeiro Presidente da República após o 25 de Abril.

Tive o privilégio de, durante um período curto de cerca de 4 anos, no princípio dos anos 90, conviver com ele bastante de perto. Fiquei com a imagem de um homem contraditório, emocional, sonhador, carismático, de um militar admirado e de um político controverso e, por diversas razões, talvez, pouco compreendido.

O seu modelo de descolonização tinha como premissa um cessar-fogo incondicional dos movimentos de libertação, iniciando um período em que se converteriam em partidos e em que se iria preparar o exercício da autodeterminação dos povos das colónias. Era um modelo quase impossível e que teve múltiplos obstáculos: os movimentos nacionalistas não estavam dispostos a aceitar o cessar-fogo sem garantias de que o fim dos combates conduziria ao reconhecimento da independência e à transferência do poder; as forças armadas que estavam nas colónias, não estavam dispostas a continuar a combater, a que acrescia a falta de consenso interno relativamente ao seu modelo.

Com a chegada ao poder de Vasco Gonçalves, Spínola tem um importante papel ao evitar que o país se transforme num bastião comunista apoiado pela União Soviética. Chegando à Presidência da República com 64 anos, um ano depois é obrigado a exilar-se, regressa em 76, mas é-lhe dada ordem de prisão logo à chegada no aeroporto.

Já nos anos 80, depois de ser reintegrado nas Forças Armadas e de ser ilibado do caso do 11 de Março, regressa a Belém, pela mão de Mário Soares, que o nomeia chanceler das Antigas Ordens Militares. Morre em Lisboa, em 1996. Como em muitos outros casos, muito provavelmente, só daqui a muitos anos,  haverá o distanciamento necessário para se aferir da real importância que Spínola teve na História recente do nosso País.

Para mim fica uma imagem ténue, que o tempo não apagou completamente.

10 de abril de 2010

Pelo sonho é que vamos


Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião da Gama (1924 — 1952) poeta, professor, fundador da Liga para a Protecção da Natureza. 
O seu Diário, editado em 1958, é um interessantíssimo testemunho da sua experiência como docente e uma excelente reflexão sobre o ensino.

A propósito desta notícia que a confirmar-se corrige anos de demagogia e de políticas erradas. O Ministério da Educação parece, finalmente, aos poucos, ganhar sentido da realidade e bom senso.

9 de abril de 2010

Buchholz




Abriu ontem a nova Livraria Buchholz. Desapareceu a antiga, a tradicional, aquela que nos habituámos. E nasceu uma outra livraria, pertencente a um grande grupo económico. Apostando em eventos culturais regulares, com uma dinâmica mais moderna e provavelmente mais interessante do ponto de vista financeiro.

É positiva esta aposta num espaço que pertence ao imaginário de muitos lisboetas e que tinha desaparecido.
E ainda bem que houve um grupo livreiro a apostar no espaço, uma vez que nem Ministério da Cultura, nem Câmara de Lisboa conseguiram evitar o encerramento da antiga livraria.

Mas não pude deixar de sentir que faltava alguma coisa. O cheiro, a disposição dos livros, a iluminação, o ambiente, o tratamento dos funcionários. Senti nostalgia. O novo espaço apaga muitas dessas características.

E ao ouvir Maria Viana cantar, fiquei com vontade de voltar com mais calma, sentir o espaço e tentar recuperar sensações que pensei perdidas. Apesar de tudo, é bom saber que poderei voltar à Buchholz.

7 de abril de 2010

:-)

 .
Ora aqui está uma grande notícia!!
.

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas


.
O ano foi de boas colheiras no Douro, o produtor é um dos mais conceituados de Portugal, a companhia especial, pelo que o que foi proporcionado só podia ser muito bom.

Este reserva é um belíssimo vinho, feito a partir das vinhas velhas da Quinta do Crasto, onde existem perto de 30 castas diferentes. Estagiou em barricas de carvalho françês (85%) e carvalho americano (15%), onde permaneceu cerca de 16 meses. Engarrafaram-se quase 112.000 garrafas...

Tem uma cor escura, um aroma muito fino e notas de flores e fruta, talvez cerejas ou ameixas. E chocolate. Fresco, elegante, profundo, equilibrado. Um grande vinho que proporcionou um momento especial, de enorme prazer, cumplicidade e harmonia. Muito bom.