30 de agosto de 2010

Casa Areia

Casa Areia by Aires Mateus Architects


Casa Areia by Aires Mateus Architects


Casa Areia by Aires Mateus Architects

Fantástico projecto do Atelier Aires Mateus para a Bienal de Arquitectura de Veneza 2010 . São casas com paredes em madeira e fibras naturais. A sala com chão em areia é numa das casas e os quartos, confortáveis e despojados, nas outras. As fotografias são de Nelson Garrido.






Casa Areia by Aires Mateus Architects

Casa Areia by Aires Mateus Architects





Casa Areia by Aires Mateus ArchitectsCasa Areia by Aires Mateus Architects

28 de agosto de 2010

the lake

In youth's spring, it was my lot
To haunt of the wide earth a spot
To which I could not love the less
So lovely was the loneliness
Of a wild lake, with black rock bound
And the tall trees that towered around

But when the night had thrown her pall
Upon that spot as upon all
And the wind would pass me by
In its stilly melody

My infant spirit would awake
To the terror of the lone lake
My infant spirit would awake
To the terror of the lone lake

Yet that terror was not fright
But a tremulous delight
And a feeling undefined
Springing from a darkened mind
Death was in that poisoned wave
And in its gulf a fitting grave
For him who thence could solace bring
To his dark imagining
Whose wildering though could even make
An Eden of that dim lake

But when the night had thrown her pall
Upon that spot as upon all
And the wind would pass me by
In its stilly melody

My infant spirit would awake
To the terror of the lone lake
My infant spirit would awake
To the terror of the lone lake

Springing from a darkened mind
So lovely was the loneliness
In youth's spring, it was my lot
In its stilly melody
An Eden of that dim lake
An Eden of that dim lake
Lone, lone, lonely...



26 de agosto de 2010

Despesas com a saúde

Uma das propostas mais polémicas do Orçamento de Estado para 2011 é o estabelecimento de tectos às deduções fiscais que hoje existem, nomeadamente, com as despesas de saúde. É uma proposta com a qual discordo profundamente. Considero-a injusta, desumana e imoral. Há casos, que todos conhecemos, de necessidade absoluta de recurso à medicina privada e, até, em determinadas situações, de deslocação ao estrangeiro, por a medicina nacional não conseguir encontrar a cura necessária e o Estado deve ter isso em conta.

Até porque a responsabilidade por essa opção forçada pode ser do próprio Estado, por uma insuficiência de meios. É uma hipótese perfeitamente possível.
Admitir que o Estado possa estabelecer limites ao montante das despesas de saúde que se pode deduzir, tributando rendimentos que se gastaram integralmente com a saúde, é uma solução que me choca.

Considero, por isso, que o Governo deveria rever a proposta. E, caso não o faça, o que não concebo, o PSD deve rejeitá-la, mesmo que isso inviabilize o Orçamento para 2011.

Provavelmente vai ser penalizado por isso, pois há uns meses viabilizou o PEC II com medidas fiscais discutíveis, como a elevação com efeitos retroactivos das taxas do IRS e o aumento do IVA sobre bens essenciais. Concordei na altura com essa viabilização, pois o contexto era muito complexo, e entendo agora que tudo deve ser feito para se encontrar um consenso.

Mas esta medida da saúde, em particular, é algo inaceitável. Simboliza o golpe fatal no Estado Social, tenha ele que modelo tiver, simboliza o golpe fatal nos valores subjacentes ao Estado confiável, solidário, justo. Seja em que Serviço Nacional de Saúde for, a não aceitação fiscal da dedução das despesas que os doentes, por vezes em situação desesperada, têm de fazer com a sua saúde é uma medida imoral e foi expressamente rejeitada pelo actual Primeiro-Ministro no famoso debate com Fransisco Louçã.

A não aprovação do Orçamento para 2011 conduziria, é certo, a uma situação complexa, quer interna, quer externamente, até porque eventuais novas eleições só podem ter lugar em meados do próximo ano e andaríamos um ano inteiro sem Orçamento. Por isso, tudo deve ser feito, incluindo a mediação do Presidente da República, para que exista um consenso e esta medida seja retirada. Não me parece impossível e é absolutamente desejável que isso aconteça. Mas caso não seja, não é o fim do mundo (gerir por duodécimos pode ter vantagens...) e cada um deve assumir as suas responsabilidades, explicando publicamente e de forma clara as suas posições e argumentos, para que não fiquem no ar suspeições e para que as manobras de diversão não se sobreponham ao essencial. E para que a realidade seja percebida por todos.

24 de agosto de 2010

O Apaixonado


Luas, marfins, instrumentos e rosas,
Traços de Dúrer, lampiões austeros,
Nove algarismos e o cambiante zero,
Devo fingir que existem essas coisas.
Fingir que no passado aconteceram
Persépolis e Roma e que uma areia
Subtil mediu a sorte dessa ameia
Que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
Da epopeia e os pesados mares
Que corroem da terra os vãos pilares.
Devo fingir que há outros. É mentira.
Só tu existes. Minha desventura,
Minha ventura, inesgotável, pura.

Jorge Luis Borges, in "História da Noite"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

18 de agosto de 2010

Wonderland


O Water Cube de Pequim foi um dos locais mais espectaculares nos Jogos Olímpicos de 2008, pemanecendo na memória as 8 medalhas de ouro de Michael Phelps.
Passados dois anos, o espaço reabriu ao público como o maior parque aquático "indoor" da Ásia. É espectacular, ao melhor estilo americano, mas (ou e...) de ficar de olhos em bico.

Afinal, cada cidade tem o parque aquático que merece...

Acontece que, ao que parece, a entrada custa 200 yuans (€22) para adultos e 160 (€17) para crianças, numa cidade em que o salário mínimo é de 960 yuans (€ 107), por mês. Ou seja, o parque destina-se, sobretudo, a turistas e não a locais.

O que me leva a perguntar, que regime político-económico existe hoje na China? 
Que regime é este que mantém os princípios do comunismo assentes numa  igualização social e num acesso não descriminatório a bens e serviços considerados essenciais,  e que toma uma opção como esta de um grande parque temático para turistas?

O mote para estas dúvidas será, eventualmente, simplista e os dados disponiveís, escassos. Até porque poderá haver outros parques aquáticos de grande qualidade em Pequim, onde os locais possam ter acesso com facilidade. Mas porque razão se optou por um tão majestoso destinado sobretudo a turistas? 

A resposta só pode ser: por razões financeiras. Porque o investimento feito foi gigantesco (mais de 40 milhões de euros) e importa atrair e recuperar dinheiro. É mais um exemplo da política de atracção de capital, de grande capital.

Para mim, é uma opção discutível, que não compreendo. Pois creio que haveria coisas mais importantes e que melhor justificassem um investimento de tantos milhões. 

A China é para mim um mistério e uma atracção. Tenho uma enorme curiosidade, uma expectativa imensa relativamente à sua capacidade de crescimento a vários níveis e uma vontade quase infinita de saber mais sobre a sua forma de viver.
Profissionalmente, contactei ao logo dos anos com muitos cidadãos chineses e sempre admirei a sua capacidade de trabalho, forma de trabalhar e consistência negocial. Mas sempre me intrigou a sua resignação relativamente  a vários aspectos da vida e, nomeadamente, à manutenção no poder do Partido Comunista Chinês. A resignação é sempre algo com que lido mal.

Aqui há uns anos, um amigo, estudioso profundo das matérias políticas, regressado de uma visita profissional à República Popular da China, destacava-me o modelo político curioso que tinha encontrado e enumerava as, que em seu entender, seriam as vantagens do mesmo. Que havia eleições locais, que o regime caminhava para uma democratização, havendo sinais que se estava perante um sistema sui generis, misto, bastante positivo e que devia ser visto com atenção. Esse sistema misto assentava numa cada vez maior democratização a nível local, através da adopção de eleições locais e na manutenção de um regime "mais" autoritário a nível central, em que as grandes decisões continuavam a ser do Partido Comunista Chinês, sem significativa participação dos cidadãos. 

Estranhei na altura a bondade que me era descrita, como estranharia ainda hoje se a conversa fosse agora, mas resignei-me, pois a convicção do meu interlocutor era forte, a matéria relacionava-se com a sua área profissional e o meu conhecimento em concreto sobre a mesma, escasso. E pensei que a ideia generalizada que tinha formulada podia ser baseada na distorção informativa das agências internacionais que intoxicam o nosso mundo ocidental.

Não voltámos a falar em concreto sobre o tema e por isso desconheço se a sua ideia sobre as virtudes do sistema politico e económico da China mudaram, mas o que sei é que o sistema que se vive actualmente na China (e nalguns aspectos semelhantes em Angola) é perverso. É um mix entre comunismo teórico e capitalismo prático. Entre ideais alegadamente puristas e de valores meritórios e uma busca desenfreada do lucro através da aposta em mega projectos e na captação de grandes investimentos estrangeiros impondo regras leoninas.

Por um lado,  pensa-se em criar uma moeda "super soberana" para o mundo,  e por outro joga-se as regras do livre mercado. 

Para quê e para quem?  Para ser aplicado em melhores escolas, num sistema de saúde eficaz para todos os cidadãos, num sistema de reformas seguro, em bons e variados equipamentos culturais? Na construção de um sistema de justiça que dê garantias aos cidadãos? 
Ou perguntando de outra forma, o enorme crescimento económico e financeiro que se vive na última década no Oriente e em particular na China, que tem impulsionando uma mudança gigantesca no mundo inteiro, tem como principal mote e razão de ser a melhoraria da vida dos cidadãos locais ?

As respostas a estas dúvidas só podem ser afirmativas. A explicação para estas opções, que o poder político chinês tem vindo a adoptar, só podem visar a melhoria do bem comum criando um sistema social mais justo, equilibrado e válido. 
As dúvidas e perplexidades que pessoalmente ainda tenho perante o que se vive na China (como em muitos outros locais) devem-se, seguramente, a desconhecimento e a uma escassa e distorcida informação.

  foto via World Architecture 
publicado também no Viver Lisboa

16 de agosto de 2010

"Passionnément! : Les grands amants du XXe siècle"




Alain Delon e Romy Schneider, Ava Gardner e Frank Sinatra, Humphrey Bogart e Lauren Bacall, Joanne Woodward e Paul Newman, Simone Signoret e Yves Montant, Elisabeth Taylor e Richard Burton, Gena Rowlands e John Cassavetes, Vivien Leigh e Laurence Olivier, Ingrid Bergman e Roberto Rosselini, os Duques de Windsor... Tenha sido uma vida inteira ou apenas alguns dias há alguns casais que marcaram  o século XX, contribuindo para a manutenção da lenda do amor eterno.

Excelente livro para ler nestes dias quentes de Verão, com diversas histórias e aventuras de amor ilustradas com fotografias excepcionais. 

15 de agosto de 2010

E os meus olhos ficam sorrindo

O futuro

Onde está - Pôr
Facilitismo -
Exigência
Vulgaridade -
Excelência
Ignorância -
Conhecimento
Mandriice -
Trabalho
Aldrabice -
Honestidade
Videirismo -
Honra
Golpada -
Seriedade
Moleza -
Dureza


No último “Plano Inclinado”, o Prof. Ernâni Lopes falava do futuro e da importância dos valores na sua construção. Um tema difícil. Menosprezado. Ridicularizado tantas vezes.
Dizia um dos melhores professores que tive, que a última década em Portugal foi uma década perdida, esvaziada e por isso é importante recuperarmos valores e padrões de comportamento. Mas, sobretudo, da imperativa necessidade de demonstrar e convencer os jovens que a prosperidade que lhes tem sido "vendida" é virtual, tendo nesse contexto apresentada uma interessantíssima tabela, em que na 1ª coluna são apresentados os valores que se instalaram na sociedade portuguesa e conduziram a este estadio e na 2ª os valores fundamentais que teremos de adoptar se queremos ter futuro.
São valores que partilho, que procuro prosseguir e que espero poder transmitir, através do meu exemplo, aos meus filhos.
É obrigatório.

14 de agosto de 2010

...



Ver nascer o Sol é bom É muito bom. Por momentos, esquecemos tudo e acreditamos. Então no Verão, com muito calor, tudo parece possível. E com uma garrafa de Redoma, nada nos detém.
Viver é difícil. Viver sem que nos tentem chatear, é impossível. Nunca gostei que me chateassem. Não gosto de chatear ninguém.
E principalmente não gosto de me chatear a mim mesmo.
Depois de um nascer do sol, assim, percebemos que vale a pena acreditar. Lutar. Seduzir e ser deduzido. Gostar. Desfrutar.
Há anos que não via um nascer do sol tão bom.
Mas tento não me empolgar muito.

10 de agosto de 2010

Missoni



Kenneth Anger criou este delicioso pequeno filme para a Missoni. É surpreendente a associação entre os dois nomes, mas o resultado é estimulante.

3 de agosto de 2010

Thousand Days in Venice


'Why don't you cook here one night and we'll have a party. We'll invite some people from the neighborhood, merchants and judges and such. You write the menu, I'll do the shopping, you cook, and I'll serve,' he says, all in a single breath."




A "Thousand Days in Venice", comprado por impulso numa pequena, mas charmosa livraria de Bolonha, e lido de um fôlego, desconhecendo se tem edição no nosso País, fala do amor entre uma mulher e um homem, do amor pela comida e do amor por uma cidade. 
Melhor era impossível...

A história é simples e de "conto de fadas": em 1989, Marlena, chef e critica gastronómica, vai a Veneza em trabalho. Assim que chega, fica completamente seduzida e decide voltar todos os anos. E todos os anos, todos os anos que regressa a Veneza, ela sente um impulso, uma atracção, como se estivesse a ir para um encontro.
Até que em 1993, o encontro finalmente acontece, quando ela almoça com uns amigos, o empregado se aproxima e lhe diz que tem um telefonema. Do outro lado da linha está Fernando, um veneziano que, um ano antes, vira Marlena passeando pela Piazza San Marco e se apaixonara à primeira vista e que, de repente, a desafia para uma nova vida.
Ele não fala quase nada de inglês e o italiano dela resume-se a algumas palavras relacionadas com comida. Ele abrira mão dos seus sonhos e levava uma vida monótona e previsível. Ela era criativa e sempre pronta a recomeçar. Ele gostava de tudo muito simples, incluindo a comida. Ela adorava cozinhar pratos elaborados.

À medida que acompanhamos o desenrolar da história, e as diferenças se vão esbatendo graças a um amor inesperado, Veneza aparece-nos descrita de uma forma deliciosa, única e apaixonante, como se de uma envolvente personagem se tratasse. Para rematar, a última personagem nuclear é a comida, esse afrodisíaco espantoso, que aparece descrito com elegância e sedução. 
Um livro leve, fresco, "de Verão", sobre um amor inesperado, sobre o amor de duas pessoas "de mais idade", numa das cidades mais românticas e surpreendentes do mundo, que por múltiplas razões fica a marcar este Verão tão bom.

2 de agosto de 2010

Sem título

  1. O processo Freeport, depois de demonstrar durante anos o que é uma má investigação do Ministério Público, acaba arquivado sem se inquirir um dos principais investigados, José Sócrates.
  2. O processo dos navios da Expo 98, que lesou o Estado em muitos e muitos milhares, acaba ao fim de 12 anos (!) por não condenar nenhum dos arguidos por falta de provas.
  3. O Tribunal Administrativo de Lisboa decide anular a permuta de terrenos da Feira Popular e do Parque Mayer, aprovada em 2005, pela Câmara Municipal e pela Assembleia Municipal de Lisboa (com votos favoráveis de PSD, CDS, PS e Bloco de Esquerda), com base numa acção interposta por José Sá Fernandes (Autor), que deixou de ser contestada pela Câmara Municipal (Ré), desde que o mesmo Sá Fernandes é Vereador, ou seja, a Câmara decidiu, em 2008, passar a secundar, como Ré, o Autor.
  4. O processo instruído pelo MP contra Carmona Rodrigues, que por isso foi impedido de se recandidatar, é ao fim de mais de 3 anos arquivado. 
  5. Nos processos do chamado Apito Dourado, todos os Tribunais, de 1ª instância, da Relação, do Supremo, Administrativos e o Tribunal Constitucional pronunciam-se pela absolvição dos réus. 
  6. Depois de muito barulho e muita tinta, acaba por se concretizar o acordo entre a PT e a Telefónica, e a Vivo é vendida em moldes semelhantes aos que tinham sido, dias antes, vetados pelo Estado através do recurso à chamada Golden Share.
  7. A Ministra da Educação decide, em pleno Verão e com muita gente de férias, de forma avulsa e discutível, anunciar o fim dos chumbos no ensino obrigatório. De um dia para o outro desaparecerá estatisticamente o incómodo “insucesso escolar”.
  8. O Ministro da Agricultura suspende o projecto aprovado pelo Governo, há 2 anos, de construção do picadeiro da Escola Portuguesa de Arte Equestre em Belém, considerando-o "inexequível". A toda poderosa Frente Tejo estava prestes a começar a construir as fundações da obra.
  9. Fica-se a saber que o Estado, em 2009, vendeu quatro hospitais públicos à Estamo – empresa imobiliária cujo capital pertence 100% ao Estado – por cerca de €111,5 milhões. A quantia arrecadada com essa venda do Estado ao Estado destinou-se a financiar despesas correntes e de capital de outros hospitais públicos.
  10. Depois de um longa e penosa trapalhada, afinal, já não haverá aquele tão falado festival de aviões Redbul... que pena!