31 de dezembro de 2010

O ano do coelho

Como será 2011, ano do coelho no Zodíaco chinês?


Astrologicamente, prevê-se um ano calmo, muito bem vindo após o ano feroz do Tigre. Um ano para apagar alguns pontos, curar feridas e começar com algum descanso após todas as batalhas do ano precedente. 


Economicamente, é quase certo que vai ser muito difícil: estagnação dos salários, retracção do investimento, aumento do desemprego, ausência de incentivos estatais, aumento dos impostos, sobretudo do IVA, que vai abanar a vida das pessoas, prejudicar o comércio e ferir de morte a concorrência.


Policamente não vai ser melhor. Governo moribundo, sem capacidade de reagir ao ciclo adverso, gasto, sem competência para relançar o país. Oposição pouco consistente, sem chama para galvanizar. Presidente num segundo mandato mais interventivo, mas ainda sem despertar paixões ou empatia. Forças e agentes sociais sem expressão ou interesse.


A que acrescerão muito provavelmente ajustamentos no modelo europeu, que vem sendo desenhado desde o pós-guerra e que terá de mudar, de sofrer adaptações. Esses ajustamentos terão consequências seguramente complexas e muito imprevisíveis para os países mais frágeis e que pior souberam adaptar-se, como é o caso de Portugal. E isso obrigará o país a voltar-se mais para dentro, para uma vida mais modesta, menos dependente de subsídios e apoios externos.


Em termos estruturais, com repercussões imensas a nível social, político e económico vai subsistir um grande problema: a Justiça que não funciona desde há anos e que se degrada cada vez mais, conduzindo a que hoje os agentes da justiça estejam tão desacreditados como os políticos e fazendo alastrar um sentimento geral de impunidade, que induz a corrupção.


Apesar deste panorama, pessoalmente, vai ser o melhor ano dos últimos. Consolidação, novos projectos, crescimento, diversidade, inovação. Passos seguros, mas audazes. Prudentes, mas criativos. 


O mais importante é que haja saúde. O resto virá, seguramente.

the last good day of the year

27 de dezembro de 2010

Comte Armand - Auxey Duresses


Uma amiga ofereceu-me este Chardonnay de Auxey-Duresses, uma vila no vale do Saint-Romain, na Côte de Beaune, na Borgonha. Excelentes as duas garrafas bebidas com patés num almoço prolongado a seguir ao Natal, altura em que nos apetece algo diferente. Acidez perfeita, aroma frutado, sem ser em demasia, e frescura correcta. As duas garrafas foram bebidas com curiosidade, enorme prazer e alguma surpresa. Souberam pela vida, como diz alguém especial. E ficou uma imensa vontade de ir até à Borgonha, sentir no local tudo o que estas duas garrafas proporcionaram e fizeram ansiar.
 

26 de dezembro de 2010

Then I knew the sign I had asked for was not a little thing, not a passing nod of recognition. And a phrase came back to me from my childhood, of the veil of the temple being rent from top to bottom.



Domingo, 26 de Dezembro, dia vivido como há muito não acontecia.
Revejo o último episódio de Brideshead Revisited (1981),  a extrema-unção de Lord Marchmain e o seu sublime e misterioso sinal da cruz. Como Charles Ryder vê esse gesto. Cena memorável, perfeita na representação e encenação, de um simbolismo enorme. 
Para mim, a reconciliação com Deus, a procura da paz, do último amor. Um passo enorme.

Vejo esta cena e sinto-me bem por ter fé, acreditar em Deus e sentir que Ele existe.  Mesmo que, por vezes, não me reveja na Igreja, sinto que sou um privilegiado. Por muitas razões e, também, por sentir essa aproximação.

Que é muito difícil sentir.

O Natal é cada vez mais para mim um encontro com essa paz, com esse mistério. E cada vez menos uma festa. Os meus filhos ajudaram e a vida conduziu a isso. E sinto-me bem com esse caminho. 
Se não fosse assim, não sei como seria, mas seria seguramente pior. 

Disso, tenho certeza.

24 de dezembro de 2010

Feliz Natal



Um dos meus clássicos de Natal favoritos -
“Have Yourself a Merry Little Christmas” 
do filme "Meet me in Saint Louis”, de 1944.
 Um filme que vou rever com os meus filhos, uma musica eterna, uma voz perfeita. 
Um Feliz Natal.

13 de dezembro de 2010

Racionamento




Este video de racionamento durante a 2ª Guerra Mundial, tem para mim um interesse especial depois da minha última visita a um dos museus mais interessantes que conheço.


Pequeno, sem grandes apoios, sem grandes mecenas, mas sempre com imensas crianças e jovens e onde vi uma exposição fantástica. O museu é o Imperial War Museum, em Londres, e nessa exposição fazia-se um interessantíssimo paralelismo entre as campanhas feitas na altura da 2ª Guerra pelo governo inglês para ajudar as pessoas a terem uma alimentação racional, correcta, selectiva, em tempo de guerra, apostando no cultivo de legumes em casa, em pequena escala, para consumo próprio (o governo distribuía sementes para o efeito), no não desperdício, nas vantagens do leite, das cenouras, do arroz, e as campanhas que hoje devem existir para uma alimentação equilibrada, assente em produtos naturais, sem aditivos artificiais, sem exageros, de forma a combater a obesidade, nomeadamente a infantil, o colesterol, as doenças cardiovasculares.

A exposição simples e assente sobretudo em filmes de época e postais com os slogans das campanhas inglesas é de uma actualidade talvez surpreendente e seguramente preocupante. Mas de uma pertinência impressionante.

O video que escolhi é fascinante.

3 de dezembro de 2010

Professor Doutor Hernâni Rodrigues Lopes

Um homem de carácter, corajoso, vertical, isento, digno, grande. 
Um cidadão exemplar, a quem o país muito deve e que não soube ouvir, respeitar e merecer devidamente. 
Um economista com enorme visão que não subordinava os princípios económicos  que defendia  a  qualquer ideologia. 
Um excelente Ministro que soube com coragem e rigor aplicar as medidas  em que acreditava e que eram as necessárias para o país.
Um fantástico pedagogo, pela visão, pluridisciplinariedade, consistência e profundidade das suas orientações, quer na SAER, quer nas suas conferências, palestras e aulas na Universidade Católica Portuguesa.

Curvo-me respeitosamente perante a sua grandeza e presto a minha mais profunda homenagem ao homem que simbolizava, para mim, o melhor do nosso país e um modelo a seguir. Foi o meu melhor professor e dos que mais me marcou. 

Se o país tivesse mais homens como o Professor Hernâni Lopes, seria um pais maior. 
As saudades vão ser imensas e a sua falta muito sentida.