25 de janeiro de 2011

Black Swan


Há muito que não via um filme tão forte, tão emocional. Muito bem dirigido por Darren  Aronofsky, com uma excelente fotografia e banda sonora. Excelentes interpretações de Vicent Cassel, Winona Ryder, a fantástica Mila Kunis e sobretudo de Natalie Portman, que é absolutamente divina, sublime, no papel de uma bailarina que ganha o papel principal no Lago dos Cisnes e que é perfeita como Cisne Branco, mas não como Cisne Preto. E tem ser igualmente perfeita como Cisne Negro.

Tocou-me sobretudo o desejo de perfeição e a angústia permanente que isso provoca, com consequências impressionantes a nível psicossomático. Muito acentuado no ballet, mas igualmente muito comum em tantas outras áreas. Com as quais lidamos no dia-a-dia.

A ambivalềncia, a dualidade, a ambição, o desejo da perfeição, o medo da rejeição, são tratados de forma intensa, estimulante, sensual. Um filme muito bonito, fundamental, a não perder, nomeado hoje para os óscares nas categorias mais importantes.

24 de janeiro de 2011

Em resumo:

- Menos um milhão de portugueses votaram nestas presidenciais, em comparação com as de 2006.

- 270 mil portugueses votaram em branco ou nulo, equivalente a 6,3% dos eleitores.

- José Manuel Coelho (o candidato non sense) obteve 4,5% dos votos. O que também representa um voto de protesto, de choque.

- Devido à inadmissível burocracia, muitos portugueses não votaram. Não vale a pena desvalorizar, é de terceiro mundo.
 
- A campanha eleitoral foi desinteressante, fraca e com poucas ideias discutivas. Quase nenhuma referẽncia aos jovens. Num aspecto foi, no entanto positiva, foram utilizados muito menos cartazes e panfletos e gasto menos dinheiro.

- Manuel Alegre, com o apoio do PS e do Bloco de Esquerda, obteve menos 300 mil votos do que há 5 anos. Fez um bom discurso de derrota. Com dignidade, igual a ele mesmo, o que não aconteceu durante a campanha. Agora, a poesia.

- Fernando Nobre foi o candidato verdadeiramente apartidário com maior sucesso nas urnas desde Maria de Lurdes Pintasilgo e demonstrou, mais uma vez, que as pessoas gostam de candidatos pouco políticos e vindos de fora do sistema, que de alguma forma as façam acreditar. Criticou (mais um...) as empresas de sondagens. Quem o apoiou está de parabéns.

- Francisco Lopes, obteve metade da percentagem de Fernando Nobre, e teve menos 130 mil votos do que Jerónimo de Sousa em 2006. Mas, manteve as expectativas.

- Defensor de Moura, deputado do PS, foi humilhado nas urnas e fez o discurso mais ignóbil que me recordo de ouvir em Portugal numa noite de eleições.

- Pedro Passos Coelho demonstrou bom senso e prudência. Baixou as expectativas. Está melhor do que há alguns meses.

- José Sócrates foi inteligente e hábil. Salientou que todo o Partido Socialista esteve ao lado de Manuel Alegre e que os portugueses optaram pela estabilidade. Extraordinário. Mas não deixa de ser um dos derrotados da noite. Sobretudo por ter havido alguma crispação excessiva com Cavaco Silva (mais uma vez as declarações de Santos Silva vão ficar para a História). Não lhe restavam grandes hipóteses depois do avanço de Manuel Alegre e do apoio subsequente do Bloco de Esquerda, mas foi um erro. Este Bloco de Esquerda não deixou de ser revolucionário e não é misturável com este Partido Socialista. Aliás como se viu para a Câmara de Lisboa.

- Paulo Portas fez um discurso "técnico", para cumprir.

- Francisco Louçâ fez um discurso ressabiado, agressivo. Ao seu jeito.

- Cavaco Silva ganhou largamente, e em todos os distritos, e arrecadou mais uma vitória eleitoral a juntar à lista, o que é um feito único em Portugal que merece destaque. Mas obteve menos meio milhão de votos do que em 2005, o seu discurso foi azedo e demonstrou, até, algum rancor. Era de longe o melhor candidato e fez uma campanha profissional, ao seu jeito, durante a qual, criticou por diversas vezes o Governo e anunciou que ía ser mais interventivo. Adivinham-se tempos difíceis para José Sócrates.

Oxalá haja bom senso. A situação do País a isso obriga.

Uma palavra final para esta curiosa previsão feita em Novembro, que se mostrou muito próxima do que aconteceu ontem e que por isso mesmo merece reflexão.

Absolutamente deliciosa!!





















La crèmerie, localizada no bairro mais charmoso de Paris - Saint Germain, é ao mesmo tempo uma loja de vinhos, um bar de vinhos e um local onde se pode comer charcuteries artesanais de diferentes regiões de França, Itália e Espanha. O local é gerido por Serge Mathieu e pela sua Mulher Helene. São ambos arquitectos. Mas ele deixou de exercer há uns anos, para se dedicar a esta antiga loja de latícínios deliciosa do século XIX, que descobriu por acaso.

Pode-se entrar, escolher uma garrafa, pagar e ir embora. Mas também se pode beber um copo de vinho, ou comprar uma garrafa da prateleira, pagar um extra de 9 euros (taxa de rolha) e bebe-lo lá. Por causa das licenças, tem que se pedir algo para comer com o vinho: um queijo, paté, um prato saucisson, por exemplo. O que acaba por ser fantástico.
O presunto e os restantes enchidos, todos de exceptional qualidade, são cortados no balcão numa fantástica máquina original Berkel de 1936.

A "burrata di Corato" (um queijo de Puglia, parecido com a mozarella), com azeite não filtrado de Maussane (perto de Les Baux de Provence) e uns tomatinhos biológicos estava perfeita. E o vinho jovem, aromático, fresco, foi a escolha certa para um jantar inesquecível.