31 de maio de 2011

Porque razão

Esta avaliação feita pelo Banco de Portugal sobre a economia portuguesa refere:

"A economia portuguesa enfrenta um dos maiores desafios da sua história recente. Na sequência de um recrudescimento intenso da crise de dívida soberana na área do euro, as condições de acesso aos mercados de financiamento internacionais deterioraram-se de forma acentuada ao longo de 2010 e início de 2011. Os investidores internacionais singularizaram a economia portuguesa principalmente em função do elevado nível de endividamento externo e do baixo crescimento tendencial, em conjugação com níveis do défice e da dívida pública relativamente altos e superiores ao esperado. Estes desenvolvimentos contribuíram para avolumar os receios dos investidores internacionais sobre a sustentabilidade das finanças públicas e sobre a dinâmica intertemporal da dívida externa, tornando inadiável o pedido de assistência financeira internacional, concretizado no início de Abril".
 (...) "O esforço de consolidação orçamental ao longo de 2010 revelou-se claramente insuficiente face à magnitude do desequilíbrio orçamental.

A caixa 5.3 no final do capítulo 5  contém uma análise detalhada da evolução  do mercado das exportações portuguesas entre 2000 e 2009, onde se refere que "as exportações portuguesas apresentaram um crescimento médio inferior ao das exportações mundiais, o que se traduziu numa perda de quota de mercado de cerca de 22 por cento em termos acumulados".

Queda para a qual "a contribuição mais significativa para a perda total na última década resultou do efeito quota de mercado, equivalente a 15.8 pontos percentuais (p.p.). Adicionalmente, o efeito combinado da estrutura sectorial e geográfica das exportações portuguesas contribuiu também para a acentuada perda de quota global. Este efeito negativo reflectiu quer a composição por produtos quer a distribuição geográfica das exportações portuguesas e resultou do facto de Portugal estar relativamente mais especializado em mercados individuais com um crescimento abaixo da média."

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Não há memória de dez anos de tanta estagnação, seguidos de três anos de empobrecimento tão acentuado. A inflação está hoje nos 4% e os salários baixam, o desemprego atinge 800 mil pessoas. O sistema judicial é um pesadelo, a dívida pública duplicou em seis anos, o fosso entre ricos e pobres aumentou de forma brutal. A vida começa a ser insustentável. Portugal é hoje um país exangue, sem expressão, de espinha quebrada. Há uma anestesia geral na opinião pública. Há uma assustadora falta de rigor.

O próximo governo terá de tomar muitas decisões impopulares, semelhantes à da taxa social única. Vai ter que mexer na lei das rendas, impor regras aos juízes, aos professores, vai haver menos direitos sociais, o despedimento será mais fácil.

Perante esta situação, o que se tem visto nesta campanha? Muito pouco. Poucas propostas, muita espuma política. Culpa dos políticos e dos modelos de campanha escolhidos, absurdos de tão ultrapassados.

Cada vez que alguém conta a verdade, as pessoas não ouvem ou fingem não ouvir. e os adversários políticos criticam, como se não tivessem de fazer o mesmo O excesso de sinceridade sai penalizado pela simples razão de que muitos eleitores ainda não perceberam o que lhes caiu em cima. E muitos comentadores e jornalistas ajudam a acentuar as nuvens de fumo em torno dos factos, criando um mundo a cores, superficial, adiando o dia em que teremos de regressar ao preto e branco da nossa depressão.

Há algo de errado na sociedade portuguesa, um elemento difícil de definir, mas que me parece ser uma incapacidade doentia de encarar a realidade.

O principal responsável por esta situação tem um nome, tem um rosto, tem um cargo: José Sócrates, Primeiro Ministro, nos últimos 6 anos. Mentiu, mentiu muito em muitas coisas, adiou decisões, fez muito pouco. Tinha obrigação de fazer muito mais. O seu último governo era dos mais fracos desde o 25 de Abril, se não mesmo o mais fraco. Sem força, sem coragem, sem rasgo, sem competência. Absolutamente medíocre. E a sociedade e a administração pública são hoje o espelho dessa ineficácia, desse jogo de interesses, dessa falta de vigor. Nada nos leva a pensar que o futuro fosse diferente. Nada.

Penso, mesmo, que as consequências da sua continuação podiam ser irremediavelmente piores. Mesmo que nada mais seja suficientemente esclarecedor e motivador, isto parece-me uma inevitabilidade. E tendo a concordar com Manuela Ferreira Leite quando diz todos, qualquer um, menos José Sócrates.

Mas não deixo de me interrogar por que razão ainda há tanta gente a acreditar e a gostar de José Sócrates? Será que os portugueses pensam verdadeiramente que ele fez bem ou que faria melhor? Ou simplesmente não estão certos que com outro será diferente?

Gostava de perceber.

30 de maio de 2011

24 de maio de 2011

Cinema Sil Plaz - um cinema independente em Ilanz na Suiça



criado por dois arquitectos locais que transformaram um espaço abandonado, usando materiais locais., tornando o interior muito acolhedor, com excelente design, cadeiras confortáveis, um bar que é um ponto de encontro e um palco para bandas locais actuarem e onde se descobre um português.

...



Os homens mais fortes emocionalmente são os que respeitam mais as mulheres. 
E as mulheres mais fortes e mais femininas costumam respeitar os homens. 
As coisas são mesmo assim. 
É o grupo no meio que estraga tudo.» 
Clint Eastwood

no excelente The Eastwood Factor, de Richard Schickel (2010)

23 de maio de 2011

Crise

No verão de 2010, a temperatura bateu recordes em Moscovo. Houve centenas de incêndios. Milhares de hectares de terras arderam. Foi a onda de calor mais intensa na Rússia nos últimos 130 anos. O que teve como consequência um elevado custo económico. Milhares de camponeses enfrentaram a falência. As colheitas de cereais diminuíram. Entre Junho e Agosto desse ano, o preço mundial do trigo subiu 60%. A seca prolongada e o pior onda de calor na história da Rússia foram aumentando os preços dos alimentos no mundo inteiro.

Simultâneamente, em Julho de 2010, surgiram relatos de chuvas torrenciais nas montanhas do norte do Paquistão. O rio Indo transbordou, os diques falharam e a destruição alastrou. Cerca de 2 milhões de casas foram danificadas ou destruídas. Mais de 20 milhões de pessoas foram afectadas pelas enchentes. Foi o maior desastre natural da história do Paquistão.

Recentemente, houve a catástrofe no Japão que destruiu grande parte do país, provocou inundações, arrasou com campos de arroz e cereais e que vai influenciar a economia do sudoeste asiático.

No principio do ano, o preço do trigo pulverizou todos os recordes no Reino Unido. Houve tumultos causados pela fome na Argélia. A Índia luta com uma taxa de inflação anual de 18% nos alimentos e a China tenta importar trigo e milho.

Enquanto no passado, era quase sempre só a meteorologia que explicava as altas dos preços das matérias-primas, hoje também é a evolução da relação entre a oferta e a procura que dita as condições. Do lado da procura, os culpados são o crescimento populacional, o aumento da riqueza e o uso de culturas agrícolas para produzir combustível. Do lado da oferta: a erosão do solo, o esgotamento dos recursos hídricos, a perda de terras cultiváveis ​​para usos não agrícolas, o desvio da água de irrigação para as cidade.

O que aconteceu à Rússia, ao Paquistão, ao Japão, à Índia, à China, ou ao Reino Unido, pode acontecer a qualquer país, se continuar com  as mesmas políticas e os mesmos "negócios". Os sinais de que a nossa civilização está em dificuldades multiplicam-se. Durante mais de 6.000 anos, temos conseguido viver dos sistemas naturais da Terra. Mas a humanidade nas últimas décadas ultrapassou o nível que esses sistemas podem fornecer. Muitos recursos naturais da Terra foram sendo destruídos para abastecer o nosso consumo. Metade de nós vive em países onde os lençóis freáticos estão a desaparecer e os poços  a secar

A procura é cada vez maior que a oferta.

Além disso, com a enorme queima de combustíveis fósseis que existe, verifica-se uma sobrecarga da atmosfera com dióxido de carbono (CO2), elevando a temperatura da Terra.

Mas, aos olhos dos economistas, e dos políticos, o mundo tem um futuro promissor, a recessão económica global e o colapso do sistema financeiro internacional de 2008/2009 é apenas um solavanco antes de um regresso ao crescimento.

A verdade é que embora vivamos numa sociedade altamente urbanizada e tecnologicamente muito avançada, somos tão dependentes da terra natural como no passado. Se continuarmos com as mesmas políticas, o colapso deste sistema não é mais uma questão de "se," mas de "quando".

Uma situação preocupante na Europa, é a diminuição da produção de trigo. Em França, Alemanha e Reino Unido, a produção de trigo, que nestes três países representa cerca de um oitavo da safra mundial, baixou brutalmente. A conversão de terras cultiváveis ​​para usos não agrícolas, expansão urbana desmedida, a construção industrial e a pavimentação de terras para estradas e estacionamentos estão a devorar as terras cultiváveis e a fazer baixar a produção de cereais, sobretudo trigo, na Europa. O mesmo se diga de Portugal, que para além de tudo isto, ainda se deixou deslumbrar com os campos de golfe, multiplando hectares sobre hectares, abandonando por completo a agricultura.

A realidade da nossa verdadeira situação terá de se tornar mais clara para os economistas e para os políticos, até porque o aumento dos preços mundiais dos alimentos não engana. No plano social, a tendência mais perturbadora é a fome.

Para complicar ainda mais o nosso futuro, existe o aumento constante dos preços do petróleo. E com a capacidade recentemente desenvolvida para converter os  cereais em óleo (isto é,  etanol), o preço dos  cereais já está ligado ao do petróleo. A subida dos preços do petróleo significa aumento dos preços dos alimentos.

Com a degradação ambiental, económica e social, os governos mais frágeis estão a ter dificuldades em reagir. E como o crescimento rápido da população continua, as terras cultiváveis tornam-se escassas, os poços secam, as florestas desaparecem, o desemprego aumenta e a fome alastra, as razões para estarmos muito muito preocupados são ainda maiores.

E Portugal é um dos casos na Europa que mais preocupações levanta. Por todas as razões que conhecemos. Problemas estruturais imensos. Falta de coragem politica. Má gestão.

Em "World On The Edge - How To Prevent Environmental And Economic Collapse", Lester Brown descreve exemplarmente este cenário e apresenta alguns caminhos que nos podem inspirar.

- um grande corte nas emissões de carbono global de 80% até 2020,
- a estabilização da população mundial, não superior a 8.000 milhões em 2040,
- a erradicação da pobreza,
- e a restauração de florestas, solos e lençóis freáticos e, claro, das pescas.

A situação que o mundo enfrenta hoje vai muito além da crise financeira e económica de 2008 e 2009.
A actual alta dos preços dos cereais e dos produtos alimentares em geral não é um fenómeno temporário. Não podemos esperar que as coisas voltem ao normal, porque num mundo sujeito a tão súbitas e rápidas alterações climáticas, deixou de haver uma situação normal.

Se nada mudar, os preços dos alimentos vão continuar a aumentar.

E o nosso país, pequeno com muitos recursos mal aproveitados e mal geridos, mas que podem ser potenciados e com uma geração sem perspectivas e muito desanamida mas fortemente letrada, com superlativas habilitações e informação, podem marcar a diferença. Temos de apostar na nossa agricultura, no consumo de produtos portugueses, na produção de produtos orgânicos e biológicos, recuperando práticas de outros tempos e deixar de querer viver numa utopia e de taxar excessivamente os alimentos com impostos absurdos. Temos de procurar alternativas.

Será que vamos ficar com os "negócios habituais", mantermo-nos no declínio económico e no caos administrativo, politico e financeiro? Ou será que vamos conseguir começar a reorganizar as prioridades, actuando rapidamente para inverter esta situação e mudar o nosso país para um caminho económico que nos salve?

Dia 5 de Junho, temos uma oportunidade para começar a mudar o nosso mundo. E simbolicamente ajudar a mudar o destino.

Simples e Delicioso











17 de maio de 2011

Blog


 
ilustrações, capas, gravuras, apontamentos tipográficos e etiquetas que fazem parte do acervo da biblioteca da Escola Secundária Marquês de Pombal, em Lisboa, fundada em 1888.

Bom DOP







15 de maio de 2011

Criatividade

Faz hoje um ano abriu a Mercearia Criativa.
Ao fim de um ano, o sentimento é muito positivo, o entusiasmo continua a ser enorme, os estímulos crescentes. Tem valido a pena o risco, a aventura, a resistência, o muito trabalho. Tem sido muito compensador. A muitos níveis. Nalguns, até, surpreendentemente compensador.
Muita coisa aconteceu neste ano: burocracias, desilusões, sócios mal formados e sem carácter, amigos que se revelaram ausentes, novos amigos, muito trabalho, muita felicidade, muita curiosidade e interesse, muitas viagens pelo país à procura daquele produto, daquela iguaria.

É difícil ir à luta neste país. É difícil ter um sonho e procurar que ele se torne realidade. Há muita resistência, muitos obstáculos, muitas regras, muita inveja, muita pequenez. E no caso de uma pequena mercearia com produtos portugueses diferentes, ainda mais. Faltam canais de distribuição, a produção é escassa, a regularidade e o cumprimento dos acordos uma miragem.

É difícil sonhar em Portugal.

E vê-se cada vez mais gente insatisfeita, infeliz, sem capacidade de sonhar. E muita gente da minha geração. Existe um sentimento crescente que o país perdeu atractividade. Por isso, muitos e muitos pensam em emigrar. Em procurar lá fora, o que não conseguem encontrar por cá. É que nem sempre chega ter um emprego e receber um ordenado ao fim do mês... É preciso sentir que se vai melhorar. Não piorar. E sentir que o nosso país reconhece quem arrisca, quem é criativo.

O que se sente actualmente é uma enorme falta de esperança. Falta de sonho. De ambição.
A consciência de uma geração que não está preocupada com mais auto-estradas, com TGV, que não sonha em viver em condomínio fechados, que quer viver num país em que haja justiça, uma escola pública de qualidade, um sistema de saúde eficaz, poder usufruir de uma alimentação equilibrada, com produtos locais, orgânicos, mas que sabe que não tem nada disso e muito provavelmente nem sequer vai ter reforma, porque o sistema de segurança social está falido e não existirá daqui a 20, a menos que se opere uma enorme mudança.

Há dias, este inquérito dizia tudo. E o que dizia é preocupante.
Como se pode viver num país em que impera este sentimento de infelicidade e descrença? Em que não se premeia a criatividade, nem o rigor, nem o risco? Em que sabemos que quem nos governa mente, erra em excesso, faz piorar o país todos os anos?
É muito difícil.
É muito difícil sentir que o futuro dos nossos filhos vai ser, muito provavelmente, pior que o nosso.

Por isso, se nas próximas eleições tudo ficar na mesma, o futuro será para muitos noutro local.
Procurando novos desafios, novos sonhos, novos projectos, que façam sentir que vale a pena.
Sinto isso, cada vez mais, como uma inevitabiidade.

10 de maio de 2011

A redução da taxa social única

Uma das medidas do memorando de entendimento da troika consiste numa alteração da política tributária que vise reduzir os custos do trabalho e aumentar a competitividade externa da economia portuguesa.


Com este objectivo, o PSD incluiu no seu programa eleitoral a proposta de redução da taxa social única (TSU) em 4 pontos percentuais ao longo da legislatura compensando a quebra de receita através da “consignação receitas de impostos oriundas de outras fontes, a estudar no âmbito do OE/2012” uma medida que permitiria reduzir os custos das empresas com o trabalho o que poderá ter efeitos positivos sobre o aumento das exportações, o crescimento e o défice externo.

O Presidente da República parece defender uma medida semelhante. O PS veio criticar a medida, dizendo que significa aumento de impostos.


A medida ora proposta foi analisada pelo Banco de Portugal (ver Caixa 2 no final deste documento) concluindo que uma medida desta natureza possibilitaria “um aumento do nível de actividade económica e das horas trabalhadas que traduz num nível superior de exportações, de consumo privado e de investimento”, estimando-se que uma tal medida seria susceptível de gerar ganhos de bem-estar equivalentes a um aumento permanente do consumo per capita entre 0,5% e 1,4%, resultados que dependem, nomeadamente, do horizonte temporal de planeamento dos agentes e das hipóteses relativas à elasticidade da oferta de trabalho aos salários reais.


No entanto, o Banco de Portugal frisou que este impacto sobre o bem-estar deverá “ser entendido com especial cuidado” na medida em que não leva em conta “a heterogeneidade subjacente à distribuição do rendimento das famílias”, chamando a atenção para que o “aumento da tributação do consumo é susceptível de afectar em especial as famílias com menores rendimentos”.


Ou seja, a medida poderá ser positiva, embora deva ser aplicada com uma compensação cuidadosa do lado da receita.

Parece perfeitamente lógica a análise do Banco de Portugal, permitindo-nos acrecentar o seguinte: Não há medidas perfeitas, como aliás se tem visto. Mas há, claramente margem para esta medida poder funcionar.
Na realidade, é da natureza das "desvalorizações" afectar o rendimento disponível real das famílias sendo impossível executar uma medida deste tipo sem afectar o rendimento real disponível a não ser via um aumento extraordinário dessas pensões e dos salários mais baixos, o que parece não ser possível nesta altura fazer.
Além disso, o aumento da taxa normal do IVA pode ser obtido de diversas formas, de maneira a minimizar os efeitos negativos do aumento da tributação, não esquecendo que esta medida de compensação é complementar a outras medidas de aumento da receita previstas no memorando nomeadamente redução das isenções e aumento dos impostos especiais nomeadamente sobre o tabaco.

Pelo que poderá ser uma medida que trará bons resultados, fazendo aumentar a competitividade de Portugal. Eu gostei da proposta. Além disso, não sei qual é a proposta do PS relativamente à medida acordada com a troika. A mesma que tem sido aplicada? Os resultados não parecem ser os melhores. 

E, já agora, quem será o rosto das finanças portuguesas se o PS ganhar as eleições, Augusto Santos Silva?

Seria mesmo necessário?










Av. Barbosa du Bocage, Lisboa 
Maio de 2011 
abatidas 27 árvores que serão substituídas por 27 novas
um mistério que custa a perceber

8 de maio de 2011

Coca-Cola





Coca-Cola faz 125 anos e para muitos a fórmula da sua composição continua, ao fim deste tempo, a ser um dos maiores segredos comerciais da História.

Mas, afinal parece que não. O "This American Life" diz ter descoberto o segredonum artigo de jornal publicado há muitos anos atrás. Na fórmula mágica entrará um "7X flavor" que fará a diferença e cuja receita aparentemente é esta. 

Só resta experimentar...
Bom domingo!

5 de maio de 2011

As coisas que se descobre...



Livro Branco do Sector Empresarial Local


Presidente: Manuel Victor Moreira Martins;
Vogais:
i) António Maria Perez Metelo da Silva;
ii) Artur José Pontevianne Homem da Trindade;
iii) Franquelim Fernando Garcia Alves;
iv) João Manuel Machado Ferrão;
v) José da Silva Costa;
vi) Luís Filipe Nunes Coimbra Nazaré;
vii) Maria Luísa Schmidt;
viii) Pedro Costa Gonçalve
s


Os resultados é que se desconhecem...

Os tempos são de crise, mas de oportunidade de mudança de políticas, de hábitos, de comportamentos e, sobretudo, de atitude

Apesar do simplex, do choque tecnológico e da modernização administrativa, foi preciso ser o  Expresso a tornar público um documento que o Governo tem a obrigação de tornar acessível aos portugueses. Enquanto se espera pela versão oficial em português, esta  pode ir ajudando a perceber como vai ser o futuro próximo.

E o futuro, se as medidas precononizadas no Memorando de Entendimento, forem cumpridas (e terão de ser) e, até, sumplantadas e superadas, poderá ser mais azul.

Os documentos conhecidos são um programa de governo. De um bom Governo. São um plano de austeridade que estabelece medidas muito duras, com muitos sacrifícios e dificuldades para as pessoas, mas, também, muitas medidas de austeridade da despesa pública, com novas abordagens para a administração pública e o sector empresarial do Estado e também, e felizmente, reformas estruturais do Estado, da segurança social e do trabalho, da saúde, da educação, da justiça.

E, naturalmente, embora a isso os programas de governo e os Governos não estejam habituados, é um programa que define metas quantitativas do lado da despesa e da receita e datas de verificação, detalhando as iniciativas legislativas que lhe estão associadas e as datas em que estas iniciativas legislativas devem ser submetidas à aprovação da Assembleia da República.

Além disso, prevê um conjunto de instrumentos de controlo a que o Governo fica submetido para prestar contas, sobre a implementação e execução das referidas medidas e o cumprimento das metas e datas estabelecidas, mas também  um conjunto de informações consideradas relevantes relativas ao andamento das finanças públicas.

No fundo, um plano com e de responsabilidade, isenção, rigor e transparência, características absolutamente necessárias e tantas vezes ausentes, o que já por si representa uma gigantesca mudança e um enorme desafio que colocará à prova a capacidade do novo Governo e do país em levar por diante as reformas há muito anunciadas e sempre adiadas. 

É preciso gerir bem os recursos afectos aos serviços públicos e adequar a dimensão do Estado às reais necessidades e às possibilidades da economia. E é preciso muito e melhor trabalho.

Os tempos são de crise, e muita coisa ainda falta saber, nomeadamente os juros dos empréstimos, mas os tempos poderão ser também de oportunidade de mudança de políticas, de hábitos, de comportamentos e, sobretudo, de atitude.

o auê

3 de maio de 2011

...

 

encontrada aqui

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Times Square

A redução do número de carros nos centros urbanos melhora mesmo a qualidade do ar. Não é fantasia. Não é propaganda dos ambientalistas.

Em 2009, o Mayor de Nova York, Bloomberg, proibiu o tráfego na Broadway, entre as ruas 42 e 47, em plena Times Square, para criar uma praça pedonal (ver aqui). 

O resultado é fantástico. É extremamente agradável podermos sentar-nos numa das cadeiras e chapéus de sol espalhados pela rua e beber um café, comer, ler um livro, ouvir música, ou conversar um pouco, ou apenas sentir que estamos no centro do mundo.
Agora, foi revelado aqui, que após a conversão para uma praça pedonal, os níveis de NO (Óxido nítrico) baixaram 63 % em Times Square, enquanto, os níveis de NO2 (Dióxido de carbono) desceram 41%.

São reduções muito significativas, impressionantes mesmo, em dois elementos essenciais, numa das zonas mais famosas e frequentadas do mundo, que indiscutivelmente trarão benefícios para a saúde pública e para a qualidade de vida.

E que podem servir de exemplo a outras cidades. Uma aposta totalmente ganha do Mayor Bloomberg.

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Morte e Esperança



Não deixa de fazer impressão festejar a morte. Ainda há dias explicava aos meus filhos o que tinha acontecido naquele dia de 2001.
Mas esta foto de Michael Appleton para o The New York Times com bombeiros a festejar em Times Square vai ficar para sempre na memória. 
Mais de 300 bombeiros morreram a 11 de Setembro de 2001 no atentado terrorista mais famoso da História. História que ontem escreveu mais uma linha. Uma linha que faz com que Barack Obama jamais seja esquecido pelos americanos. Mas é uma linha escrita com a morte, que pretende regenerar a esperança. Era óptimo que assim fosse.

2 de maio de 2011

Certeza incerta

"É crucial que os decisores políticos e os gestores públicos prestem contas e sejam responsabilizados pela utilização que fazem dos recursos postos à sua disposição pelos contribuintes." Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal

- "Governo corta nos apoios aos alunos com deficiências"



Enquanto se aguarda pela receita da troika, que nos vai ajudar a tentar sair desta enorme doença, com ramificações psicossomáticas graves, em que estamos, o Partido Socialista resolveu apresentar, a sua própria receita.  A que chamou "Defender Portugal. Construir o futuro".

É um slogan, no mínimo, irónico, pois há muito que o estado social está comprometido, (veja-se as duas notícias em cima) a administração pública paralisada, a Justiça em coma profundo, o sistema de saúde falido, o desemprego assustador, a dívida pública descontrolada, a economia estagnada, a pobreza crescente. O país perto da bancarrota, sem crédito internacional.

Perguntar-se-à, então, defender Portugal de quem e do quê? E construir como? Como tem sido feito?

Mas perante as contradições do PSD e a desconfiança das pessoas, o PS resolveu antecipar-se e mostrar as suas propostas. Inevitavelmente generalistas, vagas e repetitivas. Lê-se o programa e não se vê novidade. Tanto é assim que nenhuma proposta concreta mereceu destaque na comunicação social e na generalidade da entourage de comentadores do sistema. O programa é vago nos sacrifícios ("revisão" das deduções fiscais, "racionalização" do IVA, "reorganizar" o SNS);  impreciso quanto às grandes obras públicas (TGV, novo aeroporto ou Scut); pouco rigoroso tecnicamente,  pois estabelece objectivos a partir do défice de 2010 de 6,8% em vez do valor oficial, actualmente, de 9,1%. E contraditório, por exemplo sobre a regionalização, pois volta a defender aquilo que o  PS  e o Governo rejeitaram há cerca de dois meses, embora o tivessem prometido para as anteriores eleições: referendar as regiões administrativas e ao mesmo tempo promover a eleição directa dos seus titulares políticos.

A verdade é que é o slogan escolhido é um slogan fácil, que revela  oportunismo. Mas, os últimos anos têm sido de enorme oportunismo: reduziu-se o IVA em 1%, para depois o aumentar em 3%; prometeu-se o TGV, lançou-se o TGV, adjudicou-se parte do TGV, sabendo que era impossível pagá-lo e sabendo que depois se terá de indemnizar o consórcio construtor; como também foi oportunismo o ter-se aumentado os funcionários públicos em 2,9% antes das eleições; o termos um défice de 5,6% antes das eleições de 2009 e de 9,4% depois delas; o termos um défice referente a 2010, em Janeiro de 6,8% e em Março de 8,6%; o não precisarmos de ajuda até 23 de Março, mas a 15 de Abril saber-se que o dinheiro acaba em Maio. Oportunismo é dar-se meio dia de ponte quando o País está como está. Oportunismo é prometer-se diálogo e disponibilidade, quando ela não existe. É prometer-se o que não se pode cumprir.

A grande questão, no entanto, é que boa ou má, verdadeira ou não, coerente ou não, oportunista ou não, o PS tem mostrado estratégia. Que tem faltado ao PSD. E a força vem de uma estratégia, de uma boa estratégia, convincente, forte, autoritária, sem cedências.

E essa tem faltado. Embora o país precise. E muito.

Uma estratégia liberal, mas social, uma estratégia "liberal de esquerda", que liberalize e privatize QB, que acabe com os benefícios excessivos de algumas elites, umas acomodadas, outras poderosas, que redistribua riqueza, que reequilibre a sociedade, que repense o Estado Social, com sensatez, sabendo que assim, como está, não poderá continuar. Uma estratégia sem ser subordinada a compromissos com todos, sem preocupações constantes com os media e a imagem, desprezando os oportunistas que militam nos partidos e à volta deles, afastando os boys. E fazendo sonhar. Fazendo acreditar que o futuro vai ser melhor. Difícil, como sempre será, à custa de muito trabalho, como tem de ser. Mas melhor. Sem oportunismos ou ilusões. Mas um futuro justo, com esperança, com sonho, com emoção, com força, com garra.

Sem isso, ninguém conseguirá enfrentar os próximos tempos. Estamos todos cansados de mentiras, de ilusões, de truques, de ilusionismo, de coelhos tirados da cartola. De mais do mesmo. De cada vez menos. A quantidade de pessoas que pensa em emigrar, em sair do país, é cada vez maior. Isso tem de ser invertido. É preciso estratégia, sonho, verdade.

É preciso mesmo, verdadeiramente, a todo o custo, defender o país, transformá-lo, modificá-lo económica, politica, cultural e socialmente. É preciso mudar. Mudar mesmo. Dê para onde der. E isso é não só necessário como possível.

Ou uma geração descrente, sem rumo, terá de procurar outro caminho. O seu caminho. O caminho que um país sem estratégia não lhe conseguiu proporcionar.

North by Northwest



Fotografia de James Turnley