22 de julho de 2011

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Rita Hayworth & Orson Welles
A Dama de Xangai (1947)

What was the Hollywood reaction generally to "The Lady From Shanghai"?

Orson Welles: Friends avoided me. Whenever it was mentioned, people would clear their throats and change the subject very quickly out of consideration for my feelings. I only found out that it was considered a good picture when I got to Europe. The first nice thing I ever heard about it from an American was from Truman Capote. One night in Sicily, he quoted whole pages of dialogue word for word.

This Is Orson Welles

21 de julho de 2011

coisas da vida




a meio de um dia, ouvir o nosso filho tocar concentrado, coordenado, feliz 
e ficar muito feliz

15 de julho de 2011

11 de julho de 2011

Não sou de desejar coisas dos outros, mas isto tem qualquer coisa





Aqui há mais fotos desta tentadora casa em Palmela

Poderosamente Criativo

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Nota Negativa

A reacção à notação atribuída pela Moody's à dívida pública portuguesa faz lembrar a daqueles alunos que depois de prestarem provas de exame medíocres ficam indignados com a  nota atribuída. Vêm dizer que lhes deveriam ter dado mais tempo para estudarem, que estão a ser objecto de perseguição, que a escola é má, que o sistema de ensino é péssimo, que não lhes dão condições para terem bons resultados, etc. Naturalmente que eles  "ilustres e brilhantes alunos" não têm qualquer responsabilidade pelo fraco resultado que tiveram. A culpa é do "sistema", daquelas e de outras razões. Quem não conhece o "filme"?

As reacções dos portugueses em geral e sobretudo dos mais altos responsáveis do  país à decisão da Moody's foram, muito parecidas e foram bastante precipitadas e emotivas. A notação da Moody's de que o investimento em títulos da dívida pública portuguesa é de carácter especulativo pode ser exagerada, mas não deixa de ter fundamentos.Que toda a gente conhece. Mas a emoção falou mais alto...

A verdade é que Portugal não cresce há 11 anos. Em 11 anos a dívida pública portuguesa duplicou, rondando hoje os 100% do PIB. A dívida externa ronda  já os 110% do PIB,. O país nos últimos anos não tem parado de viver acima das suas possibilidades, entrando numa espiral de endividamento  completamente irresponsável.

E o que tem feito o Estado Português nestes dez anos? 
Aumentado sempre os impostos,  ou seja, indo buscar ao mais fácil, que é a receita, sem nunca cortar na despesa. Em 2000 a taxa máxima de IVA era de 17%. Hoje é de 23%. Em 2000 a taxa máxima de IRS era de 40%. Hoje é de 46,5%. O peso dos impostos é absolutamente esmagador para a competitividade portuguesa.

Apesar desta permanente subida de impostos, o Estado, mesmo assim, ainda teve sempre que ir procurar receitas extraordinárias para cumprir o défice imposto por Bruxelas: aquisição do Fundo de Pensões da CGD, transferência do Fundo de Pensões da PT e outras medidas tais.

E quando se esperava um caminho novo, com um Governo novo, o que se teve foi: um imposto extraordinário por altura do Natal, para ser mais doce.

Perante isto, como é que é possível alguém se espantar por haver uma agência de rating que coloca o risco de default de Portugal como uma fortíssima probalidade?

Haja humildade. E bom senso. E corte-se na despesa. Já!

Portugal, Lisboa, Julho, 2011

Lê-se no jornal Público que o arraial "popular" instalado há mais de duas semanas na Alameda D. Afonso Henriques, para a festa "Noites de Verão da Alameda", parece que vai ter de (finalmente!) abandonar o local. 

O nível do evento em causa é inqualificável, a frequência indesejável, o aspecto pior que o pior evento de Massamá, o barulho ensurdecedor, as características indignas da melhor zona da favela da Rocinha, no Rio.

Esta pérola do Verão Lisboeta de 2011, está montada ao lado do relvado que fica em frente ao Instituto Superior Técnico e à Avenida Guerra Junqueiro, e já foi alvo de múltiplas reclamações por parte dos moradores e comerciantes, em relação ao som muito alto, ao lixo e à permanência de pessoas desagradáveis.

Nas barracas e rulotes vende-se comidas e bebidas. E há um palco  onde se têm realizado "espectáculos musicais" todas as noites, com entrada livre. Pelo chão, e pela relva amontoam-se desde há duas semanas beatas de cigarros, latas e garrafas de bebidas, papéis e plásticos.

Nos cartazes que divulgam a festa, pode ler-se que a Junta Freguesia de São João de Deus é uma das entidades que apoiam o evento, a par da Boutique Glamour e da Câmara de Lisboa.

O pedido de licenciamento que chegou à Câmara de Lisboa, parece ter (segundo o Público) a junta de freguesia de São João de Deus, como única requerente, mas o presidente da Junta de Freguesia, Rui Pessanha da Silva (PSD), garante que o evento é organizado por uma promotora privada e esclarece que a empresa privada promotora o contactou, apresentou o que queria fazer e que a junta "apenas" (!) aceitou a proposta e diz agora que a junta de freguesia apenas serviu de veículo para pedir as licenças de ruído e de ocupação do espaço.

Perante esta ambiguidade, a autarquia de António Costa e Sá Fernandes (PS) ordenou  agora o encerramento da festa.

Ou seja, passados 15 dias, a Câmara de Lisboa, decidiu mandar encerrar o evento, não pela falta de qualidade do mesmo, nem pela desresponsabilização da promotora na limpeza da zona, nem pelo baixo nível demonstrado, nem pelo elevado nível de ruído, mas porque "não se cumprem os pressupostos do pedido, ou seja, a entidade que requer as licenças não é a mesma que organiza a festa" e porque "o logótipo da câmara foi utilizado de forma abusiva, sem autorização",  de acordo com o que terá dito o assessor do vereador Sá Fernandes ao Público.

Concluindo: a Junta de Freguesia de São João de Deus não tem responsabilidades e a Câmara Municipal de Lisboa também não. A culpa será, presume-se, apenas do promotor... Ou de ninguém...

Muito ilustrativo e muito típico. A culpa, nomeadamente, a culpa pública é  sempre muito ténue, em Portugal, quase invisível... Como uma espuma que se retira rápida e facilmente. Por outro lado, os anos passam e Lisboa continua igual a si mesma: difícil de perceber, lenta, permeável a influências, discricionária, com uma gestão imprópria para o nosso tempo, a nossa História e as nossas aspirações, maxime turísticas. Nunca mais muda. Infelizmente!


(Há dias foi o encerramento das inqualificáveis esplanadas de Luís Suspiro no Campo Pequeno, que estão no local há mais de 3 anos, mas que agora a Câmara de Lisboa, veio dizer, que não tinham licenciamento e não cumpriam os requisitos previstos na lei.
Pois não. Fez muito bem em encerrá-las. Mas, não cumprem há 3 anos. E durante este tempo, não pagaram qualquer taxa e estiveram ilegais, à vista de todos, com sofás de gosto duvidoso, churrascos ao ar livre, estruturas gigantescas e uma imensa área de espaço público ocupada.
Luís Suspiro sempre se gabou à boca cheia que por ter apoiado António Costa nas últimas eleições, nada lhe acontecia e que as suas esplanadas ficariam no local, apesar das múltiplas denúncias que tem havido.  O que, em grande parte, se verificou. Durante mais de 3 anos ninguém lhe tocou... Até agora. Significará isto uma mudança de comportamentos?...)

8 de julho de 2011

Nada me faltará

"Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.
Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.
Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.
Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.
Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.
A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.
Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.
Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.
Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará"

Maria José Nogueira Pinto

6 de julho de 2011

Soberbo


Pavilhão da Serpentine Gallery, desta vez de Peter Zumthor
fotografia de Hufton + Crow

Será o verdadeiro amor realmente incondicional ? Ou eterno?

Talvez... Há quem pense que sim.

Basta ver os recentes e muito badalados casamentos de príncipes: o da Grã-Bretanha e o do Mónaco. Tudo parece um conto de fadas.

A expectativa de amor incondicional ou eterno, coincide, em parte, com a forma como se imagina que Deus vê o amor e com a ideia que ao amar de tal forma, nos estamos a tornar, melhores, mais puros, elevados, superiores, merecedores da "admiração" de Deus. Isso é bem claro nos referidos casamentos de príncipes. Um príncipe, um rei, deve ser alguém acima de tudo. Com um estatuto e uma posição quase divina. Tanto mais que recebe o poder por via hereditária. Sem fazer nada por isso. E muitas vezes, sem sequer o merecer. Por isso, deve fazer o que os outros esperam que ele faça e, até, o que se pensa que Deus espera que alguém que nasce diferente faça.

No recente casamento do príncipe Alberto do Mónaco não pude deixar de pensar porque estaria aquele homem a casar.

Mas essa expectativa de amor incondicional e eterno coincide também, e por outro lado, naturalmente, com uma certa ilusão romântica que nos seduz permanentemente.

O amor é realmente a maior das grandes coisas e não pode ser reduzido apenas ao desejo sexual, à reprodução, à ternura, ou à compaixão. Mas daí a ser eterno e incondicional  poderá estar um longo caminho. Será então uma ilusão o amor incondicional e eterno?

As ilusões tornam-se um problema quando vão contra a natureza humana. E a realidade parece ser que na prática o amor é condicional: é um desejo de que alguém que aparece na nossa vida seja um prenúncio de paixão, segurança e cumplicidade eternas.

A enorme capacidade de amar, de dar e de aceitar o sacrifício, não decorre de "desinteresse" ou "altruísmo", mas precisamente de "interesse", por sentirmos que aquela pessoa que amamos nos inspira e nos dá uma esperança indestrutível.  Por isso, insistimos tantas e tantas vezes em tentar atingir esse objectivo. Mesmo quando não vai dar em nada

O que é certo é que o amor se tornou uma forma de aspirarmos a  ser melhores e, até, a uma certa forma de divindade. Tal como os recentes casamentos dos príncipes o parecem demonstrar.

Seja como for, há um amor incondicional e eterno: aquele que sentimos pelos nossos filhos.
Talvez por não ter nenhuma espécie de motivação de divindade ou ilusão romântica. Por ser precisamente aquele que não precisa de motivação ou de inspiração.

É esse o verdadeiro amor incondicional e eterno.

Gravidade



Falling Up - The Gravity of Art,  que está na The Courtauld Gallery em Londres, até 4 de Setembro, é uma exposição que procura estabelecer um diálogo entre obras famosas da história da arte e a arte contemporânea, com particular destaque para a fotografia.

Uma das obras em destaque é a Descida da Cruz, de Rubens, de 1611, que está na painel central da catedrál de Antuérpia.
 
É impressionante a força desta obra e a sensação de resistência, de luta, de delicadeza, ao mesmo tempo. No fundo, da força da gravidade.

4 de julho de 2011

Fato à medida












Há mais de 3 anos que não compro um fato. Camisas sim. Cada vez mais lisas e brancas. Gravatas, embora use cada vez menos, não resisto. Sempre que vejo alguma excitante, compro. Sempre adorei gravatas. Gosto de lhes fazer o nó. Faço-os até sem olhar para o espelho. O que dá sempre jeito...

Com a mudança de vida ocorrida nos últimos anos, comprar ou mandar fazer um fato e usar uma gravata tem sido uma raridade. Mesmo em Itália, onde dificilmente se resiste às tentações, tenho conseguido manter a castidade. A consumista, é claro.

Mas, hoje acordei com vontade de usar um fato novo. Uma vontade de refrescar o visual. O que é bom sinal. Muito bom sinal. Há muito que não sentia essa vontade muito especial.  Um fato é uma segunda pele. E ou é excelente, único, marcante, ou mais vale não usar nenhum. No limite, é até  preferível andar nu. O que, aliás, constitui uma vontade, desde sempre, real e imensa. Assumida.

As razões para este "feeling"  matinal são muitas, variadas e explicáveis. No fundo, há coisas diferentes, melhores, entusiasmantes no ar. No horizonte.

No entretanto, a decisão foi mandar limpar os que estão ao fundo do armário desde o Verão passado. Depois logo se vê...

As fotos são de de John Dominis 
para a Life em que Steve McQueen em 1963 
compra um fato numa loja fantástica 
provavelmente em Beverly Hills

1 de julho de 2011

Mais

“Mais pureza, mais carinho, mais calma, mais alegria.”

(Sonhos, álbum "Cores, Nomes" - Caetano Veloso)