30 de dezembro de 2011

Os Excluídos

Quem comete um erro é excluído; é fechado dentro de uma caixa. Quem está fora vê apenas a caixa. Mas quem está fechado, excluído, consegue ver cá para fora. Vê tudo, vê-nos a todos.
Em cada compartimento há dezenas de caixas. Milhares de caixas por todo o lado. A maior parte delas vazia. Outras têm lá dentro pessoas excluídas. Ninguém sabe quais as caixas que têm pessoas.
As caixas são tantas que ninguém lhes dá importância. Pode estar lá uma pessoa, até a que amas, mas nem olhas. Já não produzem efeito. Passas por elas centenas de vezes.

Gonçalo M. Tavares, in 'Jerusálem'

19 de dezembro de 2011

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“Os portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo.”

“Em princípio, todo o português que sabe ler e escrever se acha apto para tudo, e o que é mais espantoso é que ninguém se espante com isso.”



Eduardo Lourenço
O Labirinto da Saudade, Gradiva, 2005

16 de dezembro de 2011

A verdade...

José António Barreiros foi meu professor na universidade. Foi dos mais estimulantes, cordiais e equilibrados docentes que tive. Alguém que se respeita. 

Este seu post não me deixa indiferente, como nunca fico indiferente àquilo que ele diz e escreve.

Não é difícil perceber o que sente José António Barreiros. Existem tantas situações nas nossas vidas em que sabemos a verdade e ela é escamoteada. Em que dizemos a verdade e ninguém quer ouvir. Em que quem mente se exibe sem pudor.

E na política, então, são inúmeras as tentativas de querer escrever a História sem deixar correr o tempo necessário para a isenção e o rigor. Quantas e quantas vezes nos "vendem" uma visão de certos protagonistas que não é rigorosa e que o tempo vem revelar o que  na realidade deve constar da História?

No nosso país, nos últimos anos, têm sido muitos os exemplos de falsas imagens, de deturpadas qualificações, de manipulações informativas sobre alguns dos protagonistas da nossa política. Umas na forma de idolatração, outras na forma de verdadeiros assassinatos de caracter.

Como em tudo, o tempo ajuda a resolver, ajuda a revelar, a evidenciar a verdade. Mas muitas vezes, é impossível ficar calado e deixar passar o tempo. Existem valores que são mais fortes.

Foi isso que me ensinaram na faculdade... Foi isso que José António Barreiros me ensinou.