26 de outubro de 2012

Identidade Nacional


"O que na nossa raça perdura é a contradição. É um amor impossível com o que foi e o que não quer que se repita. Hábil, certo, elementar, é este recriar nas brumas, iludindo a agressão, esperando sem desejar; tendo esperança sem planos, coragem sem abismos, causa sem ordem, influência sem poder, alma sem cruz. Renasce já em cinzas, mas renasce sempre".

Agustina Bessa-Luís, "A Renascença Portuguesa", Diário Popular, 14-11-68

22 de outubro de 2012

Just so


Direito


Esta notícia não deixa de ser surpreendente.  
Pelo que representa o escritório em causa, por quem é liderado, pelo tipo de clientes e pela advocacia que pratica. E, claro, pelo percurso profissional e pelo pensamento público conhecido do novo consultor.

12 de outubro de 2012

A outra margem




Há mais de 15 anos, numa noite memorável, descobri Trastevere e as suas ruas estreitas, pavimentadas de pequenos paralelepípedos, cercadas por casas medievais, com um charme muito especial.

Trastevere é a XIII região de Roma, situada na margem ocidental do rio Tibre, a sul do Vaticano. O nome vem do latim trans Tiberim, que significa "além do Tibre" e é simbolizada tradicionalmente pelo seu brasão, que contém um leão cujo significado é desconhecido. Durante o período régio de Roma (753-509 a.C.), Trastevere pertencia aos etruscos, hostis aos romanos. Roma conquistou-a para poder ter acesso ao rio pelos dois lados, tendo passado a ser parte integrante de Roma no governo de Aureliano (270–275 d.C.).

O bairro tem uma irresistível vida noturna, com bares e restaurantes e também uma intensa vida cultural. Existem várias instituições internacionais com pólos, o que faz com que haja sempre imensa gente jovem e animada de múltiplos países. Este seu carácter único atraiu aos longo dos tempos diversos artistas e celebridades como Sergio Leone ou Ennio Morricone que aí estudaram.

Lembrei-me de Trastevere porque há dias fui de barco até Cacilhas para um almoço no restaurante Ponto Final. A distância entre as duas margens não é comparável aquela de Roma, mas imagino sempre aqueles armazéns abandonados de Cacilhas ocupados com ateliers de artistas, jovens designers, arquitetos, instalações de arte, um pólo museológico, um cinema ao ar livre com Lisboa ao fundo.

Os tempos não estão para grandes revoluções urbanísticas, nem para grandes investimentos, mas mesmo assim e porque o impulso de idealizar, planear, sonhar é incontrolável e incontornável da nossa maneira de ser, que sempre que olho para a outra margem a vejo demasiado distante.

1 de outubro de 2012

Erros


Há dias, Vasco Pulido Valente escreveu no Público numa das suas crónicas:

Mas quem me explica a mim por que misteriosa razão a Gulbenkian (que é uma das fundações mais ricas da Europa) recebeu do Estado, entre 2008 e 2010, 13.483 milhões de euros? E quem me dá uma justificação aceitável do facto inaceitável de a Gulbenkian continuar a ser uma "fundação pública de direito privado", em vez de ser, numa sociedade democrática, simplesmente uma fundação de direito privado, quando com o estatuto que tem agora o governo pode, quando quiser, "designar ou destituir a maioria dos titulares dos órgãos de administração"?

Acontece que a Fundação Calouste Gulbenkian é uma fundação privada de utilidade pública e de acordo com o esclarecimento que a fundação tornou público não recebeu do Estado a quantia referida.

Os dois erros são graves e, ainda mais graves, vindos do VPV que pela sua exposição pública, passado e formação tinha obrigação de saber o que é uma fundação de Direito privado. Mas pior ainda é, depois do esclarecimento, "meter os pés pelas mãos" na sua retratação pública.

Cansa tanto azedume.