27 de dezembro de 2012

Estamo

A Estamo foi uma empresa criada pelo Estado, detida exclusivamente pelo Estado, a quem o Estado vendia imóveis que por sua vez o Estado, por interposta Estamo, vendia ao próprio Estado e a particulares. 
 
A Estamo era conhecida, falada, publicitada no site do Ministério das Finanças com uma das empresas credoras do Estado e durante anos desenvolveu a sua atividade à vista de todos e por todos "consentida" devido à necessidade de criar artificialmente receita e esconder despesa pública, retirando-a do perímetro orçamental.
O Tribunal de Contas durante anos nada disse... Disse agora. Ainda bem. Mais vale tarde que nunca. 
Embora, sinceramente, me pareça que mais do que um exemplo de rigor agora finalmente existente, seja uma uma posição "para inglês ver" (ou troika ver...) por completamente tardia e inconsequente.
O muito que a Estamo fez, está feito. E não tem retorno. Nem responsáveis. Nem culpados.

Acordo ortográfico

Diário da República, 2.ª série - N.º 198 - 12 de Outubro de 2012

26 de dezembro de 2012

Nós merecemos!



O episódio do homem das Nações Unidas que espantou o país, numa altura do ano em que esquecemos tanta coisa e procuramos acreditar em tanta coisa, é revelador do país em que nos tornámos e não deve ser esquecido.

Um país em que os jornalistas não confirmam as "fontes" e se alegram com todo aquele que opina contra, em que a instrução conduz ao desemprego, em que ser Dr. ou Eng. é a arma do provinciano vaidoso, um país de entrevistadores que preferem fazer-se ouvir, um país de tantos e tantos analistas políticos fazedores de opinião, um país em que os processos judiciais se arrastam anos e anos beneficiando quem não devem, um país em que a inveja passou a ser o principal atributo de um povo.

Surgir  um homem que com tudo goza, que convence sem esforço e encanta dizendo o óbvio e o que outros já disseram, não deixa de demonstrar aquilo em que nos tornámos.

Invocar o nome das Nações Unidas, em vez da União Europeia, não deixa de reforçar esse estado, pois demonstra que é mais convincente, é melhor atributo, ser de uma em vez de outra. Talvez porque da União Europeia ouçamos tantos e tantos falarem e falarem.

O mundo do parecer tem neste homem um exemplo perfeito. A pose, a forma de falar, a opinião redonda, a critica fácil, é o que todos os dias vemos ou parece que vemos.

Porquê, então, tanto espanto? Sinceramente, nós merecemos este homem.