19 de junho de 2013

A reunião


O tema era sobre a articulação de procedimentos entre vários serviços da Administração Pública na transposição de Diretivas Europeias.

O local, um palácio com história, uma sala com uma mesa quadrada, imensa, cadeiras imponentes, tetos trabalhados, num dos cantos, numa mesa de apoio, fotografias de personalidades que se haviam reunido, em momentos diversos, naquela sala e à àquela mesa.

Os participantes representando diversas áreas e ministérios chegaram à hora marcada, cumprimentaram-se, a maior parte já se conhecia, e os trabalhos começaram.

De repente, apercebi-me que dos 20 participantes, era eu o único homem.

Não me recordo de alguma vez ter estado com 19 mulheres numa reunião e numa sala e, deduzi depois, juristas.

A reunião foi decorrendo com muitos estados de alma à mistura, longas intervenções, muitas cautelas, pedidos de prazos mais longos para emissão de pareceres, invocação de inabaláveis experiências profissionais. Chegada a minha vez, quase no final, intervim, dizendo que os prazos apresentados eram perfeitamente aceitáveis, que a coordenação entre as várias áreas seria seguramente eficaz, recorrendo ao contacto direto e à troca de emails e que era desejável e muito positiva a realização de reuniões de coordenação e de articulação de procedimentos. Estava por isso satisfeito e optimista. Não falei mais de 2 minutos.

Quando dei por teminada e minha curta intervenção, por comparação com as das minhas colegas de reunião, a presidente da mesa, que nos recebia nas suas instalações, sorriu e perguntou se era tudo. Respondi que sim. E no momento em que acenei e acabei de pronunciar a última letra... ouviu-se um burburinho jocoso e mesmo alguns sorrisos
trocistas. Quando se fez silêncio, perguntei o porquê daquela reação.
 
A resposta veio da presidente da mesa. É que a minha intervenção era típica de um homem, uma intervenção fria, desligada, simplista e sem emoção.
 
Ao que perguntei, sorrindo, qual era a emoção que proporcionava às minhas colegas a transposição de um diretiva sobre o tamanho dos carris dos combóios ou sobre a composição das rações dadas aos animais. A reação foi ainda pior, com uma avalanche simultânea de intervenções, algumas inaudíveis.

Mantive-me o resto da reunião calado, pensando como é diferente a maneira de pensar, de trabalhar e de reagir a uma provocação das mulheres em relação aos homens e como são diferentes as suas reações quando estão em maioria. Se naquela mesa estivessem 19 homens e uma mulher, como seria diferente a reação masculina. Seguramente delicada, com algumas vénias teatrais e muitas tentativas de ser agradável à única mulher presente.

Cada vez me convenço mais que o grande mistério das mulheres reside nesta imprevisibilidade, nesta forma de lidar com os fatos do dia a dia, nesta transformação tantas e tantas vezes de algo sem qualquer possibilidade de emoção, num problema e numa questão para várias horas, dias e até meses de preocupação, desabafo, discussão e trauma. Umas vezes é sedutor, outras arrasador.
Talvez por isso as mulheres tenham tanta dificuldade em perceber o pragmatismo e até nalguns casos a frieza dos homens. E sejam uma surpresa que por vezes destrói anos de certezas.



11 de junho de 2013

...

I had become, with the approach of night, once more aware of loneliness and time - those two companions without whom no journey can yield us anything.

Lawrence Durrel

2 de junho de 2013

Amanhã é um novo dia!

Mudança! Finalmente!!

Dolorosa como todas as despedidas. Ansiosa como todas as mudanças.
Há muito adiada. Por muitas razões.
Agora, sozinho, tentando começar de novo. Com força, esperança, mas igualmente receio. Mas determinado.

Amanhã é um novo dia.