8 de setembro de 2013

"Eu não faço isso"


Todos sabemos que no nosso país abundam as cunhas, os pedidos, os contactos. Nisso não somos particularmente originais. Há casos muito piores.
A questão está em não assumir. Os lobbys politicos não são assumidos como noutros países. As posições sexuais, políticas, familiares, raramente são tornadas publicas.
Dir-se-à que é da nossa cultura e que são matérias que fazem parte da esfera privada e que por isso não têm de ser consideradas publicas.
Mas nem sempre isso corresponde à verdade...
Se alguém beneficiar de um emprego, de um concurso, de um prémio, de um subsidio, porque pertence a determinada organização, a um partido ou a uma familia, isso não é despiciendo.
Por isso pertencer... é cada vez mais interessante e é cada vez menos interessante revelá-lo.
Mas pior ainda, é esconder essa ligação, afirmar uma falsa isenção, apregoar uma impermeabilidade inexistente, passar a imagem de que por pretexto algum se cede à tentação.
"Eu não faço isso!" é o mote gritado para todos ouvirem, depois, rapidamente, contrariado com uma ou outra manobra discreta, às vezes por terceiros, como convém.
Isso é algo que demonstra, para além de uma imensa hipocrisia e falsidade, sobretudo uma enorme fragilidade. 
E um país frágil, um país hipócrita, um país que não enfrenta e não se assume, um país de homens e mulheres que pedem, mas fingem que não pedem, um país de homens e mulheres que não assumem que pertencem, é um país sempre mediano, sem glória e sem brilho.
Um país onde o mérito dificilmente consegue se impor por si.