12 de novembro de 2013

Negativas


Há 3 dias que os media e quase todos os comentadores só falam das peculiares afirmações do Ministro dos Negócios Estrangeiros, apontando um determinado nível das taxas de juro da dívida pública portuguesa como indicador de um regresso aos mercados ou da necessidade de um 2º resgate. Enfim...

Ao invés, a notícia da melhoria da apreciação da dívida portuguesa pela agência de notação financeira Moody’s de “Outlook negativo” para “Outlook estável” passou quase despercebida junto dos media e dos comentadores habituais.

Assim como a quebra da taxa de desemprego e o facto dos juros no mercado secundário da nossa dívida pública a 10 anos terem recuado dos 7%.

São notícias que valem o que valem, mas para um País que se habituou a descidas permanentes nas notações de rating, desde há mais de 3 anos, a subidas da taxa de desemprego e outras notícias negativas, estas mudanças talvez queiram dizer qualquer coisa...

11 de novembro de 2013

GOV.UK


Há dias descobri o site do governo inglês, o GOV.UK, e constatei o que depois percebi ser uma opinião unânime: o site é uma verdadeira ferramenta de aproximação entre governo e cidadãos. 

O responsável é um senhor chamado James Stewart, que é um dos mais respeitados projectistas de serviços públicos da Era Digital e ao entrar no site apercebemo-nos da diferença. É de uma enorme simplicidade, permite uma fácil navegação, é possível emitir vários documentos digitalmente e mesmo que não se saiba como funciona e é constituído o governo inglês, conseguimos obter múltipla informação.

Em 2010 a presença digital do governo britânico tinha um uso precário, baixa satisfação dos utentes, segurança deficiente, departamentos actuando como silos, duplicação de conteúdos, inconsistências na identidade visual, diversas marcas e endereços.

Uma das primeiras medidas na reformulação, iniciada em 2011, foi fazer com que os vários departamentos governamentais passassem a conversar e compartilhar dados entre si. 
Outra determinação foi o governo passar a ter um único endereço e identidade visual. O conceito foi simplificar ao máximo a presença digital do governo na web. A primeira versão foi para o ar em 2012 e hoje o GOV.UK tem 7 milhões de visitas por semana.

Uma das questões mais interessantes é que praticamente tudo que é digital no governo passou a ser acompanhado em tempo real. Em Performance é possível acompanhar como diversos serviços digitais do governo britânico estão a actuar. É uma espécie de Google Analytics do governo. Tal como
 no License Find, que permite encontrar as licenças de um estabelecimento comercial.


Ser “simples, rápido e directo” são os lemas do GOV.UK. E são 3 lemas perfeitos, que deviam ser mais seguidos.


6 de novembro de 2013

Memória


O "memorando de entendimento" (aqui publicado) assinado em maio de 2011 pelo demissionário governo socialista e subscrito pelo PSD e pelo CDS, que obrigou o país a tomar um conjunto de medidas, terminará no próximo ano.

Aceito que não seja fácil, agradável e imediata a sua leitura e percepção, mas ouve-se tanta coisa que sai fora do que está assinado, constata-se que tanta coisa continua por fazer e propõe-se tanta coisa diferente, que apetece perguntar se Governo, Presidente da República, oposição e muitos agentes políticos e sociais alguma vez o terão lido. Ou se será apenas uma questão de memória.

5 de novembro de 2013

Belém



Faltam mais de dois anos para o país escolher o substituto do professor Cavaco Silva, mas ao invés das movimentações visarem a chefia do Governo, lugar mais executivo e determinante para quem quem quer fazer Política, verifica-se antes uma agitação indisfarçável parar ocupar a Presidência da República.

O que não deixa de ser curioso. Num país, em que o Presidente não tem poderes executivos, em que é um "mero" moderador, nada faria supor que houvesse tanta vontade de ocupar esse lugar.

As interpretações serão as mais variadas. A minha, é que quem quer que seja Primeiro Ministro nos próximos 6 a 10 anos vai ter que implementar medidas tão impopulares, tão difíceis e por isso, com consequências tão fortes na sua popularidade, que se torna difícil arranjar candidatos. É um lugar pouco apetecível para quem tiver consciência, sentido de Estado e dignidade, Por maior que seja a ambição pessoal, por maior que sejam as pressões partidárias, é um cargo para "perder cabelo". Seja Seguro, Costa, Amado, César. Passos, Portas, ou Pires de Lima todos, com ligeiras diferenças, terão de fazer o mesmo.

Ao invés, a Presidência, com o quadro constitucional vigente e depois dos mandatos de vários presidentes, que à sua maneira foram dando ao cargo formas diferentes e talvez inesperadas, é um lugar mais tranquilo e não menos determinante. Menos exposto. Mas decisivo. Absolutamente decisivo.


A esquerda vai querer vingar os mandatos do único presidente vindo da direita. A direita vai querer ter um lugar que equilibre o jogo político.

Tenho a sensação que vamos ter algumas surpresas nos candidatos, para além dos "clientes" naturais e óbvios deste tipo de ocasiões, isto é, dos candidatos dos partidos disfarçados de personalidades independentes, em face do carácter "unipessoal" do cargo. E é provável que surja alguém mesmo independente.

Nesta altura, a direita parece estar à frente. Os quatro mais evidentes, de Barroso, a Marcelo, passando por Santana e Rio, têm adoptado estratégias cautelosas, de olhar para o lado fingindo nada quererem. O que é sempre positivo...

À esquerda, no entanto, nos últimos dias, dos quatro mais evidentes, dois candidatos fizeram tudo para aparecer. Sócrates em duzentas e vinte entrevistas e iniciativas e Carrilho em duzentas e vinte títulos sensacionalistas. O que contrasta coma descrição recomendável... É certo, que Costa continua sabiamente discreto e hesitante entre Belém e São Bento. Guterres, tal como os candidatos da direita, é que parece estar a melhor gerir o "desinteresse".

A dois anos de distância, Belém parece ser o destino que mais motiva os nossos políticos. O que talvez queira dizer muito da nossa política.