31 de dezembro de 2013

Partilhar / Parceria


 “Eu já não tenho carro!” é uma expressão que se ouve cada vez mais.

Esta opção não será causada unicamente pela crise iniciada em 2008, mas também pelo declínio da chamada cultura do carro, acompanhado pelo crescimento da cultura digital, da “economia partilhada" e de um estilo de vida mais minimalista.

O que estará em curso será, provavelmente, uma mudança de cultura, de paradigma. O uso de telemóveis, a presença da internet e a chamada economia partilhada estão a afetar cada vez mais a vida nas cidades de uma forma nunca antes sentida. Os carros já não são um símbolo de liberdade ou status como eram há 20 anos atrás e as palavras de ordem são cada vez mais “Parceria” e “Partilhar”.

Nunca foi tão caro manter um carro – impostos, seguros, estacionamento, manutenção, o que permite cada vez mais serviços de partilha e aluguer de carros e bicicletas. Talvez por isso a indústria automóvel caminhe para ser mais B2B do que B2C...

Protagonistas desta mudança são já chamados “Novos Urbanistas“, um grupo demográfico que estará a alterar a cara das cidades. WiFi, vídeo vigilância, ruas mais seguras e geolocalização são aspetos essenciais para o dia-a-dia deste grupo, para o qual é impossível falar de crescimento da “economia criativa” sem falar nos transportes públicos, pois um melhor sistema de transportes resulta em trabalhadores mais felizes e satisfeitos, o que, por sua vez, deriva em criatividade e produtividade.

É uma visão holística: transportes públicos, incentivos ao empreendedorismo, imobiliário, economia partilhada: tudo tem que andar em ... coligação.

Curiosamente há países como o Brasil, a Índia e a China, em que este movimento é precisamente o inverso, devido  à emergência de uma poderosa nova classe social e de políticas para que as pessoas comprem e usem mais carros e os utilizem como símbolo de statusPor isso, será um exagero afirmar que os carros terão no curto prazo o mesmo fim que os cigarros e os refrigerantes. 

A única certeza é que o papel do automóvel está a ser cada vez mais questionado na sociedade por uma geração que já está a deixar o carro na garagem e nas concessionárias, abraçando, como pode, a economia da partilha. 

Em 2014, o tema das parcerias e das partilhas, neste ponto como em muitos outros como a cultura, a ajuda social e o emprego, será um tema que, estou certo, muito se ouvirá falar e vai ser curioso ver como respondem decisores e protagonistas.