19 de julho de 2014

Uma obrigação mais forte.


Pedro Santana Lopes deu uma entrevista ao Expresso de hoje em que afirma que "arrumou o passado" e "amadureceu", diz estar bem com ele próprio e com tudo o que lhe aconteceu na vida pública e assume que seria altamente estimulante para a direita que o candidato da esquerda à Presidência da República fosse António Guterres e que este não seria "imbatível" numa futura eleição. 

Confrontado com uma declaração de há meses, em que dizia que não se podia candidatar a Belém, porque tinha que "ganhar a vida", sublinhou que a sua atividade à frente da Santa Casa da Misericórdia é essencial, mas não exclui a hipótese de sair da Santa Casa, caso surja "uma obrigação mais forte."

Não é difícil pensar a que obrigação se refere PSL. Nos últimos meses têm sido vários os sinais que indicam que essa "obrigação" é a Presidência da República.

Sou suspeito, pois trabalhei com ele varias vezes ao longo da vida e sou um fan de Santana Lopes. Da sua dinâmica, da sua coragem, da sua criatividade, da sua resistência, do seu carisma. Há poucos políticos como ele. Tem muitas e muitas qualidades que fazem dele o homem perfeito para alguns lugares políticos: para Provedor da Santa Casa da Misericórdia, para Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, para Ministro de muitas pastas e até para Primeiro Ministro. Tem muito mais carácter e dimensão que José Sócrates e este foi Primeiro Ministro durante 10 anos. 


Como todos os homens com as suas características, PSL absorve um conjunto de inimizades, anti corpos e invejas que tantas e tantas vezes se unem para abanar o "berço". O que acaba por ser injusto.

Apesar disso, nunca devia ter saído da Câmara de Lisboa e não deve interromper o seu mandato à frente da Santa Casa mesmo que a obrigação mais forte seja a Presidência da Republica. 

Se fizer isso, cometerá mais um erro. 

Um erro fatal.

2 comentários:

Anónimo disse...

Com tanta dinâmica, coragem, criatividade, resistência, carisma ... como é que não teve mão no PSD e deixou que abanassem a incubadora a ponto de estatelar o prematuro bebé?
E ainda o compara com o Sócrates, CMC? Enquanto ele esteve à frente do PS e do Governo, não havia forrobodó.

Carlos Moura-Carvalho disse...

Mas não levou o país a falência e à necessidade de recorrer ao resgate que tantos sacrifícios tem obrigado.
Se relativamente a PSL penso que não deve deixar o seu actual cargo, já em relação a Sócrates defendo que não devia se candidatar a nenhum cargo público. Jamais!